LISA ANDERSEN ─ a rainha mãe

“Quando está em forma, ela está entre os melhores surfistas lá fora” (Tom Carroll, sem distinguir sexo, no Guia da ASP, 1993).

“Ela é a primeira mulher a se tornar uma celebridade do surf e conseguir um domínio que fez os porcos chauvinistas calarem a boca e prestarem atenção” (Martha Sherrill, Outside, novembro de 1996).

A fórmula da perfeição. A atração hipnótica do sorrido tímido iluminado e olhos oceânicos profundos. O choque de uma mulher surfando com velocidade, força e linha. Provando que era possível surfar bem, como um homem. Os bottom-turns e cutbacks redondos, as batidas, cabelos loiros, olhos azuis e vigoroso spray marinho a se espalhar e se fundir em uma só surfista. Bela e fera, Lisa Andersen é a maior surfista de todos os tempos.

O enredo de novela. Cinderela das ondas, Lisa sofreu com uma família infernal e precisou fugir de casa para viver das ondas. Logo foi apontada como a melhor surfista do planeta, mas só provaria isso anos depois, quando se tornou mãe. E ela seria ainda a razão do surf feminino crescer e se tornar um negócio milionário.


O INFERNO
08/03/1969. Lisa Andersen nasce em Long Island, Nova Iorque, mas é criada nas colinas de Fork Union, Virginia. Ali já desafia os garotos: é a única guria no time de baseball masculino da cidade. Aos 13 anos, muda-se para Ormond Beach, Flórida. Encontra um refúgio (dos pais que só brigam) e companhia no skate e surf. No mar, única menina, imita o estilo dos locais e é agressiva com eles. Os rapazes a chamam de “Trouble” (Problema), mas a protegem. Em casa, seu pai e mãe são contra o surf, coisa de drogados e vagabundos para eles. Aos 15 anos, Lisa vê o pai destruir sua prancha: pisa em cima e arranca as quilhas. Um ano depois (1985), ela foge de casa deixando um bilhete: “Mãe, vou embora para ser campeã mundial de surf”. Parte não só pelas ondas. “Meus pais só brigavam e se divorciaram. Escolhi ficar com meu pai, mas ele disse que não me queria”, revelaria na Outside.


A LUTA
Lisa empenha as economias do trabalho como garçonete e atravessa o país num vôo para Los Angeles. Logo está em Huntington Beach. Sua rotina é surfar, trabalhar em restaurantes e morar com um jovem shaper, amigo da Flórida. Sofre com o assédio dele e decide ir embora. Passa a dormir onde é possível: embaixo de bancos de Newport Beach ou em casas vazias que invade de madrugada. Muda de casa toda noite: tem medo e a paranóia de ser descoberta pelo FBI.

Certa manhã, Ian Cairns, o ex-legend australiano que comandava a NSSA (Liga Escolar-amadora de Surf dos EUA), a encontra dormindo em posição fetal embaixo da mesa, no palanque de um campeonato. Lisa pede que ele a deixe correr um evento. Mesmo sem autorização dos pais ou boletim da escola, Ian cede. E cederia nos 8 meses seguintes, quando a menina domina o circuito da NSSA: ganha 35 troféus e se classifica para o Mundial Amador da Inglaterra (no ano seguinte, fica em 3°). “Foi como se ela tivesse um estilo completamente formado desde a primeira vez em que ficou de pé. Como se surfar viesse naturalmente para ela como a dança para Baryshikov. Ela é surpreendentemente exata. Você não vê braços, joelhos e cotovelos voando. Nada está fora do lugar” (Nick Carroll, na Surfing).

Lisa fica um ano enviando recortes de jornais com seus resultados para a mãe, sem revelar onde vivia.


PROTEÇÃO
A coragem e talento de Lisa a fazem ser respeitada e adotada pelos surfistas mais velhos. Mais que adotá-la, o californiano Dave Parmenter ─ ex-pró famoso pelo estilo belo e veloz ─ se transforma no homem mais importante de sua vida. De 1987 a 1991, Dave é o mentor, shaper, companheiro de surf, motorista, treinador e amante que ajuda muito a refinar o surf de Lisa. Mas eles brigam demais e acabam se separando.

Sem Dave, Lisa apóia-se na amizade de outros surfistas do Tour, em especial o ex-bicampeão, o australiano Tom Carroll. “Ele sempre estava lá pra mim, no surf e fora da água. Me respeitava, não me tratava como mais uma das garotas”, afirma na Surfing.

1987. Todos apontam Lisa como a futura campeã mundial. Em seu ano de estréia, termina como 12a do Tour mundial e como rookie of the year. Mas ela pecaria anos por falta de foco no circuito todo. Termina o Tour de 1988 em 10o lugar, 7o em 89, 4o em 1990, 7o em 1991, ano em que fecha com a Quiksilver, e 4o em 92.


A FORÇA DA MATERNIDADE

Julho de 1992. Após rabear o juiz brasileiro Renato Hickel, em Jeffrey’s Bay, iniciam um romance secreto. Descobertos, Lisa fica magoada por acusarem-na de dormir com ele para ganhar boas notas. Hickel deixa o surf feminino por causa disso. No final do ano, fica grávida. Casam-se em março de 1993 e Erica nasce em 1o de agosto.

1994. Antes dispersa e frágil emocionalmente nos campeonatos, Erica transforma Lisa. Nesse ano ela vence três eventos (Ilhas Reunião, US Open, Biarritz), domina a temporada, mas treinando em Florianópolis, suas costas arrebentam completamente: duas hérnias de disco. Desiste do campeonato seguinte, no Hawaii e aposta tudo no último, na Austrália. Em terra aussie, precisa vencer uma bateria para não perder o título para Pauline Menczer. Suporta as dores e consegue bater a local Yvonne Rogencamp. Lisa vencia seu dramático primeiro título mundial, graças, segundo ela, à sua filha. “Erica me distraiu de todas as minhas distrações. Agora eu tenho uma vida. E isso torna a vida mais fácil”.

1995. Ela vence de novo três campeonatos e fatura o bi. Em 1996, o casamento com Hickel termina (“ela perdeu todo o interesse por mim desde que Erica nasceu”) e faz uma histórica capa na Surfer (primeira de uma mulher em 15 anos), com uma legenda corajosa e verdadeira endereçada a muitos surfistas machos: “Lisa Andersen surfs better than you”. Lisa é tricampeã em 96 e traz um tetra arrasador (5 vitórias) no ano seguinte.

Os anos de domínio de Lisa Andersen significaram a explosão de novas meninas na água e do mercado da surfwear delas. Garota propaganda da Roxy (linha girl da Quiksilver), Lisa ajudou a desenhar um board short para as meninas que virou febre, e monopolizou os vídeos e anúncios nas revistas. “Lisa Andersen exemplificou uma nova espécie de modelos femininos que surfam como homens, mas que aparentam, em cada pedacinho, uma mulher. Embora não exista nada de feminista na sua filosofia pessoal, Lisa se tornou a rainha para a geração de meninas que a seguiram” (Surfer, agosto de 2005.)

O sucesso, porém, não mudou seu jeito distante e fechado; uma enigmática superstar avessa à fama e badalação da mídia.

A partir de 1998, ela se afasta do Tour por novos problemas nas costas e para ter um filho em 2001, Mason (com o paisagista neozelandês, Paul Osbaldiston, de quem se separaria depois). Ensaia retornos em 2000 e 2002, mas deixa mesmo o circuito.

A australiana Layne Beachley a sucede, com um incrível hexacampeonato mundial. Todavia, Layne jamais consegue superar o carisma e inspiração de Lisa, a rainha que teve a coragem e determinação de dar o grande salto na carreira num momento que significa o fim para a maioria: ser mãe.

Mãe, musa e mito que mantém o mesmo sorriso e luz de menina que fugiu de casa para viver das ondas.



• Lisa casou-se pela terceira vez, segue nas ondas com seu surf camp para meninas, como embaixadora da Roxy e teve sua biografia, “Fearlessness” escrita por Nick Carroll.

RIO BREAKS

Este filme foi resultado de um daqueles raros acidentes históricos ─ e de muita ralação. Eu não conhecia o diretor, que não conhecia os produtores, que não conheciam o redator ─ e que não havia grana nem pra comprar a câmera mais ralé do mercado. Mas, após mais de dois anos de e-mails e telefonemas, quando nos demos conta, estávamos todos no Rio de Janeiro preste a começar a rodar um filme que, de certa forma, mudou a vida de todos os envolvidos no projeto.

Em 2002, quando era editor na revista Surfing, fui ao Brasil cobrir o WCT, que naquele ano foi em Saquarema. Além de escrever sobre o campeonato, acabei fazendo uma matéria com o Favela Surf Clube. Subi o morro do Cantagalo, conversei com os professores, acompanhei o concerto de pranchas e as aulas de surf pros moleques do morro lá no Arpoador.

A matéria saiu na Surfing em 2003 e, em julho do mesmo ano, na revista Surfer’s Path. O diretor de cinema Justin Mitchell, surfista, mas cuja especialidade é documentário de música e vídeo clips, acabou comprando (segundo ele, meio que sem querer) aquela edição da Surfer’s Path. No mesmo dia ele me telefonou: “Cara, quero fazer um filme sobre o Favela Surf Clube. Quer me ajudar?” Por alguma razão, e apesar de não saber nem ligar uma câmera, topei na hora.

Após dois anos pesquisando e buscando recursos, finalmente, em 2005, começamos a rodar. Decidimos que faríamos um filme baseado na estética de Endless Summer, mas dentro de um contexto radicalmente diferente das praias paradisíacas de Bruce Brown. Aliamos a esse princípio a necessidade de uma narrativa contundente, mas sem caminho ou direção específicos. Ou seja, a idéia era passar o tempo na praia e no morro, e mostrar a vida exatamente como ela é. A versão final trata do cotidiano de dois grandes amigos, Fábio e Naamã, de 13 anos.

