JORDY SMITH CONQUISTA A PRIMEIRA VITÓRIA NO WORLD TOUR AO DERROTAR O AUSTRALIANO ADAM MELLING NA FINAL DO BILLABONG PRO JEFFREY’S BAY 2010, DISPUTADO NA ÁFRICA DO SUL. SMITH DEFENDE A LIDERANÇA DO RANKING NA PRÓXIMA ETAPA, NO FIM DE AGOSTO NO TAHITI, COM TAJ BURROW E KELLY SLATER NA COLA.
Se no futebol a seleção sul-africana não conseguiu deixar o troféu de campeã em casa, no surf a história foi diferente. Depois de Jadson André vencer na praia da Vila em seu ano de estréia no Tour, finalmente chegou a vez da promessa sul-africana Jordy Smith faturar sua primeira vitória, também no quintal de casa, na terceira temporada dele na elite. Uma semana antes, Jordy vencera a tradicional etapa do WQS em Durban. O feito em J-Bay, que marcou o retorno de um sul-africano ao topo do pódio no WT, incendiou a torcida local e confirmou a ascensão da nova geração no Circuito Mundial. Smith está na liderança do ranking principal na corrida pelo título mundial, com os veteranos Taj Burrow, em segundo, Kelly Slater, em terceiro, Dane Reynolds, em quarto, e o brasileiro Adriano de Souza na quinta colocação.
A próxima etapa, de 23 de agosto a 3 de setembro no Tahiti, irá colocar a prova a força dos novos talentos contra a experiência de Slater, Parko, Burrow, Fanning e outros tuberiders consagrados nos poderosos tubos de Teahupoo.
A prova africana é uma das mais badaladas do Tour e este ano, o primeiro dia de competição justificou a boa fama de J-Bay. Expressos de 6 pés, com sol e vento terral, presentearam atletas e público com pistas perfeitas para manobras arrojadas e tubos de tirar o fôlego, como o surfado por Jay Thompson na repescagem que valeu a única nota 10 do evento depois o swell perdeu força e os organizadores decidiram acelerar o cronograma para aproveitar as condições, já que a previsão não era animadora.
A campanha de Jordy Smith foi impecável do começo ao fim e confirmou o favoritismo do local nas direitas de Jeffrey’s. Venceu na estréia sem sustos e passou tranqüilamente por Nate Yeomans na terceira fase. Depois eliminou o estreante Owen Wright nas oitavas numa bela disputa, com notas 8.60 e 9.27. Nas quartas de final, Jordy não teve trabalho para despachar Mineirinho, que vinha de boas apresentações, mas não conseguiu superar o conhecimento do pico do adversário.
A semifinal, contra Bede Durbidge, foi o momento decisivo: o australiano liderou a disputa até o fim e só nos últimos quatro minutos Jordy conseguiu sair de uma combinação de notas para virar o resultado a seu favor. A virada deu a confiança que ele precisava para atropelar o aussie Adam Melling na final. Nas duas primeiras ondas que surfou, Smith somou notas sólidas (8.90 e 9.03) para ficar com o troféu de campeão.
“É o melhor dia da minha vida. O apoio da imensa torcida na praia e o som das vuvuzelas só me deram mais motivação para buscar a vitória em casa. Parece que eles estavam me empurrando nas ondas e eu não poderia decepcionar essas pessoas”, disse Jordy, 22 anos, muito emocionado. “O swell estava morrendo e eu tinha de tirar proveito de cada onda que viesse. O Adam é um surfista perigoso e se pegasse as ondas poderia reverter o placar, então eu tinha que abrir bem a bateria para controlar a vantagem até o fim”. Sobre a inédita liderança no ranking, ele foi cauteloso: “É um sentimento diferente. Perseguir a liderança é uma coisa, e defender é outra, bem diferente. Temos um longo ano pela frente até o encerramento da temporada”, concluiu Smith, que faturou US$ 50 mil de prêmio e somou 10 mil pontos no ranking.
Para chegar à final, Jordy contou com a ajuda do conterrâneo Sean Holmes, convidado em muitas etapas de J-Bay e eterno carrasco dos Tops. Este ano, ele tirou da prova nomes como Jadson, Kelly Slater e Andy Irons.
O resultado da etapa em Jeffrey’s Bay se alinhou com o desfecho da Copa do Mundo na África: assim como a seleção da Espanha, Jordy Smith ainda não tinha um título, colecionava algumas derrotas inesperadas e vinha sendo incluído na lista de favoritos pelas performances modernas. A única diferença é que a “Fúria” espanhola não competiu em casa, mas em J-Bay deu Bafana-Bafana na cabeça.
Billabong Pro Jeffrey's Bay 2010
A BUSCA ENCONTRA PORTO RICO
FUTURO: ONDAS CADA VEZ MAIORES
24 perguntas para... John John Florence
Desde que John John Florence se tornou o mais jovem atleta a disputar a Tríplice Coroa Havaiana, em 2005, na época com 13 anos, temos a impressão que até hoje ele continua o mesmo garoto branquelo e franzino. Apontado por Kelly Slater e Shane Dorian como uma das promessas do esporte, esse tímido havaiano, atualmente com 17 anos, cresceu na mesma proporção que suas habilidades sobre a prancha. Nascido e criado nas areias de Pipeline, que se fundem com o quintal de sua residência, ele passa boa parte do tempo observando as ondas num mirante construído especialmente pra isso. Neste papo, o prodígio fala sobre sua “vida perfeita”, as comparações com Jamie O’Brien, a vontade de conhecer o Brasil e o objetivo de ser um Top do World Tour.
01. NO BRASIL AS PESSOAS PENSAM QUE VOCÊ AINDA É AQUELE TALENTOSO GAROTINHO DE 13 ANOS QUE CHOCOU O MUNDO AO DISPUTAR A TRÍPLICE COROA...Estou com 17 anos e realmente todo mundo pensa que tenho menos. No último Pipe Masters as pessoas ainda pensavam assim, mas esquecem que a gente cresce e que mudei. Não sou mais criança.
Pelo fato de a minha mãe ser surfista, meu contato com o mar começou cedo, aos 3 anos. Minha infância foi dentro d’água, e por isso continuo vivendo da mesma forma. Minha mãe sempre foi tudo pra mim e meus irmãos, a maior incentivadora da minha carreira. Nunca me vi sem o surf, faz parte da minha vida.
Na verdade, a quantidade de patrocinadores fez com que eu tivesse mais responsabilidade, que buscasse treinar sempre mais e levasse a minha profissão mais a sério. Adoro viajar e competir, então essa pressão é ótima para mim, pois é assim que vou conseguir chegar a meus objetivos, por meus próprios méritos.