Tanto na praia como no morro, eles estão sempre juntos. Naamã tem uma família estruturada (pai, mãe, irmãs), enquanto Fábio perdeu o pai para o tráfico. O objetivo de ambos é ser um grande surfista e, de repente, sair do morro algum dia. Sob a tutela de Rogério, instrutor do Favela Surf Clube, os dois vão tentar a sorte no esporte. Será que vai dar?

Além do surf, Rio Breaks mostra a comunidade como um local onde a vida simplesmente acontece. Assim como na casa confortável de bairro classe média, lá também come-se, bebe-se, joga-se videogame, sonha-se com um futuro melhor. Crianças brincam. Parece uma coisa meio banal e óbvia, mas acho que não é.

De um modo geral, dá pra dizer que tiroteios e o tráfico formam a narrativa quase única sobre a vida no morro, um espaço dominado pelo estigma e pela violência. O discurso do “nós” versus o “outro” é rigorosamente predominante. Mas nossa experiência foi diferente disso. Descobrimos que existem narrativas paralelas e alternativas ao discurso tipicamente usado pela mídia. A história do Favela Surf Clube mostra exatamente isso.

Rogério e os demais instrutores são verdadeiros heróis, capazes de mudar a vida dos moleques do morro. E, como disse no início, mudaram a nossa também. Sabemos, por exemplo, que fazer filme no morro é dificílimo. Mas também sabemos que a vida no Cantagalo, dependendo do dia e, se tiver onda, pode ser muito mais Endless Summer do que Tropa de Elite.

Essa humanidade que nos conecta, esse desejo de pegar onda é, talvez, o maior trunfo do filme, que foi lançado pela Pródigo durante o Festival do Rio, no início de outubro, e depois veiculado no Sundance Channel nos Estados Unidos. Espero que você goste.

SURFANDO NA WEB


Que tal pegar as melhores ondas em cada continente do planeta, em um mesmo dia? Até dá para fazê-lo em apenas uma session, mas só se for surfando pela internet. O Youriding, jogo de internet que já viciou uma boa parcela de surfistas e internautas pelo mundo, pode levar horas embora em tempos de flat, esperas no aeroporto ou tardes monótonas no escritório. Isso porque, com gráficos simples, consegue recriar características das mais variadas ondas no mundo inteiro. Agora, não se esqueça de minimizar a janela do navegador quando seu chefe passar por perto ─ mesmo se isso significar morrer dentro do tubo do dia ou perder a final de um campeonato online.

O jogo não é novidade para muita gente ─ foi lançado em 2007 pelos franceses Mike Jégat e Tom Casamayou. As atualizações anuais, porém, mantiveram movimento no site e quem já era viciado, ficou mais ainda. Principalmente após a recente atualização que incluiu mais duas modalidades esportivas ─ além de poder pegar ondas com pranchas de surf e bodyboard, o internauta agora tem a possibilidade de escolher entre diversas montanhas famosas para descer de snowboard ou ski.

Água congelada à parte, no surf foram incluídos diferentes modos de jogo. Há a opção de apenas fazer um freesurf em um dos 25 picos mais famosos do mundo. Para os mais competitivos, existe o Contest Mode, onde os próprios jogadores criam e disputam campeonatos customizados. Já quem quer uma aventura e deseja conhecer todas as ondas do jogo pode se arriscar no Journey Mode. Acesse o site e descubra jogando. Mas lembre-se de largar o computador quando as ondas de verdade estiverem rolando.

ASSEGURADO


Para encontrar as ondas mais perfeitas, surfistas muitas vezes têm que se aventurar aos lugares mais exóticos do planeta. Quando uma prancha é perdida ─ ou, dependendo do lugar, roubada ─ não há muito para se fazer a respeito, a não ser lamentar. Ou, da próxima vez, ter um Surfboard Tracker instalado no seu foguete. Ele não precisa de energia alguma, é resistente à água e calor, fica alojado embaixo do glass e é do tamanho de uma ponta de grafite. Ao comprar uma prancha nova, é só registrá-la no site, com informações como shaper, medidas e o respectivo dono ─ a partir de um número fornecido no chip ─ e instalá-lo. Mas isso não é tudo: por um valor entre 30 e 50 reais anuais (de acordo com o tipo de prancha), aproximadamente, a SBT fornece um seguro para sua prancha. Se ela for perdida ou roubada, mediante apresentação do boletim de ocorrência, a empresa lidará com o shaper para que ele possa reproduzí-la. Vale mencionar que o serviço é oferecido no mundo inteiro.

O RETORNO DO GUERREIRO

DEPOIS DE QUASE 20 ANOS AFASTADO DO ESPORTE DEVIDO AO ACIDENTE QUE O DEIXOU TETRAPLÉGICO, OCTAVIANO “TAIU” BUENO VOLTA A DESCER UMA ONDA.

A cena poderia ser parte de um roteiro hollywoodiano, de tão emocionante. Taiu Bueno, um dos maiores ídolos do surf brasileiro, parecia uma criança no parque de diversões enquanto aguardava seus amigos finalizarem os preparativos para seu retorno ao mar e o surf. A concretização desse sonho se deu graças ao empenho de várias pessoas e à confecção de uma prancha pelo shaper Neco Carbone especialmente para ele, com uma cadeira adaptada sobre uma stand up paddle board. Depois de muita expectativa, na manhã do dia 13 de julho, Taiu finalmente retomou seu contato com o oceano, na praia das Astúrias. Devidamente equipado e imobilizado, ele apenas curtia a sensação de deslizar sobre as águas, enquanto o amigo Jorge Pacelli utilizava um remo para entrar nas ondas e voltar ao outside. Ao redor, vibrando a cada onda, estava Alemão de Maresias, Rodrigo Koxa, Jojó de Olivença, entre muitos outros nomes do esporte. “Minha vida mudou depois disso. Agradeço a Deus por me dar essa oportunidade. É uma alegria indescritível”, declarou Taiu, já pensando nas próximas: “Agora que chegamos ao modelo ideal, quero praticar mais vezes. É uma nova fase da minha vida e só tenho a agradecer”, completa. O episódio faz parte do curta Aloha, lançado no começo de agosto com a proposta de incentivar outros deficientes a buscar a superação através do esporte.

Além de Taiu, participam do filme Robson Careca, Henrique Saraiva e Valdemir Pereira, além dos surfistas profissionais Jojó de Olivença e Jair de Oliveira.

Billabong Pro Jeffrey's Bay 2010

JORDY SMITH CONQUISTA A PRIMEIRA VITÓRIA NO WORLD TOUR AO DERROTAR O AUSTRALIANO ADAM MELLING NA FINAL DO BILLABONG PRO JEFFREY’S BAY 2010, DISPUTADO NA ÁFRICA DO SUL. SMITH DEFENDE A LIDERANÇA DO RANKING NA PRÓXIMA ETAPA, NO FIM DE AGOSTO NO TAHITI, COM TAJ BURROW E KELLY SLATER NA COLA.

Se no futebol a seleção sul-africana não conseguiu deixar o troféu de campeã em casa, no surf a história foi diferente. Depois de Jadson André vencer na praia da Vila em seu ano de estréia no Tour, finalmente chegou a vez da promessa sul-africana Jordy Smith faturar sua primeira vitória, também no quintal de casa, na terceira temporada dele na elite. Uma semana antes, Jordy vencera a tradicional etapa do WQS em Durban. O feito em J-Bay, que marcou o retorno de um sul-africano ao topo do pódio no WT, incendiou a torcida local e confirmou a ascensão da nova geração no Circuito Mundial. Smith está na liderança do ranking principal na corrida pelo título mundial, com os veteranos Taj Burrow, em segundo, Kelly Slater, em terceiro, Dane Reynolds, em quarto, e o brasileiro Adriano de Souza na quinta colocação.

A próxima etapa, de 23 de agosto a 3 de setembro no Tahiti, irá colocar a prova a força dos novos talentos contra a experiência de Slater, Parko, Burrow, Fanning e outros tuberiders consagrados nos poderosos tubos de Teahupoo.

A prova africana é uma das mais badaladas do Tour e este ano, o primeiro dia de competição justificou a boa fama de J-Bay. Expressos de 6 pés, com sol e vento terral, presentearam atletas e público com pistas perfeitas para manobras arrojadas e tubos de tirar o fôlego, como o surfado por Jay Thompson na repescagem que valeu a única nota 10 do evento depois o swell perdeu força e os organizadores decidiram acelerar o cronograma para aproveitar as condições, já que a previsão não era animadora.

A campanha de Jordy Smith foi impecável do começo ao fim e confirmou o favoritismo do local nas direitas de Jeffrey’s. Venceu na estréia sem sustos e passou tranqüilamente por Nate Yeomans na terceira fase. Depois eliminou o estreante Owen Wright nas oitavas numa bela disputa, com notas 8.60 e 9.27. Nas quartas de final, Jordy não teve trabalho para despachar Mineirinho, que vinha de boas apresentações, mas não conseguiu superar o conhecimento do pico do adversário.

A semifinal, contra Bede Durbidge, foi o momento decisivo: o australiano liderou a disputa até o fim e só nos últimos quatro minutos Jordy conseguiu sair de uma combinação de notas para virar o resultado a seu favor. A virada deu a confiança que ele precisava para atropelar o aussie Adam Melling na final. Nas duas primeiras ondas que surfou, Smith somou notas sólidas (8.90 e 9.03) para ficar com o troféu de campeão.