Minha estréia foi em Rocky Point. Mas hoje é quase impossível alguém me ver surfando lá. Se Pipe estiver ruim, vou pra V-Land, Ehukai, ou outros picos. Rocky é muito crowd, não rola mais.
Nathan, de 15 anos, e Ivan, de 13 anos, surfam todos os dias. Ivan é especialista em tubo. Eu tento dar dicas, mas eles não me escutam muito. Eles não se importam, só querem se divertir. Mesmo querendo ser profissionais, não me escutam! A gente tenta superar nossos limites sempre. Todos em Pipeline, claro, a maior parte do tempo.
Estou ansioso e super animado para o próximo Pipe Masters. No ano passado, fiquei a duas rodadas de chegar à final, portanto me sinto preparado para ser campeão, sim. É muito bom estar na Tríplice Coroa, no quintal de casa. Ao mesmo tempo, eu fico muito nervoso, não quero perder no meu pico. Mas botei na cabeça que deveria ir por diversão, esquecer de tudo e fazer o meu melhor, só isso. Eu estava na água com gente muito boa e ficava pensando: “Não posso cair, não posso cair...”
Skate e snowboard. Acho que os dois têm muito a ver com o surf. Os movimentos são parecidos, não deixa de ser um treino para surfar melhor. Este é o futuro, estamos fazendo um pouco de tudo agora. (Em 2009, J.J. Florence terminou em 16º lugar no Ultimate Boarder Championships, prova que reúne vários atletas de destaque em esportes de ação com pranchas competindo entre si em modalidades como surf, skate e snowboard. Ele ficou em segundo no surf e foi 13º no skate, mas o 45º lugar na neve não deixou que figurasse entre os Top 5 do evento).
Quero correr o WQS e me qualificar para o World Tour. Quero treinar muito e me divertir muito também. Quanto a ficar fora por quase um ano, acho normal. Chega um momento que fico enjoado da ilha, após o inverno nada acontece. Preciso viajar, já fico louco pra isso acontecer. O bom é que a viagem tem sempre ida e volta, estão está tranqüilo!
Acordo e vou chegar o mar. Se estiver ruim, adianto meus deveres na escola, mas se estiver bom, dou uma caída. Meu dia se resume em comer e surfar (risos).

Fui obrigado a optar pelo estudo a distância. Não gosto desse método, preferia ir pra escola. A gente sempre empurra com a barriga dentro de casa e não se dedica tanto. Também sinto falta de amigos de escola, trocar idéias, fazer trabalhos em grupo. Quando estou em casa para estudar, acabo indo pro Facebook. Só tive que optar elo método de estudo a distância para administrar melhor meu tempo.
Vou pra água me divertir e não penso nesse tipo de pressão ou de expectativa. As ondas no Hawaii são perigosas. Já fico nervoso com isso, imagina se eu fosse me preocupar com opiniões. Preciso focar no meu surf e ponto. Tento não escutar as especulações sobre mim, senão ficaria louco.
Acho que sim. Ele inclusive morou na casa que estou morando agora. Temos o mesmo quintal, surfamos Pipe juntos todos os dias. Ele conhece muito bem a onda, com eu conheço. Por isso, talvez sejamos parecidos no surf. Acho o Jamie um excelente profissional.
Nunca. Talvez eu vá neste ano para correr o WQS. Estou muito animado pra essa viagem.
Com certeza pelas mulheres bonitas e boas festas. Festas a noite toda! Aqui no Hawaii as festas geralmente acabam por volta das 2h da manhã. Não posso ir a boates ainda, pois nos EUA só entram maiores de 21 anos. No North Shore tem altas festas no inverno, são as melhores. Encontro gente do mundo inteiro e me divirto com meus amigos.
Já estive lá oito vezes. No verão fico por dois meses. O pessoal lá é muito bacana e as ondas são muito perfeitas. É o melhor lugar do mundo.
Opa! Não, depois do Hawaii (risos). Pra mim, aqui é melhor, nasci aqui e amo esse lugar. Não me imagino morando em outro lugar. Pipe é uma das melhores ondas do mundo e eu estou todos os dias aqui. Isso é uma grande vantagem, mas ficar só no Hawaii não dá. Tenho que conhecer e saber surfar todo tipo de onda, para não ter surpresas em campeonatos. A maioria dos campeonatos acontece em ondas como as do Brasil, por exemplo.
Estive na Europa cinco vezes, passei por Portugal, Inglaterra, França, Espanha e Escócia. África do Sul, três vezes. Austrália e Indonésia, muitas vezes. Não fui para América do Sul ainda.
Em primeiro lugar, Pipeline. Depois eu diria que foi nas Mentawai. Nossa, perfeição pura!
A minha vida é perfeita sim, pois ganho dinheiro fazendo o que amo. Viver na praia que mais gosto e surfar todos os dias da minha vida significam ter uma vida perfeita.
Kelly Slater e Jamie O’Brien. São amigos que tenho contato, costumo ligar de vez em quando.
O’Neill, Vans, Pyzel, Jack’s Surf Shop, Sector 9, Freestyle e Spy. Na verdade, nem falo com eles. Minha mãe trata dessa parte. Minha preocupação é somente surfar bem. Eles contam com isso, e minha “vida perfeita” também depende deles.
Meu único problema é que marco as entrevistas e costumo esquecer. As pessoas ficam bem chateadas, mas meu foco está no surf e se tiver um mar clássico não lembro de mais nada. Mas dou entrevista na boa, sou tranqüilo quanto a isso. Sei que faz parte do meu trabalho.
Pretendo estar entre os Tops do World Tour, esse é o meu objetivo. E também devo estar formado no colégio. Quero me livrar disso logo! (risos)
JIMI HENDRIX ─ VALLEYS OF NEPTUNE
Exatamente no ano em que se completam 40 anos da morte de Hendrix, eis que surge uma justa homenagem ─ uma coleção preciosa de músicas do mestre das guitarras, gravadas em seu estúdio entre fevereiro e maio de 69. São 12 músicas, a maioria inédita, algumas conhecidas, mas com outros arranjos como “Fire”, “Red House”, “Stone Free” e covers de Elmore James em “Bleeding Heart” e do Cream em “Sunshine Of Your Love” (quase sete minutos de viagem instrumental). Entre as melodias raras, estão “Lullaby for the Summer”, “Crying Blue Rain”, “Ships Passing Through the Night” e a música que batiza o disco, “Valleys of Neptune”.
AUTHORITY ZERO — HISTÓRIAS DE SOBREVIVÊNCIA

Seguindo o preceito de não querer ser autoridade em nada, apenas caras simples fazendo som por diversão, os “autoridade zero” se juntaram descompromissadamente em 94 numa universidade de Mesa, Arizona, para fazer um som que não se prendesse a estilos, gêneros e modas. Apenas moldado na idéia de prestar homenagem aos seus mentores musicais do punk rock, hardcore, ska e reggae, necessariamente nessa ordem, uma mistura da velha e da nova skate surf punk com pitadas de música irlandesa e latina.
O mais importante é que tocam o que lhes parece melhor no momento e os deixam felizes, a receita ideal para fazer um som honesto, livre e diferenciado. No meio de tantas bandas pré-fabricadas e pasteurizadas, existe um celeiro de grupos com personalidade autêntica, que começam tocando em churrascos, festas, pequenos clubes, bares e festivais nos EUA.
O Authority Zero trilhou esse caminho sem ambição, não se importando em quebrar barreiras musicais, mesclando gêneros, como um Rage Against the Machine do punk com elementos fortíssimos de surf music, mal comparando — uma mescla de Pennywise com Sublime com temperos de ska punk de bandas como The Suicide Machines, Slighty Stoopid ou Operation Ivy. Enfim, um som que você não sabe onde procurar numa loja de discos (isso ainda existe?).
Seu primeiro EP saiu em 2002, intitulado “Passage in Time”, atraiu a atenção das rádios universitárias e foram convidados para abrir shows de Sum 41, NOFX, No Use for a Name, H2O e Alkaline Trio, Strung Out e Pennywise tocando no principal festival do mundo de bandas de hardcore-punk, o Warped Tour, e participando de coletâneas icônicas do planeta punk rock, o pioneiro Punk-O-Rama. A turnê de dois anos fez a fama da banda com apresentações explosivas e empolgantes. As portas se abriram e lançaram talvez o melhor disco deles, o “Andiamo” (significa Nós Vamos em italiano ou “e eu sou zero” que é o nome do DVD da banda “And I Am Zero”) em 2004. Alguns sons desse disco pararam em trilhas de filmes de surf e skate, como a “Painted Windows”, “Over Seasons” e “PCH-82”, e tem letras bem politizadas, com protestos contra a invasão no Iraque. Nesse disco, suas influências de reggae, ska e música latina ficaram mais claras e agradaram com scratches e guitarrinhas em muito bom alto astral. Um disco diversificado, completo
Depois veio o ao vivo “Rhythm and Boozed” confirmando o que a comunidade antenada em bandas novas já tinha ouvido ou visto, a excelente presença de palco e energia ao vivo da banda. Em 2007, veio o “12h34”, um disco que seguiu o que se esperava: mistura com bom encaixe, hardcore ensolarado, clima sempre pra cima músicas rápidas, beirando o urgente com pausas melódicas, sempre com o vocal de Jason DeVore marcante e espontâneo, cantando com você, como eu, sem fazer tipo ou forçando, que causa empatia, soando familiar, próximo.
E agora em 22 de junho saiu o novo e melhor disco da banda “Stories of Survival”, com excelentes letras falando de corrupção na indústria fonográfica, a questão sócio política, com letras cativantes e ganchos que pegam bem aos ouvidos. Uma poderosa combinação dos gêneros citados, mantendo-a bem acima da média das bandas punks atuais.
O vocal cada vez mais rápido, porém melódico com qualidade, com coros cativantes pra ficar assobiando o dia todo, com um vibe rock e astral punk, uma atmosfera ska, guitarrinhas sacanas com punch certeiro e econômicas com viradas beirando o flamenco, e espectro de uma rádio mexicana. Um som hiperativo, energizante que garante o sorriso no rosto. Dificilmente a banda terá um alcance como Pennywise, Bad Religion, Offspring ou NOFX, mas quem busca sons diferenciados, boa música independente de estilos e visibilidade, não vai mais deixar de ouvir esse som. Pra quem gosta de hardcore, punk, ska e até mesmo reggae vai se sentir em casa.
Autoridade nesses casos não são bem-vindas.
GAROTO PRODÍGIO
Pense rápido.
Qual o nome de um jovem talento de sangue brasileiro que vive nas ilhas havaianas? Se o primeiro que veio na sua mente foi Kiron Jabour, errou feio. Estou falando de Ian Gentil, a mais nova sensação do surf havaiano e, muito em breve, mundial. O garoto de sotaque carregado quando se aventura no português, apresenta leveza e habilidade extraordinárias sobre a prancha. Sua vontade de aprender e realizar grandes feitos é infinita. Determinação para colocar-se em situações desafiadoras, maior ainda.
Na maioria das vezes, previsões se evaporam quando o destino se torna as rédeas. Mas Ian cresceu imerso no melhor ambiente possível para um surfista. Seu pai, João Gentil, é dono do Beach Park de Fortaleza, o maior parque aquático do Brasil. No começo dos anos 90, João foi para o Hawaii pela primeira vez e achou o lugar ótimo para criar a família.
Sob os olhos atentos do pai e os cuidados da mãe Patrícia, Ian te um lifestyle de dar inveja a qualquer surfista e garoto da sua idade: surfa altas ondas em frente de casa, conta com patrocínios sólidos e uma família apoiadora ─ todos os ingredientes necessários para o sucesso.

Seu irmão mais novo, Conan, e a irmã caçula, Joy, já foram fisgados pelo vírus do surf e adoram brincar no mesmo parque de diversão do irmão. A filosofia da família Gentil, amável e apoiadora, reflete-se na frase pendurada na parede. “Pensamentos viram palavras, palavras viram ações, ações viram hábitos, hábitos viram personalidade, personalidade vira destino”.TAM LIBERA PRANCHA ─ MAS SÓ SUA MERREQUEIRA
O SONHO CONTINUA

O MCD Charger In Memory of Zeca Scheffer foi um marco para a cidade de Torres (RS) e provou que, com respeito e organização, o surf pode ser um aliado na preservação da ilha dos Lobos. No último dia 10 de junho, numa manhã típica de frio e sol no Sul do país, esporte e consciência ambiental se uniram para homenagear o big rider local Zeca Scheffer. Surfista de alma, Zeca fez história por sua coragem frente aos desafios e pela dedicação aos seus sonhos. Salvou muitas vidas em resgates no mar e recebeu homenagens de honra ao mérito do corpo de bombeiros. Desbravador do surf de ondas grandes na ilha dos Lobos e na laje de Jagua, ele faleceu há quase quatro anos num acidente de carro na BR-101, em Santa Catarina.