“É o melhor dia da minha vida. O apoio da imensa torcida na praia e o som das vuvuzelas só me deram mais motivação para buscar a vitória em casa. Parece que eles estavam me empurrando nas ondas e eu não poderia decepcionar essas pessoas”, disse Jordy, 22 anos, muito emocionado. “O swell estava morrendo e eu tinha de tirar proveito de cada onda que viesse. O Adam é um surfista perigoso e se pegasse as ondas poderia reverter o placar, então eu tinha que abrir bem a bateria para controlar a vantagem até o fim”. Sobre a inédita liderança no ranking, ele foi cauteloso: “É um sentimento diferente. Perseguir a liderança é uma coisa, e defender é outra, bem diferente. Temos um longo ano pela frente até o encerramento da temporada”, concluiu Smith, que faturou US$ 50 mil de prêmio e somou 10 mil pontos no ranking.

Para chegar à final, Jordy contou com a ajuda do conterrâneo Sean Holmes, convidado em muitas etapas de J-Bay e eterno carrasco dos Tops. Este ano, ele tirou da prova nomes como Jadson, Kelly Slater e Andy Irons.

O resultado da etapa em Jeffrey’s Bay se alinhou com o desfecho da Copa do Mundo na África: assim como a seleção da Espanha, Jordy Smith ainda não tinha um título, colecionava algumas derrotas inesperadas e vinha sendo incluído na lista de favoritos pelas performances modernas. A única diferença é que a “Fúria” espanhola não competiu em casa, mas em J-Bay deu Bafana-Bafana na cabeça.

A BUSCA ENCONTRA PORTO RICO


Durante a transmissão online da etapa de Bells Beach no WT, em abril, a Rip Curl deixou “vazar” a informação de que o Pro Search deste ano rolará em Porto Rico. Aproximadamente um mês depois, a noticia se tornou oficial ─ entre os dias 30 de outubro e 10 de novembro, a ilha caribenha sediará o único evento móvel (cada ano em um pico) do Tour.

Desde que foi criado, em 2005, o Pro Search já esteve nas Ilhas Reunião, México, Chile, Bali e Portugal. E se os organizadores tinham dúvidas sobre a localização do próximo campeonato, o último inverno do Hemisfério Norte deve ter acabado com elas. O Caribe pode ser muito imprevisível em termos de ondas, mas ondulações constantes atingiram a ilha durante a maior parte da estação, deixando a região em evidência. “Agora ficou claro que tem ondas incríveis lá”, comentou a tricampeã mundial Steph Gilmore. “Água transparente, sol, biquínis, palmeiras, lindas praias, é exatamente onde o Rip Curl Pro Search deve ser”, continuou.

Apesar de receber algumas bombas durante a temporada de ciclones do Atlântico Norte, de julho a novembro, é no final do outono e no inverno ─ justamente a data da competição ─ que La Isla del Encanto, como é chamada, brilha. Os swells vindos da costa leste dos Estados Unidos quebram sobre diversas praias, bancadas de coral raso e lajes ao longo da ilha. O que não falta é opção para a etapa do WT. “Há ondas incríveis por tudo”, afirmou o diretor de marketing da Ripo Curl, Dylan Slater. “Afinal de contas, o objetivo é colocar os melhores surfistas do mundo nas melhores ondas do mundo”.

Já o outro Slater, careca eneacampeão mundial, brincou que a escolha é uma estratégia para mantê-lo competindo: “Porto Rico é o máximo, não poderia imaginar ter um evento no meu quintal e não estar lá. Tenho ótimas lembranças do lugar, surfei vários campeonatos lá quando era mais jovem e todas as primeiras vitórias que tive internacionalmente foram lá. Estou ansioso para chegar”.

Neste ano, o Rip Curl Pro Search promete. Não só por ser em um local diferente, com altas ondas e muita cultura, mas também por tratar-se da penúltima etapa do Tour em 2010. Quem sabe já na ilha caribenha não veremos um campeão mundial?

FUTURO: ONDAS CADA VEZ MAIORES


O mar não é mais o mesmo.

É o que aponta um recente estudo da Oregon State University, nos EUA. A pesquisa afirma que as ondas no Oceano Pacífico vêm aumentando a cada ano ─ algo que poderia não só ofuscar os efeitos da tão temida subida do nível do mar, como também nos deixar alguns passos mais próximos da esperada onda de 100 pés.

Para se ter uma idéia, em 1996, as maiores ondas medidas na costa do Oregon, nos Estados Unidos, tinham cerca de 33 pés. Hoje em dia, entretanto, as maiores ondas podem chegar aos 46 pés durante os meses de dezembro e janeiro. As duas principais bóias usadas na pesquisa foram posicionadas na costa do Oregon há quase trinta anos. Elas mediram um aumento de até 10cm por ano nos swells gerados pelas tempestades do Oceano Pacífico.

Os motivos desse aumento ainda são desconhecidos pelos cientistas. Alguns apontam as mudanças climáticas como principal causa. Mas, como afirma um trecho do estudo, “(...) ainda é incerto se [os aumentos] são produto do aquecimento por efeito estuda induzido pelos homens, ou se representam variações relacionadas a ciclos climáticos naturais”.

Além disso, aponta o estudo, o impacto do aumento das ondas pode causar danos até três vezes maiores do aqueles causados pela subida do nível do mar ─ uma das “grandes catástrofes” previstas pelos ambientalistas. O fenômeno é, em parte, responsável por altos índices de erosão, inundação e danos registrados nas áreas costeiras.

Peter Ruggiero, professor no OSU Department of Geosciences, afirmou que, no começo dos anos 90, a maior onda de um inverno normal chegaria a 25 pés. No caso de uma “tempestade do século”, poderia atingir 33 pés. O El Niño de 96/97, no entanto, trouxe ondas ainda maiores diversas vezes durante o ano. Atualmente, os pesquisadores acreditam que a tal “onda de 100 anos” poderia exceder os 55 pés.

“E nós, brasileiros, o que temos com isso?” pode questionar o leitor mais crítico. O estudo tem mais a ver com você, surfista tupiniquim, do que está pensando. Ele indica que mudanças parecidas estão ocorrendo no Atlântico em outras diferentes costas do mundo.

O cientista atmosférico Sultan Hameed crê que estudar a velocidade dos ventos pode dar alcance internacional ao estudo feito na OSU. “Dados sobre o vento estão disponíveis para áreas muito maiores. Se você achar coerência entre as mudanças na velocidade e direção dos ventos e tamanho das ondas, poderá estender a análise a outras regiões”. Regiões como o Brasil.

Há 21 anos eu nascia. Desde então, muita coisa mudou no surf ─ inclusive o tamanho das ondas geradas em nossos oceanos. Se está tendência permanecer, o que veremos no meu aniversário de 42 anos? A onda de 100 pés pode finalmente chegar ─ e por que não no Brasil?

24 perguntas para... John John Florence

Desde que John John Florence se tornou o mais jovem atleta a disputar a Tríplice Coroa Havaiana, em 2005, na época com 13 anos, temos a impressão que até hoje ele continua o mesmo garoto branquelo e franzino. Apontado por Kelly Slater e Shane Dorian como uma das promessas do esporte, esse tímido havaiano, atualmente com 17 anos, cresceu na mesma proporção que suas habilidades sobre a prancha. Nascido e criado nas areias de Pipeline, que se fundem com o quintal de sua residência, ele passa boa parte do tempo observando as ondas num mirante construído especialmente pra isso. Neste papo, o prodígio fala sobre sua “vida perfeita”, as comparações com Jamie O’Brien, a vontade de conhecer o Brasil e o objetivo de ser um Top do World Tour.




01. NO BRASIL AS PESSOAS PENSAM QUE VOCÊ AINDA É AQUELE TALENTOSO GAROTINHO DE 13 ANOS QUE CHOCOU O MUNDO AO DISPUTAR A TRÍPLICE COROA...
Estou com 17 anos e realmente todo mundo pensa que tenho menos. No último Pipe Masters as pessoas ainda pensavam assim, mas esquecem que a gente cresce e que mudei. Não sou mais criança.

02. COMO FOI SUA INFÂNCIA, SENDO FILHO DE UMA LONGBOARDER PROFISSIONAL?
Pelo fato de a minha mãe ser surfista, meu contato com o mar começou cedo, aos 3 anos. Minha infância foi dentro d’água, e por isso continuo vivendo da mesma forma. Minha mãe sempre foi tudo pra mim e meus irmãos, a maior incentivadora da minha carreira. Nunca me vi sem o surf, faz parte da minha vida.

03. SEU ALTO NÍVEL TÉCNICO É CONSEQÜÊNCIA DISSO?
Na verdade, a quantidade de patrocinadores fez com que eu tivesse mais responsabilidade, que buscasse treinar sempre mais e levasse a minha profissão mais a sério. Adoro viajar e competir, então essa pressão é ótima para mim, pois é assim que vou conseguir chegar a meus objetivos, por meus próprios méritos.

04. ONDE VOCÊ SURFOU PELA PRIMEIRA VEZ?
Minha estréia foi em Rocky Point. Mas hoje é quase impossível alguém me ver surfando lá. Se Pipe estiver ruim, vou pra V-Land, Ehukai, ou outros picos. Rocky é muito crowd, não rola mais.

05. E SEUS IRMÃOS MAIS NOVOS, VOCÊS COSTUMAM SURFAR JUNTOS?
Nathan, de 15 anos, e Ivan, de 13 anos, surfam todos os dias. Ivan é especialista em tubo. Eu tento dar dicas, mas eles não me escutam muito. Eles não se importam, só querem se divertir. Mesmo querendo ser profissionais, não me escutam! A gente tenta superar nossos limites sempre. Todos em Pipeline, claro, a maior parte do tempo.

06. VOCÊ SURFOU EXCELENTES TUBOS DURANTE O ÚLTIMO PIPE MASTERS. JÁ SE SENTE PRONTO PARA SER UM MASTER EM PIPE / BACKDOOR?
Estou ansioso e super animado para o próximo Pipe Masters. No ano passado, fiquei a duas rodadas de chegar à final, portanto me sinto preparado para ser campeão, sim. É muito bom estar na Tríplice Coroa, no quintal de casa. Ao mesmo tempo, eu fico muito nervoso, não quero perder no meu pico. Mas botei na cabeça que deveria ir por diversão, esquecer de tudo e fazer o meu melhor, só isso. Eu estava na água com gente muito boa e ficava pensando: “Não posso cair, não posso cair...”