Diversas entidades da comunidade, atletas locais e convidados estiveram presentes em uma sessão cerimonial de surf. Surpreso com o espírito de solidariedade que encontrou em Torres, o carioca Stephan Figueiredo declarou: “Foi um dia de confraternização e não uma competição, bem mais legal que eu imaginava. A continuidade de um sonho realizado depois de anos”. Seguindo as restrições exigidas pela autorização do ICMBio (entidade governamental que preza pela preservação do Revis da ilha dos Lobos), a organização adotou todas as medidas necessárias para que a prática do surf na remada fosse feita com segurança e não afetasse os leões-marinhos e os lobos-marinhos. “Surfar na ilha sem agredir a natureza era a maior preocupação do Zeca”, disse o local Cristiano Cardoso.
Numa linda manhã, com vento terral, o sol da alvorada refletia no mar e iluminava os participantes reunidos em um barco numa área segura da Unidade. Porém para os surfistas as condições estavam desafiadoras: “A onda é um tubo animal. Havia uma correnteza absurdamente forte e pra se manter no pico era uma corrida contra a força d’água”, afirmou Marcelo Trekinho. Os locais surfaram com muita garra em memória do saudoso amigo e relembraram alguns momentos de suas vidas. “Lembro como se fosse hoje quando fui à ilha com o Zeca pela primeira vez. Pra mim foi muito emocionante poder voltar e surfar a onda como uma forma de homenagem. Esse evento na ilha foi um sonho do Zeca realizado”, disse Rodrigo Cardoso.
Ao término das baterias, na cerimônia de encerramento organizada no alto do morro do Farol, após ter acompanhado todas as ações em um telão ao vivo, a comunidade aguardava ansiosa pela premiação. A galera de Torres dominou as primeiras posições, com Daison Pereira em 4º, Emerson Peres em 3º, e Felipe Martins em 2º.
Isso porque a primeira colocação já tinha dono desde o início. Para surpresa dos presentes, o troféu foi entregue à família Scheffer, num dos momentos mais emocionantes do dia. “Na hora da premiação, quando a família do Zeca recebeu o troféu de campeão, foi um sentimento puro e chorei como todos que estavam ali”, lembrou Trekinho.
Diz o ex-Top do World Tour e convidado Paulo Moura: “Tive a honra de fazer parte de um evento especial e participar da realização do sonho de um guerreiro. Foi emocionante sentir o vazio da perda de uma família ser preenchido, mesmo que por alguns instantes, pelo orgulho de ter o sonho do filho realizado”. Em nome da família, a irmã de Zeca, Fernanda Scheffer, agradeceu: “Para nós é importante saber que ele é lembrado entre tantos amigos e desconhecidos. O sonho dele foi realizado, não como a gente gostaria, mas tenho certeza de que ele estava ali surfando com a galera. A saudade aumenta a cada dia e conforta ver que ele vivia cercado por pessoas boas, que considero amigos e irmãos”.
Em seguida uma contrapartida ambiental foi anunciada ao ICMBio e um bote inflável de quatro lugares com motor de 40 HP foi entregue à entidade para auxiliar na preservação da Unidade. Ao corpo de bombeiros de Torres, roupas de borracha foram cedidas para colaborar nos salvamentos. Posteriormente, Ney Cantarutti Jr., chefe do Revis da ilha dos Lobos, ministrou uma palestra às crianças da rede pública de ensino, estimulando a criação de redações sobre o meio ambiente local. Os melhores textos foram premiados com brindes especiais do evento. “Esse encontro foi uma coisa que fizemos por um irmão que não está mais aqui. É um trabalho pra durar muitos anos. Estamos dando continuidade ao ideal de um guerreiro”, completou o amigo e organizador César Kruger.
O evento contou com a participação do professor e biólogo Christian Luz, do oceanógrafo João de Mendonça Furtado e do procurador da República Ricardo Trunfo. “No decreto da re-categorização da Unidade para Refúgio da Vida Silvestre em 2005, foram previstas atividades esportivas e de recreação. Apesar da polêmica gerada pelo assunto ao longo dos anos, o evento foi antecedido por estudos e teve respaldo nos vários segmentos do ICMBio e no Ministério Público”, ressaltou Ney Cantarutti Jr, chefe do Revis da ilha dos Lobos.
A ilha dos Lobos é um aglomerado de rochas disposto há quase 2 quilômetros da beira da praia. Ali se abrigam, em sua maioria, machos adultos e juvenis de lobos-marinhos e de leões-marinhos que migram do Uruguai e Argentina, principalmente durante o inverno, além de diversas espécies de peixes e aves. A pesca e o desembarque dentro da área da Unidade não são permitidos. O surf no local segue proibido. O formato do evento buscou demonstrar que a prática ordenada do esporte pode ocorrer de forma sustentável e servir como aliada na preservação do meio ambiente, dando continuidade ao trabalho que Zeca Scheffer deixou para a comunidade de Torres, um legado de surf e consciência ambiental próprio de quem dedicou sua vida ao mar.
Superação de vida e de surf
Em todo esporte, sempre foi e será muito difícil ser o melhor do mundo. Quando nos dedicamos integralmente a um esporte e atingimos o nível superior no que fazemos, quando sentimos o momento, é chegada a hora de sermos os melhores do mundo. É disso que vou falar nesse artigo: em ser o melhor do mundo.
GERAÇÃO BRASIL
Ser brasileiro e viajar o mundo sempre forma uma difícil combinação. As barreiras começam com a diferença do idioma e da moeda. Depois aquela discriminação que extravasa fronteiras, já que temos um velho preconceito de ‘jeito Brasil’. No surf temos dificuldades para surfar sobre corais e point breaks, porque aqui no Brasil quase não existe esse tipo de onda. A principal diferença e dificuldade está também em nossos maus hábitos. O atleta brasileiro ou de quaisquer outros países emergentes, para ser aceito mundialmente, tem que ser muito bom no que faz e, principalmente, ter uma educação exemplar, acima da média nacional, além de atitude dentro e fora d’água, no caso do surf.
O surf brasileiro tem história, e não é de hoje que estamos atuando no ambiente internacional. Nossas origens no surf não são tão antigas quanto à dos havaianos, australianos ou americanos, mas já existem por aqui gerações de surfistas desde os anos 1950 e, acredito, até antes, com as primeiras referências dos anos 1930, como mostra em réplica à própria coleção da Árvore Genealógica dos Shapers no Brasil.
O brasileiro, no que diz respeito à competição, apareceu no cenário internacional no início da década de 70. E desde então, nossos surfistas representaram com dignidade o Brasil, fazendo parte quase que integral do Circuito Mundial, numa crescente, progressiva evolução, em entradas e performances, com alguma ou outra queda.