07. QUAL A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA PRA VOCÊ DURANTE AS COMPETIÇÕES?
Sem dúvida é muito importante. São eles que me trazem água durante a bateria e checam se estou bem para competir. Eles são meu suporte e por isso tenho que “fazer bonito” frente a eles. Eu não me imagino fazendo outra coisa na vida. Minha mãe sabe disso e sabe que eu me dedico. Por isso, se eu viver do surf, está ótimo pra ela.

08. QUE OUTROS ESPORTES VOCÊ PRATICA?
Skate e snowboard. Acho que os dois têm muito a ver com o surf. Os movimentos são parecidos, não deixa de ser um treino para surfar melhor. Este é o futuro, estamos fazendo um pouco de tudo agora. (Em 2009, J.J. Florence terminou em 16º lugar no Ultimate Boarder Championships, prova que reúne vários atletas de destaque em esportes de ação com pranchas competindo entre si em modalidades como surf, skate e snowboard. Ele ficou em segundo no surf e foi 13º no skate, mas o 45º lugar na neve não deixou que figurasse entre os Top 5 do evento).

09. VOCÊ PRETENDE DISPUTAR O ASP WORLD TOUR OU A VIDA NO NORTH SHORE É BOA DEMAIS PARA FICAR LONGE QUASE UM ANO?
Quero correr o WQS e me qualificar para o World Tour. Quero treinar muito e me divertir muito também. Quanto a ficar fora por quase um ano, acho normal. Chega um momento que fico enjoado da ilha, após o inverno nada acontece. Preciso viajar, já fico louco pra isso acontecer. O bom é que a viagem tem sempre ida e volta, estão está tranqüilo!

10. COMO É SUA ROTINA?
Acordo e vou chegar o mar. Se estiver ruim, adianto meus deveres na escola, mas se estiver bom, dou uma caída. Meu dia se resume em comer e surfar (risos).


11. COMO VOCÊ CONCILIA SUA AGENDA DE VIAGENS COM OS ESTUDOS?
Fui obrigado a optar pelo estudo a distância. Não gosto desse método, preferia ir pra escola. A gente sempre empurra com a barriga dentro de casa e não se dedica tanto. Também sinto falta de amigos de escola, trocar idéias, fazer trabalhos em grupo. Quando estou em casa para estudar, acabo indo pro Facebook. Só tive que optar elo método de estudo a distância para administrar melhor meu tempo.

12. DESDE PEQUENO VOCÊ TEM SIDO APONTADO POR NOMES COMO SHANE DORIAN E KELLY SLATER COMO UM SURFISTA PROMISSOR. COMO LIDA COM ISSO?
Vou pra água me divertir e não penso nesse tipo de pressão ou de expectativa. As ondas no Hawaii são perigosas. Já fico nervoso com isso, imagina se eu fosse me preocupar com opiniões. Preciso focar no meu surf e ponto. Tento não escutar as especulações sobre mim, senão ficaria louco.

13. VOCÊ SE VE COMO SUCESSOR DO JAMIE O’BRIEN, COMO MUITAS PESSOAS DIZEM?
Acho que sim. Ele inclusive morou na casa que estou morando agora. Temos o mesmo quintal, surfamos Pipe juntos todos os dias. Ele conhece muito bem a onda, com eu conheço. Por isso, talvez sejamos parecidos no surf. Acho o Jamie um excelente profissional.

14. KIRON JABOUR É UM DOS SEUS MELHORES AMIGOS. VOCÊ JÁ ESTEVE NO BRASIL?
Nunca. Talvez eu vá neste ano para correr o WQS. Estou muito animado pra essa viagem.

15. PELAS ONDAS OU PELAS MULHERES BONITAS?
Com certeza pelas mulheres bonitas e boas festas. Festas a noite toda! Aqui no Hawaii as festas geralmente acabam por volta das 2h da manhã. Não posso ir a boates ainda, pois nos EUA só entram maiores de 21 anos. No North Shore tem altas festas no inverno, são as melhores. Encontro gente do mundo inteiro e me divirto com meus amigos.

16. VOCÊ FREQÜENTA A INDONÉSIA DESDE PEQUENO. QUAL É SUA RELAÇÃO COM O LUGAR?
Já estive lá oito vezes. No verão fico por dois meses. O pessoal lá é muito bacana e as ondas são muito perfeitas. É o melhor lugar do mundo.

17. MELHOR DO QUE O HAWAII?
Opa! Não, depois do Hawaii (risos). Pra mim, aqui é melhor, nasci aqui e amo esse lugar. Não me imagino morando em outro lugar. Pipe é uma das melhores ondas do mundo e eu estou todos os dias aqui. Isso é uma grande vantagem, mas ficar só no Hawaii não dá. Tenho que conhecer e saber surfar todo tipo de onda, para não ter surpresas em campeonatos. A maioria dos campeonatos acontece em ondas como as do Brasil, por exemplo.

18. QUE PAÍSES VOCÊ JÁ VISITOU?
Estive na Europa cinco vezes, passei por Portugal, Inglaterra, França, Espanha e Escócia. África do Sul, três vezes. Austrália e Indonésia, muitas vezes. Não fui para América do Sul ainda.

19. QUAL FOI A ONDA MAIS PERFEITA QUE JÁ SURFOU?
Em primeiro lugar, Pipeline. Depois eu diria que foi nas Mentawai. Nossa, perfeição pura!

20. PROVAVELMENTE VOCÊ GANHA MAIS DINHEIRO E TEM MAIS FAMA DO QUE SEUS AMIGOS DA MESMA FAIXA ETÁRIA. SUA VIDA É PERFEITA?
A minha vida é perfeita sim, pois ganho dinheiro fazendo o que amo. Viver na praia que mais gosto e surfar todos os dias da minha vida significam ter uma vida perfeita.

21. QUEM SÃO SEUS AMIGOS PROFISSIONAIS MAIS PRÓXIMOS?
Kelly Slater e Jamie O’Brien. São amigos que tenho contato, costumo ligar de vez em quando.

22. QUEM SÃO SEUS PATROCINADORES E COMO VOCÊ LIDA COM ELES?
O’Neill, Vans, Pyzel, Jack’s Surf Shop, Sector 9, Freestyle e Spy. Na verdade, nem falo com eles. Minha mãe trata dessa parte. Minha preocupação é somente surfar bem. Eles contam com isso, e minha “vida perfeita” também depende deles.

23. SENDO UMA PESSOA TÍMIDA, COMO LIDA COM A MÍDIA O TEMPO TODO ATRÁS DE VOCÊ?
Meu único problema é que marco as entrevistas e costumo esquecer. As pessoas ficam bem chateadas, mas meu foco está no surf e se tiver um mar clássico não lembro de mais nada. Mas dou entrevista na boa, sou tranqüilo quanto a isso. Sei que faz parte do meu trabalho.

24. O QUE AS PESSOAS PODEM ESPERAR DE JOHN JOHN FLORENCE NO FUTURO?
Pretendo estar entre os Tops do World Tour, esse é o meu objetivo. E também devo estar formado no colégio. Quero me livrar disso logo! (risos)

JIMI HENDRIX ─ VALLEYS OF NEPTUNE

Exatamente no ano em que se completam 40 anos da morte de Hendrix, eis que surge uma justa homenagem ─ uma coleção preciosa de músicas do mestre das guitarras, gravadas em seu estúdio entre fevereiro e maio de 69. São 12 músicas, a maioria inédita, algumas conhecidas, mas com outros arranjos como “Fire”, “Red House”, “Stone Free” e covers de Elmore James em “Bleeding Heart” e do Cream em “Sunshine Of Your Love” (quase sete minutos de viagem instrumental). Entre as melodias raras, estão “Lullaby for the Summer”, “Crying Blue Rain”, “Ships Passing Through the Night” e a música que batiza o disco, “Valleys of Neptune”.


O álbum apresenta uma das melhores fases de Hendrix ─ pós “Eletric Ladyland” (obra-prima dele em 1968) ─ psicodélico, guitarras em profusão dialogando de forma afiada e surpreendente com baixo (Billy Cox) e bateria (Mitch Mitchell), soando sempre atual e mágico, distante da realidade de nós, meros mortais. O disco foi mixado por Eddie Kramer, o engenheiro de som de todos os trabalhos de Jimi. Este também teve uma ótima produção, já que o próprio artista dominava também os processos de gravação, pois tinha um estúdio em casa, onde a maioria dessas músicas foi gravada. Dá pra notar como ele se sentia totalmente à vontade para pirar com sua guitarra. A capa de Valleys of Neptune também veio da mente criativa de JH e tem como base uma pintura feita pelo guitarrista na década de 1950, mesclada a uma foto sua.

Valleys of Neptune é o primeiro item do catálogo audiovisual da instituição da irmã de Hendrix ─ Experience Hendrix LLC ─ que promete lançar mais material este ano, inclusive a história do guitarrista norte-americano será tema de filmes. Um deles é “Slide”, uma versão ficcional sobre o “final de semana perdido” de Hendrix ─ alvo de um seqüestro orquestrado por Mike Jeffery, seu empresário.

Longe de ser um daqueles caça níqueis de datas comemorativas de artistas que passaram desta para uma melhor, esse disco é uma grata surpresa, é recomendadíssimo.


AUTHORITY ZERO — HISTÓRIAS DE SOBREVIVÊNCIA


Seguindo o preceito de não querer ser autoridade em nada, apenas caras simples fazendo som por diversão, os “autoridade zero” se juntaram descompromissadamente em 94 numa universidade de Mesa, Arizona, para fazer um som que não se prendesse a estilos, gêneros e modas. Apenas moldado na idéia de prestar homenagem aos seus mentores musicais do punk rock, hardcore, ska e reggae, necessariamente nessa ordem, uma mistura da velha e da nova skate surf punk com pitadas de música irlandesa e latina.

O mais importante é que tocam o que lhes parece melhor no momento e os deixam felizes, a receita ideal para fazer um som honesto, livre e diferenciado. No meio de tantas bandas pré-fabricadas e pasteurizadas, existe um celeiro de grupos com personalidade autêntica, que começam tocando em churrascos, festas, pequenos clubes, bares e festivais nos EUA.

O Authority Zero trilhou esse caminho sem ambição, não se importando em quebrar barreiras musicais, mesclando gêneros, como um Rage Against the Machine do punk com elementos fortíssimos de surf music, mal comparando — uma mescla de Pennywise com Sublime com temperos de ska punk de bandas como The Suicide Machines, Slighty Stoopid ou Operation Ivy. Enfim, um som que você não sabe onde procurar numa loja de discos (isso ainda existe?).

Seu primeiro EP saiu em 2002, intitulado “Passage in Time”, atraiu a atenção das rádios universitárias e foram convidados para abrir shows de Sum 41, NOFX, No Use for a Name, H2O e Alkaline Trio, Strung Out e Pennywise tocando no principal festival do mundo de bandas de hardcore-punk, o Warped Tour, e participando de coletâneas icônicas do planeta punk rock, o pioneiro Punk-O-Rama. A turnê de dois anos fez a fama da banda com apresentações explosivas e empolgantes. As portas se abriram e lançaram talvez o melhor disco deles, o “Andiamo” (significa Nós Vamos em italiano ou “e eu sou zero” que é o nome do DVD da banda “And I Am Zero”) em 2004. Alguns sons desse disco pararam em trilhas de filmes de surf e skate, como a “Painted Windows”, “Over Seasons” e “PCH-82”, e tem letras bem politizadas, com protestos contra a invasão no Iraque. Nesse disco, suas influências de reggae, ska e música latina ficaram mais claras e agradaram com scratches e guitarrinhas em muito bom alto astral. Um disco diversificado, completo

Depois veio o ao vivo “Rhythm and Boozed” confirmando o que a comunidade antenada em bandas novas já tinha ouvido ou visto, a excelente presença de palco e energia ao vivo da banda. Em 2007, veio o “12h34”, um disco que seguiu o que se esperava: mistura com bom encaixe, hardcore ensolarado, clima sempre pra cima músicas rápidas, beirando o urgente com pausas melódicas, sempre com o vocal de Jason DeVore marcante e espontâneo, cantando com você, como eu, sem fazer tipo ou forçando, que causa empatia, soando familiar, próximo.

E agora em 22 de junho saiu o novo e melhor disco da banda “Stories of Survival”, com excelentes letras falando de corrupção na indústria fonográfica, a questão sócio política, com letras cativantes e ganchos que pegam bem aos ouvidos. Uma poderosa combinação dos gêneros citados, mantendo-a bem acima da média das bandas punks atuais.

O vocal cada vez mais rápido, porém melódico com qualidade, com coros cativantes pra ficar assobiando o dia todo, com um vibe rock e astral punk, uma atmosfera ska, guitarrinhas sacanas com punch certeiro e econômicas com viradas beirando o flamenco, e espectro de uma rádio mexicana. Um som hiperativo, energizante que garante o sorriso no rosto. Dificilmente a banda terá um alcance como Pennywise, Bad Religion, Offspring ou NOFX, mas quem busca sons diferenciados, boa música independente de estilos e visibilidade, não vai mais deixar de ouvir esse som. Pra quem gosta de hardcore, punk, ska e até mesmo reggae vai se sentir em casa.


Autoridade nesses casos não são bem-vindas.

GAROTO PRODÍGIO

Pense rápido.

Qual o nome de um jovem talento de sangue brasileiro que vive nas ilhas havaianas? Se o primeiro que veio na sua mente foi Kiron Jabour, errou feio. Estou falando de Ian Gentil, a mais nova sensação do surf havaiano e, muito em breve, mundial. O garoto de sotaque carregado quando se aventura no português, apresenta leveza e habilidade extraordinárias sobre a prancha. Sua vontade de aprender e realizar grandes feitos é infinita. Determinação para colocar-se em situações desafiadoras, maior ainda.

Na maioria das vezes, previsões se evaporam quando o destino se torna as rédeas. Mas Ian cresceu imerso no melhor ambiente possível para um surfista. Seu pai, João Gentil, é dono do Beach Park de Fortaleza, o maior parque aquático do Brasil. No começo dos anos 90, João foi para o Hawaii pela primeira vez e achou o lugar ótimo para criar a família.

Sob os olhos atentos do pai e os cuidados da mãe Patrícia, Ian te um lifestyle de dar inveja a qualquer surfista e garoto da sua idade: surfa altas ondas em frente de casa, conta com patrocínios sólidos e uma família apoiadora ─ todos os ingredientes necessários para o sucesso.




Seu irmão mais novo, Conan, e a irmã caçula, Joy, já foram fisgados pelo vírus do surf e adoram brincar no mesmo parque de diversão do irmão. A filosofia da família Gentil, amável e apoiadora, reflete-se na frase pendurada na parede. “Pensamentos viram palavras, palavras viram ações, ações viram hábitos, hábitos viram personalidade, personalidade vira destino”.

Ian nasceu no dia 12 de fevereiro de 1996. Ele tem uma natureza quieta e tímida, mas literalmente se expressa na água, surfando. Também gosta de pintar e desenhar ─ muitas vezes em suas pranchas. Surfa há apenas cinco anos e acerta facilmente manobras que incomodam (e muito) os mais velhos. Ele se inspira em atletas como Dane Reynolds, mas ainda vê o surf como diversão ─ mesmo sabendo o que o espera no futuro, para Ian o surf ainda não é uma profissão. Seu estilo solto e fluído é derivado de sua outra paixão, o skate. Ian gosta do estilo de Jordy Smith porque “parece que ele nem tenta”. Atualmente patrocinado pela ...Lost, Nike e Da Kine, tem muitas das facetas que os patrocinadores procuram: boa imagem agregada a surf de primeira qualidade. Estudar pela internet o ajuda a surfar a qualquer hora, mas ele se dedica a conseguir boas notas e se orgulha disso. Seu time de amigos grommets inclui Cody, filho de Buzzy Kerbox, o multi-talentoso Kai Lenny e Matt Meola, aerialista um pouco mais velho de Maui. Ian vem sendo treinado pelo amigo da família, o big rider baiano Yuri Soledade, destaque toda vez que Jaws quebra grande.

Mas onde será que ele se vê em dez anos? A única resposta que conseguiu dar foi: “não casado”. Quando questionado se já tivera medo, consente com a cabeça, de cima para baixo, “num mar em Sunset Beach e numa viagem de avião”. Seu pico preferido fica em frente a sua casa, em Maui, uma baía de areia cercada por rochas, chamada Sugar Cove. O fundo de areia é ideal para deixar o surf afiado para qualquer tipo de condição. O mais importante: Sugar Cove não tem crowd, então Ian e seus amigos podem se divertir à vontade, puxando o nível um do outro. Quando o tema é viagem, ele conta que o seu destino preferido é a Indonésia, onde esteve no ano passado com alguns brothers de Maui: “uma experiência única”, revela. Às vezes, Ian se arrisca em ondas maiores, mas por enquanto segura a confiança na velocidade necessária.

O que o futuro aguarda para Ian Gentil é tão grandioso quanto seu currículo de manobras. Andy Irons já rasgou elogios ao garoto, que já provou suas qualidades no NSSA Nationals (principal circuito amador dos Estados Unidos) do ano passado, em Lower Trestles, onde ganhou com direito a algumas notas máximas no caminho até a final.

Quando lhe perguntei onde pretende estar num futuro próximo, disse apenas: “surfando”. Nada mais comum para alguém da sua idade do que encarar a vida dia após dia, do jeito que deve ser. Se continuar aproveitando as oportunidades tão bem quanto tem feito, é certo que em poucos anos veremos Ian tornar-se um freesurfer incrível, fluído e espontâneo, ou um competidor fantástico, com uma faísca maliciosa de sede de vitória no canto dos olhos. De um jeito ou de outro, o mundo que se prepare.

TAM LIBERA PRANCHA ─ MAS SÓ SUA MERREQUEIRA


A TAM resolveu seguir os passos da Gol e Azul (conforme publicado) e liberou o transporte de pranchas de surf sem nenhuma cobrança. Mas há um porém. De acordo com o site, “pranchas de surf com comprimento máximo de até 274cm (incluindo a soma de todos os lados) estão inclusas na franquia de bagagem do passageiro”. Eu medi a capa simples de uma 6’0” e surpresa ─ o comprimento, largura e espessura somaram exatamente 270cm. A companhia aérea afirma que não cobra pela condução de até três pranchas, desde que estejam na mesma capa. No entanto, uma capa que suporta três pranchas de surf ─ ou uma gunzeira / longboard ─ certamente passará do limite imposto. Apesar de a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) declarar que esse tipo de cobrança não faz parte da legislação vigente, outras linhas aéreas continuam cobrando pela “bagagem especial” na hora do check in.

O SONHO CONTINUA


O MCD Charger In Memory of Zeca Scheffer foi um marco para a cidade de Torres (RS) e provou que, com respeito e organização, o surf pode ser um aliado na preservação da ilha dos Lobos. No último dia 10 de junho, numa manhã típica de frio e sol no Sul do país, esporte e consciência ambiental se uniram para homenagear o big rider local Zeca Scheffer. Surfista de alma, Zeca fez história por sua coragem frente aos desafios e pela dedicação aos seus sonhos. Salvou muitas vidas em resgates no mar e recebeu homenagens de honra ao mérito do corpo de bombeiros. Desbravador do surf de ondas grandes na ilha dos Lobos e na laje de Jagua, ele faleceu há quase quatro anos num acidente de carro na BR-101, em Santa Catarina.