Já vivemos gloriosas conquistas. Em 1976, a lenda Pepê Lopes vencia o Waimea 5000 no Rio e no mesmo ano surfava na final do Pipeline Master no Hawaii, numa época de total glamour. Em 1977, na final do Waimea 5000, período IPS, fizemos a dobradinha brasileira dentro d’água, onde outra lenda, Daniel Friedmann, o campeão, e Pepê Lopes, brindaram no topo do pódio.
Durante a década de 80 um esquadrão da minha geração representou o Brasil no Hawaii e em campeonatos da ASP mundo afora. Valdir Vargas, Ricardo Bocão, Roberto Valério, Rico de Souza, Picuruta e Almir Salazar, Fred D’Orey, Carlos Burle, Sérgio Noronha, Felipe Dantas, Renato Phebo e Tinguinha Lima, e diversos outros inclusive eu, em minhas dez temporadas no Hawaii, junto do Murilo Brandi, Jorge Pacelli, Xan Brandi, Flavius Cinira, Zecão, Tarzan, Anésio Amaral... Abrevio os nomes de tanta intimidade com esses caras.
Em 1988 Fabio Gouveia era sagrado campeão mundial amador em Porto Rico, e em 1990 vencia uma etapa do Circuito Mundial profissional. Victor Ribas, Teco Padaratz e Ricardo Tatuí venceram etapas na França durante a década de 90. Peterson Rosa venceu um WCT no Rio em 1988, mesmo ano em que Carlos Burle foi campeão mundial de ondas grandes, em Todos Santos, México. Em 1999 foi a vez da dobradinha brasileira em Huntington Beach, no US Open, onde Neco Padaratz e Gouveia tomaram a cena.
Neco também já venceu uma etapa do WT na Europa, no início dos anos 2000. Em 2009 o Carlos Burle recebeu a primeira coroa de campeão mundial de remada, de um circuito oficial de ondas grandes. Aliás, Burle, é bicampeão mundial de ondas grandes, o único até o momento. Burle é o exemplo máximo de profissionalismo e disciplina.
Foram anos de preparação dos grommets brasileiros, viagens e investimentos na base. Hoje o surf cresceu, e o Brasil tem uma geração fortíssima e preparada. Esta é a geração mais forte que já tivemos, toda inspirada no fenômeno Kelly Slater. Adriano de Souza, que lidera essa revolução contemporânea, ocupa um merecido lugar entre os Tops 10 do ranking mundial, e está em igualdade de condições com qualquer outro, uma hora ele vai chegar...
Jadson André chegou ao WCT com uma garra fora do comum. Com apenas 19 anos e um surf radical e diferenciado, venceu a etapa brasileira do WT 2010 com direito a vitória sobre o eneacampeão mundial na grande final. Brilhante! Ele tem apetite e gosta da competição, assim como vários outros garotos dessa nova cena Brasil.
A nova geração brasileira está fazendo fila para ingressar no World Tour. E em breve, aposto num Top 16 recheado de brasileiros. Gabriel Medina, Jessé Mendes, Wigolly Dantas, Alejo Muniz, Caio Ibelli, Ian Gouveia, Yan Guimarães, Peterson Crisanto, e por aí vai. Quem viver verá, porque essa ‘seleção’ está formando agora ‘Os meninos de ouro do Brasil’.
SLATER CONQUISTA O CONGRESSO
POLÍTICOS AMERICANOS RECONHECEM OS FEITOS DO ENEACAMPEÃO MUNDIAL KELLY SLATER

Depois de inspirar gerações de surfistas e admiradores com suas conquistas em campeonatos e uma carreira e imagem irretocáveis, o floridiano Kelly Slater chamou a atenção também dos políticos americanos. Durante um ano, o deputado republicano Bill Posey trabalhou forte nos bastidores do Congresso para mostrar aos seus colegas que Slater é muito mais do que um herói local ou um ícone do surf.
Por isso, no último mês de maio, o Congresso dos EUA prestou uma homenagem a Slater e aprovou o projeto chamado “Resolução Kelly Slater”, reconhecendo o surfista por suas conquistas, por ser um embaixador do esporte e um grande exemplo de cidadão. “Slater tem trabalhado arduamente para dominar um esporte que muitos tentaram, mas poucos realmente foram capazes. Seu recorde de títulos mundiais é impressionante e digno de reconhecimento”, justificou George Cecala, porta-voz de Posey ─ que representa o distrito ao qual pertence Cocoa Beach, praia onde Slater nasceu e cresceu.
Aos 38 anos, Kelly Slater possui nove títulos mundiais e já venceu 43 etapas do Circuito Mundial, além de seis títulos do Pipeline Masters, no Hawaii, um dos eventos mais cobiçados do World Tour, e um troféu de campeão do tradicional Eddie Aikau Invitation. Em 2002 deixou seu nome registrado no “Surfers Hall of Fame”. Slater foi o surfista mais novo a vencer um título mundial, aos 20 anos, em 1992, e também o mais velho, aos 36, em 2008. Até a próxima etapa do WT, em julho na África do Sul, Kelly lidera o ranking mundial em busca do seu décimo caneco.
RECEITA DE SUCESSO
Nossa equipe ama o que faz e acho que estamos sempre evoluindo. Trabalhamos diariamente para desenvolver nosso produto e torna-lo cada vez melhor.
Temos cerca de 120 câmeras. A popularidade depende das condições do mar, mas ao longo do ano as mais acessadas são Huntington Beach, Pipeline, Ventura e Malibu.
Raramente. Somos bastante sensíveis a respeito de onde não devemos colocar câmeras. Somos surfistas e respeitamos o fato de que nem todo pico deve ter uma câmera. O interessante nas pesquisas que temos é que as câmeras ao vivo são efetivas para mostrar aos surfistas o quanto o pico está crowd, para ajudar na decisão de surfar num local mais vazio. O uso de câmeras não causa o crowd.
A principal diferença é que o LOLA roda em nossos servidores e possui muitos dados, incluindo informações geradas pelo próprio NOAA WaveWatch III. O sistema do NOAA é feito para estimar swells em alto-mar e não calcula a altura das ondas. Swell e tamanho do surf nas praias são coisas diferentes. São relacionadas, mas são diferentes dependendo dos componentes das direções do swell, batimetria (medição da profundidade do oceano) e recorte do litoral. Todos estes fatores devem ser calculados para prever a altura das ondas em praias específicas.
Paramos te ter problemas porque não usamos mais fóruns abertos. Agora temos discussões moderadas sobre tópicos de surf. Os usuários podem subir fotos, vídeos, textos sobre eventos e fazer comentários sobre o esporte. As discussões seguem abertas e bastante opinativas, mas não são publicadas se estão fora de contexto. Nosso negócio é surf, não falamos de política, religião ou futebol. Existem vários lugares onde as pessoas podem falar abertamente a respeito desses assuntos.