Diversas entidades da comunidade, atletas locais e convidados estiveram presentes em uma sessão cerimonial de surf. Surpreso com o espírito de solidariedade que encontrou em Torres, o carioca Stephan Figueiredo declarou: “Foi um dia de confraternização e não uma competição, bem mais legal que eu imaginava. A continuidade de um sonho realizado depois de anos”. Seguindo as restrições exigidas pela autorização do ICMBio (entidade governamental que preza pela preservação do Revis da ilha dos Lobos), a organização adotou todas as medidas necessárias para que a prática do surf na remada fosse feita com segurança e não afetasse os leões-marinhos e os lobos-marinhos. “Surfar na ilha sem agredir a natureza era a maior preocupação do Zeca”, disse o local Cristiano Cardoso.

Numa linda manhã, com vento terral, o sol da alvorada refletia no mar e iluminava os participantes reunidos em um barco numa área segura da Unidade. Porém para os surfistas as condições estavam desafiadoras: “A onda é um tubo animal. Havia uma correnteza absurdamente forte e pra se manter no pico era uma corrida contra a força d’água”, afirmou Marcelo Trekinho. Os locais surfaram com muita garra em memória do saudoso amigo e relembraram alguns momentos de suas vidas. “Lembro como se fosse hoje quando fui à ilha com o Zeca pela primeira vez. Pra mim foi muito emocionante poder voltar e surfar a onda como uma forma de homenagem. Esse evento na ilha foi um sonho do Zeca realizado”, disse Rodrigo Cardoso.

Ao término das baterias, na cerimônia de encerramento organizada no alto do morro do Farol, após ter acompanhado todas as ações em um telão ao vivo, a comunidade aguardava ansiosa pela premiação. A galera de Torres dominou as primeiras posições, com Daison Pereira em 4º, Emerson Peres em 3º, e Felipe Martins em 2º.

Isso porque a primeira colocação já tinha dono desde o início. Para surpresa dos presentes, o troféu foi entregue à família Scheffer, num dos momentos mais emocionantes do dia. “Na hora da premiação, quando a família do Zeca recebeu o troféu de campeão, foi um sentimento puro e chorei como todos que estavam ali”, lembrou Trekinho.

Diz o ex-Top do World Tour e convidado Paulo Moura: “Tive a honra de fazer parte de um evento especial e participar da realização do sonho de um guerreiro. Foi emocionante sentir o vazio da perda de uma família ser preenchido, mesmo que por alguns instantes, pelo orgulho de ter o sonho do filho realizado”. Em nome da família, a irmã de Zeca, Fernanda Scheffer, agradeceu: “Para nós é importante saber que ele é lembrado entre tantos amigos e desconhecidos. O sonho dele foi realizado, não como a gente gostaria, mas tenho certeza de que ele estava ali surfando com a galera. A saudade aumenta a cada dia e conforta ver que ele vivia cercado por pessoas boas, que considero amigos e irmãos”.

Em seguida uma contrapartida ambiental foi anunciada ao ICMBio e um bote inflável de quatro lugares com motor de 40 HP foi entregue à entidade para auxiliar na preservação da Unidade. Ao corpo de bombeiros de Torres, roupas de borracha foram cedidas para colaborar nos salvamentos. Posteriormente, Ney Cantarutti Jr., chefe do Revis da ilha dos Lobos, ministrou uma palestra às crianças da rede pública de ensino, estimulando a criação de redações sobre o meio ambiente local. Os melhores textos foram premiados com brindes especiais do evento. “Esse encontro foi uma coisa que fizemos por um irmão que não está mais aqui. É um trabalho pra durar muitos anos. Estamos dando continuidade ao ideal de um guerreiro”, completou o amigo e organizador César Kruger.

O evento contou com a participação do professor e biólogo Christian Luz, do oceanógrafo João de Mendonça Furtado e do procurador da República Ricardo Trunfo. “No decreto da re-categorização da Unidade para Refúgio da Vida Silvestre em 2005, foram previstas atividades esportivas e de recreação. Apesar da polêmica gerada pelo assunto ao longo dos anos, o evento foi antecedido por estudos e teve respaldo nos vários segmentos do ICMBio e no Ministério Público”, ressaltou Ney Cantarutti Jr, chefe do Revis da ilha dos Lobos.

A ilha dos Lobos é um aglomerado de rochas disposto há quase 2 quilômetros da beira da praia. Ali se abrigam, em sua maioria, machos adultos e juvenis de lobos-marinhos e de leões-marinhos que migram do Uruguai e Argentina, principalmente durante o inverno, além de diversas espécies de peixes e aves. A pesca e o desembarque dentro da área da Unidade não são permitidos. O surf no local segue proibido. O formato do evento buscou demonstrar que a prática ordenada do esporte pode ocorrer de forma sustentável e servir como aliada na preservação do meio ambiente, dando continuidade ao trabalho que Zeca Scheffer deixou para a comunidade de Torres, um legado de surf e consciência ambiental próprio de quem dedicou sua vida ao mar.

Superação de vida e de surf

Em todo esporte, sempre foi e será muito difícil ser o melhor do mundo. Quando nos dedicamos integralmente a um esporte e atingimos o nível superior no que fazemos, quando sentimos o momento, é chegada a hora de sermos os melhores do mundo. É disso que vou falar nesse artigo: em ser o melhor do mundo.


GERAÇÃO BRASIL
Ser brasileiro e viajar o mundo sempre forma uma difícil combinação. As barreiras começam com a diferença do idioma e da moeda. Depois aquela discriminação que extravasa fronteiras, já que temos um velho preconceito de ‘jeito Brasil’. No surf temos dificuldades para surfar sobre corais e point breaks, porque aqui no Brasil quase não existe esse tipo de onda. A principal diferença e dificuldade está também em nossos maus hábitos. O atleta brasileiro ou de quaisquer outros países emergentes, para ser aceito mundialmente, tem que ser muito bom no que faz e, principalmente, ter uma educação exemplar, acima da média nacional, além de atitude dentro e fora d’água, no caso do surf.

O surf brasileiro tem história, e não é de hoje que estamos atuando no ambiente internacional. Nossas origens no surf não são tão antigas quanto à dos havaianos, australianos ou americanos, mas já existem por aqui gerações de surfistas desde os anos 1950 e, acredito, até antes, com as primeiras referências dos anos 1930, como mostra em réplica à própria coleção da Árvore Genealógica dos Shapers no Brasil.

O brasileiro, no que diz respeito à competição, apareceu no cenário internacional no início da década de 70. E desde então, nossos surfistas representaram com dignidade o Brasil, fazendo parte quase que integral do Circuito Mundial, numa crescente, progressiva evolução, em entradas e performances, com alguma ou outra queda.

Já vivemos gloriosas conquistas. Em 1976, a lenda Pepê Lopes vencia o Waimea 5000 no Rio e no mesmo ano surfava na final do Pipeline Master no Hawaii, numa época de total glamour. Em 1977, na final do Waimea 5000, período IPS, fizemos a dobradinha brasileira dentro d’água, onde outra lenda, Daniel Friedmann, o campeão, e Pepê Lopes, brindaram no topo do pódio.

Durante a década de 80 um esquadrão da minha geração representou o Brasil no Hawaii e em campeonatos da ASP mundo afora. Valdir Vargas, Ricardo Bocão, Roberto Valério, Rico de Souza, Picuruta e Almir Salazar, Fred D’Orey, Carlos Burle, Sérgio Noronha, Felipe Dantas, Renato Phebo e Tinguinha Lima, e diversos outros inclusive eu, em minhas dez temporadas no Hawaii, junto do Murilo Brandi, Jorge Pacelli, Xan Brandi, Flavius Cinira, Zecão, Tarzan, Anésio Amaral... Abrevio os nomes de tanta intimidade com esses caras.

Em 1988 Fabio Gouveia era sagrado campeão mundial amador em Porto Rico, e em 1990 vencia uma etapa do Circuito Mundial profissional. Victor Ribas, Teco Padaratz e Ricardo Tatuí venceram etapas na França durante a década de 90. Peterson Rosa venceu um WCT no Rio em 1988, mesmo ano em que Carlos Burle foi campeão mundial de ondas grandes, em Todos Santos, México. Em 1999 foi a vez da dobradinha brasileira em Huntington Beach, no US Open, onde Neco Padaratz e Gouveia tomaram a cena.

Neco também já venceu uma etapa do WT na Europa, no início dos anos 2000. Em 2009 o Carlos Burle recebeu a primeira coroa de campeão mundial de remada, de um circuito oficial de ondas grandes. Aliás, Burle, é bicampeão mundial de ondas grandes, o único até o momento. Burle é o exemplo máximo de profissionalismo e disciplina.

Foram anos de preparação dos grommets brasileiros, viagens e investimentos na base. Hoje o surf cresceu, e o Brasil tem uma geração fortíssima e preparada. Esta é a geração mais forte que já tivemos, toda inspirada no fenômeno Kelly Slater. Adriano de Souza, que lidera essa revolução contemporânea, ocupa um merecido lugar entre os Tops 10 do ranking mundial, e está em igualdade de condições com qualquer outro, uma hora ele vai chegar...

Jadson André chegou ao WCT com uma garra fora do comum. Com apenas 19 anos e um surf radical e diferenciado, venceu a etapa brasileira do WT 2010 com direito a vitória sobre o eneacampeão mundial na grande final. Brilhante! Ele tem apetite e gosta da competição, assim como vários outros garotos dessa nova cena Brasil.

A nova geração brasileira está fazendo fila para ingressar no World Tour. E em breve, aposto num Top 16 recheado de brasileiros. Gabriel Medina, Jessé Mendes, Wigolly Dantas, Alejo Muniz, Caio Ibelli, Ian Gouveia, Yan Guimarães, Peterson Crisanto, e por aí vai. Quem viver verá, porque essa ‘seleção’ está formando agora ‘Os meninos de ouro do Brasil’.

SLATER CONQUISTA O CONGRESSO

POLÍTICOS AMERICANOS RECONHECEM OS FEITOS DO ENEACAMPEÃO MUNDIAL KELLY SLATER


Depois de inspirar gerações de surfistas e admiradores com suas conquistas em campeonatos e uma carreira e imagem irretocáveis, o floridiano Kelly Slater chamou a atenção também dos políticos americanos. Durante um ano, o deputado republicano Bill Posey trabalhou forte nos bastidores do Congresso para mostrar aos seus colegas que Slater é muito mais do que um herói local ou um ícone do surf.

De acordo com os levantamentos de Posey, a força da imagem de Kelly ajudou a indústria do surf a crescer mais de 10% nos últimos cinco anos, gerando atualmente um faturamento anual de US$ 7 bilhões ─ desse montante, US$ 2.47 bilhões são provenientes das vendas em surf shops, segundo informações da Transworld Business (números de 2008).

Por isso, no último mês de maio, o Congresso dos EUA prestou uma homenagem a Slater e aprovou o projeto chamado “Resolução Kelly Slater”, reconhecendo o surfista por suas conquistas, por ser um embaixador do esporte e um grande exemplo de cidadão. “Slater tem trabalhado arduamente para dominar um esporte que muitos tentaram, mas poucos realmente foram capazes. Seu recorde de títulos mundiais é impressionante e digno de reconhecimento”, justificou George Cecala, porta-voz de Posey ─ que representa o distrito ao qual pertence Cocoa Beach, praia onde Slater nasceu e cresceu.

Aos 38 anos, Kelly Slater possui nove títulos mundiais e já venceu 43 etapas do Circuito Mundial, além de seis títulos do Pipeline Masters, no Hawaii, um dos eventos mais cobiçados do World Tour, e um troféu de campeão do tradicional Eddie Aikau Invitation. Em 2002 deixou seu nome registrado no “Surfers Hall of Fame”. Slater foi o surfista mais novo a vencer um título mundial, aos 20 anos, em 1992, e também o mais velho, aos 36, em 2008. Até a próxima etapa do WT, em julho na África do Sul, Kelly lidera o ranking mundial em busca do seu décimo caneco.

RECEITA DE SUCESSO

SE NÃO É O MELHOR, O SURFLINE CERTAMENTE É O SITE MAIS INFLUENTE DO PLANETA, FAMOSO POR SUAS CÂMERAS NO HAWAII, NA CALIFÓRNIA E NO MÉXICO, BEM COMO POR SEU CONTEÚDO RICO EM FOTOS, ENTREVISTAS, VÍDEOS E ARTIGOS POLÊMICOS. EU OUVI JONNO WELLS, CEO DO SURFLINE, E ELE EXPLICA AS RAZÕES DO SUCESSO DO CONCEITUADO SITE INSTALADO EM FRENTE AO PÍER DE HUNTINGTON BEACH, CA.
01. POR QUE O SURFLINE É UM DOS MAIORES SITES DO MUNDO? QUAL O SEGREDO?
Nossa equipe ama o que faz e acho que estamos sempre evoluindo. Trabalhamos diariamente para desenvolver nosso produto e torna-lo cada vez melhor.

02. QUANTAS CÂMERAS O SURFLINE POSSUI E QUAL DELAS TEM MAIOR AUDIÊNCIA?
Temos cerca de 120 câmeras. A popularidade depende das condições do mar, mas ao longo do ano as mais acessadas são Huntington Beach, Pipeline, Ventura e Malibu.

03. VOCÊS TÊM PROBLEMAS COM LOCAIS POR CAUSA DA COBERTURA DAS CONDIÇÕES DO MAR COM CÂMERAS?
Raramente. Somos bastante sensíveis a respeito de onde não devemos colocar câmeras. Somos surfistas e respeitamos o fato de que nem todo pico deve ter uma câmera. O interessante nas pesquisas que temos é que as câmeras ao vivo são efetivas para mostrar aos surfistas o quanto o pico está crowd, para ajudar na decisão de surfar num local mais vazio. O uso de câmeras não causa o crowd.

04. QUAIS AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O SISTEMA DE PREVISÃO DO SURFLINE (LOLA) E O DA MARINHA NORTE-AMERICANA (NOAA)?
A principal diferença é que o LOLA roda em nossos servidores e possui muitos dados, incluindo informações geradas pelo próprio NOAA WaveWatch III. O sistema do NOAA é feito para estimar swells em alto-mar e não calcula a altura das ondas. Swell e tamanho do surf nas praias são coisas diferentes. São relacionadas, mas são diferentes dependendo dos componentes das direções do swell, batimetria (medição da profundidade do oceano) e recorte do litoral. Todos estes fatores devem ser calculados para prever a altura das ondas em praias específicas.

05. VOCÊS COSTUMAM TER PROBLEMAS COM O FÓRUM?
Paramos te ter problemas porque não usamos mais fóruns abertos. Agora temos discussões moderadas sobre tópicos de surf. Os usuários podem subir fotos, vídeos, textos sobre eventos e fazer comentários sobre o esporte. As discussões seguem abertas e bastante opinativas, mas não são publicadas se estão fora de contexto. Nosso negócio é surf, não falamos de política, religião ou futebol. Existem vários lugares onde as pessoas podem falar abertamente a respeito desses assuntos.

06. O SURFLINE TEM PUBLICADO RECENTEMENTE MUITOS ARTIGOS E VÍDEOS A RESPEITO DO SURF BRASILEIRO. QUAL SUA OPINIÃO SOBRE O ESPORTE NO BRASIL?
Surf é um esporte global. Grandes surfistas e ótimas histórias do surf surgem em todos os lugares do planeta. O Brasil tem bons surfistas e que oferecem uma grande contribuição ao esporte. Carlos Burle, por exemplo, teve uma temporada épica no último inverno no Hawaii. O Surfline cobriu não pelo fato de Carlos ser brasileiro, mas por ele ter dado uma grande contribuição ao esporte de uma forma global. O Brasil possui uma rica história no esporte. Não é uma surpresa haver tantas contribuições vindas do Brasil.

07. QUAIS PAÍSES GERAM MAIS TRÁFEGO AO SURFLINE?
EUA, certamente, além de Austrália, Canadá, Brasil, Reino Unido. Fora dos EUA, cresce a porcentagem de usuários diários.

08. QUAL A MAIOR AUDIÊNCIA JÁ REGISTRADA PELO SURFLINE?
No ano passado chegamos a ter em um dia 225 mil usuários individuais.

09. QUAIS OS PLANOS PARA A EXPANSÃO DO SURFLINE?
O plano é tornar o site melhor, mais acessível e mais interessante para um número cada vez maior de surfistas ao redor do mundo. Nós gostaríamos de trabalhar com muitos parceiros pelo planeta, assim podemos criar novas idéias e produtos melhores em conjunto para os surfistas.

Pedaladas & Cutback

ESTE ANO A COPA DO MUNDO ACONTECE PELA PRIMEIRA VEZ NA ÁFRICA DO SUL, PAÍS QUE POSSUI UM LITORAL REPLETO DE ONDAS BOAS E PODE SER O DESTINO PERFEITO PRA QUEM SE AMARRA EM FUTEBOL E SURF. PESQUISEI BASTANTE E PREPAREI UM ROTEIRO COMPLETO PARA VOCÊ ACOMPANHAR OS JOGOS E, ENTRE ELES, PEGAR ALTAS ONDAS NOS POINTS SUL-AFRICANOS.


A Copa do Mundo 2010 da FIFA acontece bem no meio do inverno na África do Sul. Pode não ser a época ideal para os amantes do futebol, mas é uma bênção para os surfistas. Os meses de junho e julho normalmente recebem potentes ondulações de Sul/Sudoeste, que nascem no Atlântico Sul e explodem na ponta Sudoeste do continente, se moldando conforme se movem em direção às costas leste e oeste. Combinados com os ventos certos, estes swells são responsáveis pelas linhas perfeitas de J-Bay e pelos tubos de North Beach, em Durban. Com estádios situados na Cidade do Cabo, Durban e Port Elizabeth, os visitantes podem dividir seu tempo entre os jogos e sessões incríveis de surf. Mas fique esperto: o inverno africano pode ser sinistro com suas temidas tempestades, fortes ventos e surf irregular.

Assim como o Brasil, a África do Sul abriga uma eclética mistura de povos e culturas, com 11 línguas oficiais e muitas histórias interessantes. É também um país de contradições, em que cidades modernas e riquezas escondidas atrás de muros altos e grades contrastam com a pobreza e as favelas da periferia. Em boa parte do interior e da região costeira, as pessoas vivem de pecuária e agricultura e moram em casas feitas de barro e palha a várias gerações. As duas regiões costeiras são totalmente opostas. Saindo da Cidade do Cabo em direção à fronteira com a Namíbia, a costa oeste vai se tornando mais desértica à medida que você avança. Essa faixa isolada do litoral é repleta de picos de esquerdas intocadas e bancadas inexploradas, muitas delas com acesso limitado por estar dentro das áreas de minas de diamantes. Seguindo pela estrada federal N2 é possível chegar à agradável costa leste, passando pela cidade de Hermanus, famosa pela atividade de observação de baleias, e pela Garden Route (rota do jardim), que abriga belas cidades e inúmeros points de direita. Ao longo do caminho está a estrela local, Jeffrey’s Bay, pointbreak que habita os sonhos dos surfistas desde o seu descobrimento, nos anos 60. De lá, são 75km até Port Elizabeth e quase 900km até Durban. Saindo de Port Elizabeth rumo ao norte, a estrada chega a East London, maior cidade antes de Durban. Com seus morros esverdeados, praias intocadas e rios exuberantes, a “Costa Selvagem” apresenta uma face diferente da África do Sul. É o berço do ex-presidente Nelson Mandela, além de centro da cultura Xhosa. Vacas vagam pelas praias enquanto pescadores tentam a sorte nas encostas. O clima é de relax total. Muitos mochileiros se hospedam no Coffee Shack, em Coffee Bay, para passar apenas algumas noites, e emergem depois de duas semanas sem perceber que o tempo passou. Se você pretende acompanhar a Copa do Mundo “in loco”, lembre-se de que pode aproveitar para pegar altas ondas numa viagem de carro alucinante entre Cidade do Cabo, Port Elizabeth e Durban.