Surf é um esporte global. Grandes surfistas e ótimas histórias do surf surgem em todos os lugares do planeta. O Brasil tem bons surfistas e que oferecem uma grande contribuição ao esporte. Carlos Burle, por exemplo, teve uma temporada épica no último inverno no Hawaii. O Surfline cobriu não pelo fato de Carlos ser brasileiro, mas por ele ter dado uma grande contribuição ao esporte de uma forma global. O Brasil possui uma rica história no esporte. Não é uma surpresa haver tantas contribuições vindas do Brasil.
EUA, certamente, além de Austrália, Canadá, Brasil, Reino Unido. Fora dos EUA, cresce a porcentagem de usuários diários.
No ano passado chegamos a ter em um dia 225 mil usuários individuais.
O plano é tornar o site melhor, mais acessível e mais interessante para um número cada vez maior de surfistas ao redor do mundo. Nós gostaríamos de trabalhar com muitos parceiros pelo planeta, assim podemos criar novas idéias e produtos melhores em conjunto para os surfistas.
Pedaladas & Cutback
Port Elizabeth

JOGOS: 8
CRONOGRAMA:
12 de junho: Coréia do Sul × Grécia
12 de junho: Costa do Marfim × Portugal
18 de junho: Alemanha × Sérvia
21 de junho: Chile × Suíça
23 de junho: Eslovênia × Inglaterra
26 de junho: Oitavas de final
02 de julho: Quartas de final
10 de julho: Disputa pelo terceiro lugar
SURF: Port Elizabeth não é o melhor lugar para surfar, mas é possível encontrar boas ondas. Seguindo pela rodovia à beira-mar, Marine Drive, você passa pelas praias de fundo de areia mais populares, que funcionam melhor com ventos de Sul. Mais ao Sul do porto, perto do antigo píer, Humewood oferece bons tubos quando está quebrando. The Pipe, em Pollock Beach, é um pico freqüentado pela garotada. Mas o maior atrativo de Port Elizabeth é o fato de estar a apenas 75km de J-Bay. Os intervalos de três dias entre cada jogo da Copa são suficientes para você dar uma esticada até lá, encontrar hospedagem e surfa sessões insanas de seis horas seguidas em Super Tubes. É a melhor onda da África do Sul, sem dúvida, e funciona melhor com swell e ventos de Sudoeste. Uma onda boa no pico vai fazer você se sentir como o Kelly Slater, nem que seja apenas por um dia.
PERIGOS: Quando está bom, J-Bay fica muito crowd. Depois da Copa, com a etapa do ASP World Tour prevista para começar em 15 de julho, deve ficar uma loucura. Se estiver na área nessa época, seja o mais discreto possível, pois os locais podem estar meio paranóicos.
ROUPA DE BORRACHA: A água é mais quente do que na Cidade do Cabo, mas ainda assim é congelante se os ventos estiverem soprando. Um long john de 4/3mm é recomendado. Botinhas podem ajudar a caminhar sobre as pedras infestadas de mariscos.
QUIVER: Traga pranchas entre 6’0” e 7’0” que aturem a força, a velocidade e o surf de linda exigido em J-Bay.
SAFÁRI: Para viver a verdadeira experiência da vida selvagem africana, vá até o Seaview Game and Lion Park, a cerca de 25km a oeste da cidade. Lá é possível ver os leões que vivem no local e até brincar com os filhotes. Mais adiante, o Addo Elephant Park é a casa de mais de 450 elefantes, búfalos e rinocerontes negros. Você pode passar o dia ou ainda acampar para assar a noite.
CULTURA LOCAL: Para conhecer mais a fundo a cultura Xhosa e a vida nas comunidades negras, faça um tour pelo gueto e veja o outro lado da África do Sul. Confira as opções do Calabash Tours ou do Gugu’s Township Tour. Passe um tempo com os nativos e não deixe de beber uma cerveja ou duas. Além de uma boa refeição, nos bares locais, chamados de “shebeen”.

JOGOS: 8
CRONOGRAMA:
11 de junho: Uruguai × França
14 de junho: Itália × Paraguai
18 de junho: Inglaterra × Argélia
21 de junho: Portugal × Coréia do Norte
24 de junho: Camarões × Holanda
29 de junho: Oitavas de final
03 de julho: Quartas de final
06 de julho: Semifinais
SURF: Nos meses de inverno, a península do Cabo é bombardeada por ondulações muito consistentes. Mesmo se você é apenas um longboarder casual ou um ávido e habilidoso caçador de tubos, vai encontrar o que está procurando. Não deixe que o frio te desanime; quando os ventos de Norte sopram, a hipotermia é uma realidade. Vale a pena alugar um carro, uma vez que as melhores ondas ficam distantes do centro da cidade.
PICOS: No lado de False Bay, a cerca de 30km do centro, Muizenberg é indicado para iniciantes, com ondas mais cheias e várias escolas de surf ao redor. As surfshops da região são completas e oferecem tudo. Converse com os surfistas locais sobre as bancadas de coral em lugares como Kalk Bay; tubos pesados estão à sua espera. Funciona melhor com ventos do quadrante Norte. Para um surf de manobras, Long Beach, situada no pequeno vilarejo pesqueiro de Kommetjie, é muito consistente e funciona em qualquer maré, melhor com um leve vento Sudoeste. Se não houver swell, dirija até Cape Point e confira a reserva natural em que babuínos, avestruzes e antílopes correm livremente pela mata nativa. Por toda a extensão da West Coast Road, saindo da cidade e passando por Blouberg, os beach breaks produzem ondas cavadas e triângulos perfeitos quando o vento dá uma trégua.
ONDAS GRANDES: Situada no lado de fora do píer de Hout Bay, a bancada de Dungeons (que significa ‘Calabouço’) merece uma pequena apresentação. Considerada uma das mais desafiadoras ondas do mundo, é um dos picos favoritos do campeão mundial Carlos Burle e de nomes como Greg Long, além de berço de ídolos locais como Grant “Twiggy” Baker e Chris Bertish, entre outros. Mas é indicada apenas para surfistas experientes e treinados, caso contrário pode engolir vivos os desavisados. Simples mortais devem dirigir até a segurança de Chapman’s Peak e observar do alto do morro as ondas explodirem através da baía.
ROUPA DE BORRACHA: A cidade do Cabo possui águas congelantes. Leve um long john 3/4mm, gorro, botinhas e luvas para suportar o frio.
QUIVER: Traga tudo que tiver, desde sua fish até a gunzeira.
PERIGOS: A região da Cidade do Cabo é lar de uma crescente população de tubarões brancos. Um nadador foi pego por um na praia de Fish Hoek em janeiro passado. Procure surfar nas áreas dos “shark spotters”; eles ficam observando o line up com binóculos e sinalizam através de bandeiras ao menor sinal de perigo.
ATIVIDADES: Se você quer ver os ‘dentuços’ de perto, dirija cerca de duas horas até Gansbaai e agende um mergulho dentro da gaiola. Agências de esportes de aventura promovem ainda atividades como rapel, mountain bike e sandboard.
ROTA DO VINHO: Encontre a rota do vinho, em Stellenbosch, e passe o dia nas vinícolas experimentando amostras de alguns dos melhores tintos e brancos do país. Apenas certifique-se de ter um motorista sóbrio para dirigir no caminho de volta.
VIDA NOTURNA: Na Long Street, maior avenida da cidade, as boates bombam até o amanhecer. Se você procura luxo e mulheres bonitas, vá aos restaurantes e bares de Camps Bay. Próximos ao estádio, os bares em Greenpoint devem ficar cheios durante a Copa. Boates como a Chrome e a Fiction são uma boa pedida para quem gosta de drum ‘n bass e música eletrônica. Confira o The Assembly se você gosta de som ao vivo. No campo gastronômico, vale uma visita ao Mzoli’s, em Gugulethu.

JOGOS: 7
CRONOGRAMA:
13 de junho: Alemanha × Austrália
16 de junho: Espanha × Suiça
19 de junho: Holanda × Japão
22 de junho: Nigéria × Coréia do Sul
25 de junho: Portugal × Brasil
28 de junho: Oitavas de final
07 de julho: Semifinal
SURF: As águas quentes e as ondas tubulares de Durban já moldaram alguns dos melhores surfistas sul-africanos. É certamente a capital do surf nacional. É onde Shaun Tomson aprendeu a entubar antes de arrombar as portas de Pipeline e onde prodígios da nova geração como Jordy Smith aprimoraram seu moderno repertório de manobras aéreas. Localizado bem no meio da cidade, New Píer é o pico mais conhecido e quando está bombando oferece tubos largos e profundos. Entre os píers, direitas muito extensas marcham em direção à North Beach. Perto do estádio, Battery Beach pode ser uma boa pedida e segura um pouco mais o swell do que New Píer. As quedas matinais ficam ainda melhores quando um leve terral penteia a crista das ondas. Se na cidade estiver muito caótico por conta da Copa, arrume as coisas e dirija para o Norte ou para o Sul pela beira-mar para encontrar um canto entre os bananais. Com mais de 100km de costa, recheada de bancadas de coral e pedra e fundos de areia menos conhecidos, é possível pegar altas ondas sem crowd.
ROUPA DE BORRACHA: Graças à temperatura agradável da corrente das Agulhas e ao clima subtropical, a água em Durban se mantém quente durante todo o ano. A média é de 19°C no inverno e, quando o sol está presente, é possível surfar de bermuda. Mas leve seu long john 3/2mm para não passar frio nas sessões matinais. Um short john também pode ser bastante útil.
PERIGOS: Fique esperto quando estacionar em lugares mais afastados e não deixe pertences de valor dando bobeira na praia. Roubos são uma realidade por lá.
DIVERSÃO GARANTIDA: Se as ondas não aparecerem, arrisque um surf no D-Rex flowrider da Wave House, a apenas 15 minutos de carro da cidade. Com uma esquerda clorada e uma direita tubular sem fim, é um verdadeiro teste de habilidade de surf/skate/wake e snowboard. Cuidado com as quedas, elas podem ser sinistras se a máquina estiver com força total.
SKATE: A Wave House abriga também o maior skatepark do país. Foi desenhado pela lenda do esporte Tony Hawk e possui uma rampa de 4m de altura, além de um snake bowl irado.
CULTURA SURF: O Museu Time Warp Surf (na 190 Lower Marine Parade), em frente à praia, traz a história do esporte, com pranchas e toda sorte de objetos e fotos desde a década de 1930.
CIDADE EM FESTA: Os surfistas de Durban adoram festas (“jol”, na gíria local). Toda noite maneira começa no Joe Cools, ou apenas Joes, um bar/restaurante meio malcuidado, mas muito popular de North Beach, que se transforma numa boate à medida que anoitece. Uma vez que os coquetéis e “shots” fazem efeito e a pista de dança vira uma espécie de “pântano”, os festeiros de plantão migram para o Origin, em Umbilo. Alguns nem conseguem ir tão longe. O Clapham Grand bomba às terças e sextas-feiras, mas não é permitido entrar de camiseta nem de short.
Quintal de casa
O segredo está no fundo
As ondas de pointbreak começam a quebrar na ponta da baía e se refratam para dentro dela, num movimento constante a partir da costa curvada. Possuem impressionante regularidade e consistência. Normalmente, o fundo é de pedra e areia, ou apenas a costa é repleta de rochas e a baía é de areia fina. Ondas como Burleigh Heads, na Austrália, e Raglan, na Nova Zelândia são exemplos clássicos de pointbreak.
O fundo de um reefbreak é formado por corais, pedras ou outras coisas parcialmente submersas. A onda quebra subitamente e com força. Sua forma varia de acordo com a configuração, profundidade e tamanho do obstáculo encontrado. Banzai Pipeline é uma onda de recife perfeita, cujo fundo possui formato triangular. Quando este triângulo é eqüilátero e a ondulação entra de frente, a onda abre tubos perfeitos para os dois lados.
Os Beachbreaks são os tipos de fundo mais comuns no Brasil. Normalmente as praias são retas, o fundo é de areia ou cascalho e há uma leve inclinação que faz com que a onda quebre. Como o fundo de areia muda constantemente, as ondas têm formação mais irregular. As correntes de água que voltam para o mar são chamadas de canais. Maresias, no Brasil, e Puerto Escondido, no México, estão entre os melhores beachbreaks do mundo.
Aquatic Dreams
Os diretores de sucessos como "3 Degrees" e "A Day in the Life", os australianos Matt Gye e Shagda apresentam sua mais nova produção, "Aquatic Dreams". Como já era de se esperar da inseparável dupla, a edição e as imagens são excelentes, assim como o nível de surfe. O roteiro, por sua vez, deixa a desejar ─ o vídeo é, na verdade, um apanhado de três viagens diferentes: West Australia, Bali e Mentawais. Mesmo assim, vale pelas imagens e a performance dos surfistas. Destaques para Taj Burrow em West Australia e Bali, Yadin Nicol, Ry Craike, Dean Harrington, Ozzie Wright, Wade Goodall e Asher Pacey. Um vídeo que não traz nada de novo, mas se garante.
O SOM DOS VÍDEOS
Só pelas primeiras 6 músicas, já valeria o CD, se este existisse. Justice, Digitalism, Trouble Andrew, Cut Copy e Teddybears: essas músicas resumem o que é o som eletrônico e o rock dos anos 2000. Guitarras, sintetizadores distorcidos, elementos e vocais com pinceladas retrô (algo de Depeche Mode, Kraftwerk, Daft Punk). Trouble Andrew já faz um eletro-punk / punk-eletro, na porrada “Bang bang”. Cut Copy traz um baixo forte, com um vocal dark e um gancho marcante no refrão. A cereja no bolo é o Teddybears com participação do Iggy Pop, impossível o refrão: “Coz I’m a Punk Rocker, yes I am” não te adrenar. A prata da casa CSS não faz feio com “Rat is Dead”, vocal da Lovefoxx despreocupadamente sensual e riff de guitarra que gruda legal. A atriz Juliette Lewis chega junto mixada pelo MSTRKRFT, bem power! The Futureheads lembra Bloc Party, mas sem dublagem. E o Les Savy Fav não tira o pé do acelerador e vai bem acompanhado de guitarras. O melhor do filme é que não tem blá blá blá. É som sem parar. Ufa!
Ao saber que o filme era narrado por ninguém menos que Henry Rollins (vocal da lendária Black Fag e da Rollins Band) já sabia que a soundtrack não seria fraca. Grandes clássicos do rock e do blues, beirando o selvagem, assim como o protagonista do filme, Matt Archbold. Têm Social Distortion, Rolling Stones (do tempo que eles representavam perigo), The Kinks, Charlie Rich e David Bowie. Elmore James faz miséria com seu blues rock e sua guitarra sacana e a balada nó na garganta de Colin James Hay. The Avett Brothers mandam um country nervoso. Básico, cru e direto, as origens do rock e suas bases.
O filme que conta a saga Slater × Irons tem uma trilha sonora que resumidamente se divide em 3 partes:· Rock na veia → Placebo que já é recorrente em filmes e sempre cai bem. The Heartaches ─ básico, naipe rock inglês dos anos 00. Sparta que já ouvi em outros filmes e é sempre gritado e bota pilha. Destroy the Runner quase new metal.
· Baladas → Years Around the Sun, Hybrid, Air, Sea Wolf, A Blue Sun e Rogue Wave & Interpol ─ algumas com toques eletrônicos, folk ou rock.
· Eletro/rock → Unkle (com 3 sons) e Modest Mouse.
O ruim é que o filme é muito falado, dando não muito espaço para os sons.
O filme com som mais regional, bem brasileiro e disposto a arriscar, experimental mesmo, o que acabou dando muito certo. Parece muitas vezes uma Pífanos de Caruaru pra rave: Botecoeletro, Batucaje, Mombojó e Marcelinho da Lua seguem esse sabor nacional. Depois tem Marcelo D2 com um partido alto casca grossa com letra bem pra cima. Sonic Junior do Brasa manda um rock eletrônico bem astral também, bem climático. Ainda tem hardcore com Millencolin e Mxpx.
Esse trabalho também prezou pela coragem e experimentalismo, com o diferencial que a trilha na maioria foi feita especialmente para o filme.SURF NA BAVIERA
Isto não é problema. O parque é cortado por inúmeros canais e, um em especial, o "Eisbach" ou Canal de Gelo, se forma depois do inverno com o degelo das montanhas, apresentando forte correnteza.
Stephan, 25, surfista há sete anos, que costuma surfar em Portugal e na França, contou que durante o inverno, quando o canal seca, eles aproveitam para amarrar troncos no fundo para formar uma barreira artificial que dará uma forma de onda à forte corrente.
Esta barreira é trocada anualmente. O canal tem uns dez metros de largura e as margens são de pedra. Os surfistas entram na "onda" de três maneiras: sentando na margem do canal, com os pés na prancha, inclinam o corpo para frente e saem surfando; também sentados na margem, seguram a prancha e saem deitados, como num drop normal e depois levantam; ou, os mais habilidosos, pulam direto sobre a prancha saindo já na posição de pé.
A disciplina germânica é uma característica que se observa até no surf local. Formam-se filas de cada lado do canal, respeitando-se a ordem de chegada, ninguém fica mais de três minutos na onda e todos têm sua vez: locais, turistas, jovens, adultos, iniciantes, iniciados, homens e mulheres.
O "Eisbach" fica no limite norte do Parque Inglês, próximo ao centro antigo de Munique, à beira da Avenida Prinzregenten, entre a Casa de Arte ou "Haus der Kunst" e o Museu Nacional da Baviera.
Malik Joyeux ─ O taitiano feliz
Como a vida poderia ser melhor? Se esta pergunta fosse feita para o jovem taitiano de 25 anos de idade Malik Joyeux, ficaria sem resposta. Destemido, talentoso e, ao mesmo tempo, humilde, Malik não era o tipo do cara que ficava se gabando de seus feitos nas ondas, ainda que estes fossem absolutamente extraordinários. Suas performances de tow-in em Teahupoo, na companhia de seu parceiro Manoa Drollet, onde eram considerados a melhor dupla, marcaram para sempre a história do pico e conquistaram para os dois a admiração de surfistas do mundo inteiro. Em filmagens que rodaram o planeta, era possível comprovar o quanto Malik podia resistir às vacas mais cabulosas imagináveis, para depois voltar ao outside disposto a colocar sua vida em jogo novamente, como se estivesse apenas dando um passeio no parque. A impressão para quem assistia àquelas cenas é de que o diminuto surfista, de aparência frágil, especialmente diante da magnitude aterradora dos lips turbinados passando sobre sua cabeça, deveria estar sendo protegido por alguma força oculta para poder sobreviver a tanta punição nas entranhas de Teahupoo. Impressão esta que, para tristeza geral da comunidade global de surfistas, seria comprovada como falsa em 2 de dezembro surfando ondas que pareciam verdadeiras marolas comparadas às que ele estava acostumado a enfrentar no Tahiti. Naquele dia descobriu-se que Malik era um mortal como qualquer outro, sujeito a se afogar durante um caldo, que nem pareceu tão violento. Realmente o mar não passava de oito pés, mas como testemunhou seu parceiro Manoa, que se encontrava a poucos metros dele no momento do incidente, Malik não conseguiu respirar antes de ser atingido pelo lip da onda seguinte e desapareceu para ser encontrado apenas longos nove minutos depois, já sem vida. Joyeux significa feliz em francês, e nas palavras de Manoa, não poderia haver nome mais adequado para Malik. O consolo que fica é que ele viveu feliz.
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Batizando Bananas Point
Isso tudo foi lá por meados da década de 70.