Port Elizabeth


ESTÁDIO: Nelson Mandela Bay
JOGOS: 8
CRONOGRAMA:
12 de junho: Coréia do Sul × Grécia
12 de junho: Costa do Marfim × Portugal
18 de junho: Alemanha × Sérvia
21 de junho: Chile × Suíça
23 de junho: Eslovênia × Inglaterra
26 de junho: Oitavas de final
02 de julho: Quartas de final
10 de julho: Disputa pelo terceiro lugar

SURF:
Port Elizabeth não é o melhor lugar para surfar, mas é possível encontrar boas ondas. Seguindo pela rodovia à beira-mar, Marine Drive, você passa pelas praias de fundo de areia mais populares, que funcionam melhor com ventos de Sul. Mais ao Sul do porto, perto do antigo píer, Humewood oferece bons tubos quando está quebrando. The Pipe, em Pollock Beach, é um pico freqüentado pela garotada. Mas o maior atrativo de Port Elizabeth é o fato de estar a apenas 75km de J-Bay. Os intervalos de três dias entre cada jogo da Copa são suficientes para você dar uma esticada até lá, encontrar hospedagem e surfa sessões insanas de seis horas seguidas em Super Tubes. É a melhor onda da África do Sul, sem dúvida, e funciona melhor com swell e ventos de Sudoeste. Uma onda boa no pico vai fazer você se sentir como o Kelly Slater, nem que seja apenas por um dia.
PERIGOS: Quando está bom, J-Bay fica muito crowd. Depois da Copa, com a etapa do ASP World Tour prevista para começar em 15 de julho, deve ficar uma loucura. Se estiver na área nessa época, seja o mais discreto possível, pois os locais podem estar meio paranóicos.
ROUPA DE BORRACHA: A água é mais quente do que na Cidade do Cabo, mas ainda assim é congelante se os ventos estiverem soprando. Um long john de 4/3mm é recomendado. Botinhas podem ajudar a caminhar sobre as pedras infestadas de mariscos.
QUIVER: Traga pranchas entre 6’0” e 7’0” que aturem a força, a velocidade e o surf de linda exigido em J-Bay.
SAFÁRI: Para viver a verdadeira experiência da vida selvagem africana, vá até o Seaview Game and Lion Park, a cerca de 25km a oeste da cidade. Lá é possível ver os leões que vivem no local e até brincar com os filhotes. Mais adiante, o Addo Elephant Park é a casa de mais de 450 elefantes, búfalos e rinocerontes negros. Você pode passar o dia ou ainda acampar para assar a noite.
CULTURA LOCAL: Para conhecer mais a fundo a cultura Xhosa e a vida nas comunidades negras, faça um tour pelo gueto e veja o outro lado da África do Sul. Confira as opções do Calabash Tours ou do Gugu’s Township Tour. Passe um tempo com os nativos e não deixe de beber uma cerveja ou duas. Além de uma boa refeição, nos bares locais, chamados de “shebeen”.


Cidade do Cabo


ESTÁDIO: Greenpoint
JOGOS: 8
CRONOGRAMA:
11 de junho: Uruguai × França
14 de junho: Itália × Paraguai
18 de junho: Inglaterra × Argélia
21 de junho: Portugal × Coréia do Norte
24 de junho: Camarões × Holanda
29 de junho: Oitavas de final
03 de julho: Quartas de final
06 de julho: Semifinais
SURF:
Nos meses de inverno, a península do Cabo é bombardeada por ondulações muito consistentes. Mesmo se você é apenas um longboarder casual ou um ávido e habilidoso caçador de tubos, vai encontrar o que está procurando. Não deixe que o frio te desanime; quando os ventos de Norte sopram, a hipotermia é uma realidade. Vale a pena alugar um carro, uma vez que as melhores ondas ficam distantes do centro da cidade.
PICOS: No lado de False Bay, a cerca de 30km do centro, Muizenberg é indicado para iniciantes, com ondas mais cheias e várias escolas de surf ao redor. As surfshops da região são completas e oferecem tudo. Converse com os surfistas locais sobre as bancadas de coral em lugares como Kalk Bay; tubos pesados estão à sua espera. Funciona melhor com ventos do quadrante Norte. Para um surf de manobras, Long Beach, situada no pequeno vilarejo pesqueiro de Kommetjie, é muito consistente e funciona em qualquer maré, melhor com um leve vento Sudoeste. Se não houver swell, dirija até Cape Point e confira a reserva natural em que babuínos, avestruzes e antílopes correm livremente pela mata nativa. Por toda a extensão da West Coast Road, saindo da cidade e passando por Blouberg, os beach breaks produzem ondas cavadas e triângulos perfeitos quando o vento dá uma trégua.
ONDAS GRANDES: Situada no lado de fora do píer de Hout Bay, a bancada de Dungeons (que significa ‘Calabouço’) merece uma pequena apresentação. Considerada uma das mais desafiadoras ondas do mundo, é um dos picos favoritos do campeão mundial Carlos Burle e de nomes como Greg Long, além de berço de ídolos locais como Grant “Twiggy” Baker e Chris Bertish, entre outros. Mas é indicada apenas para surfistas experientes e treinados, caso contrário pode engolir vivos os desavisados. Simples mortais devem dirigir até a segurança de Chapman’s Peak e observar do alto do morro as ondas explodirem através da baía.
ROUPA DE BORRACHA: A cidade do Cabo possui águas congelantes. Leve um long john 3/4mm, gorro, botinhas e luvas para suportar o frio.
QUIVER: Traga tudo que tiver, desde sua fish até a gunzeira.
PERIGOS: A região da Cidade do Cabo é lar de uma crescente população de tubarões brancos. Um nadador foi pego por um na praia de Fish Hoek em janeiro passado. Procure surfar nas áreas dos “shark spotters”; eles ficam observando o line up com binóculos e sinalizam através de bandeiras ao menor sinal de perigo.
ATIVIDADES: Se você quer ver os ‘dentuços’ de perto, dirija cerca de duas horas até Gansbaai e agende um mergulho dentro da gaiola. Agências de esportes de aventura promovem ainda atividades como rapel, mountain bike e sandboard.
ROTA DO VINHO: Encontre a rota do vinho, em Stellenbosch, e passe o dia nas vinícolas experimentando amostras de alguns dos melhores tintos e brancos do país. Apenas certifique-se de ter um motorista sóbrio para dirigir no caminho de volta.
VIDA NOTURNA: Na Long Street, maior avenida da cidade, as boates bombam até o amanhecer. Se você procura luxo e mulheres bonitas, vá aos restaurantes e bares de Camps Bay. Próximos ao estádio, os bares em Greenpoint devem ficar cheios durante a Copa. Boates como a Chrome e a Fiction são uma boa pedida para quem gosta de drum ‘n bass e música eletrônica. Confira o The Assembly se você gosta de som ao vivo. No campo gastronômico, vale uma visita ao Mzoli’s, em Gugulethu.


Durban

ESTÁDIO: Durban
JOGOS: 7
CRONOGRAMA:
13 de junho: Alemanha × Austrália
16 de junho: Espanha × Suiça
19 de junho: Holanda × Japão
22 de junho: Nigéria × Coréia do Sul
25 de junho: Portugal × Brasil
28 de junho: Oitavas de final
07 de julho: Semifinal
SURF:
As águas quentes e as ondas tubulares de Durban já moldaram alguns dos melhores surfistas sul-africanos. É certamente a capital do surf nacional. É onde Shaun Tomson aprendeu a entubar antes de arrombar as portas de Pipeline e onde prodígios da nova geração como Jordy Smith aprimoraram seu moderno repertório de manobras aéreas. Localizado bem no meio da cidade, New Píer é o pico mais conhecido e quando está bombando oferece tubos largos e profundos. Entre os píers, direitas muito extensas marcham em direção à North Beach. Perto do estádio, Battery Beach pode ser uma boa pedida e segura um pouco mais o swell do que New Píer. As quedas matinais ficam ainda melhores quando um leve terral penteia a crista das ondas. Se na cidade estiver muito caótico por conta da Copa, arrume as coisas e dirija para o Norte ou para o Sul pela beira-mar para encontrar um canto entre os bananais. Com mais de 100km de costa, recheada de bancadas de coral e pedra e fundos de areia menos conhecidos, é possível pegar altas ondas sem crowd.
ROUPA DE BORRACHA: Graças à temperatura agradável da corrente das Agulhas e ao clima subtropical, a água em Durban se mantém quente durante todo o ano. A média é de 19°C no inverno e, quando o sol está presente, é possível surfar de bermuda. Mas leve seu long john 3/2mm para não passar frio nas sessões matinais. Um short john também pode ser bastante útil.
QUIVER: Leve as pranchas que funcionem bem em todas as condições.
PERIGOS: Fique esperto quando estacionar em lugares mais afastados e não deixe pertences de valor dando bobeira na praia. Roubos são uma realidade por lá.
DIVERSÃO GARANTIDA: Se as ondas não aparecerem, arrisque um surf no D-Rex flowrider da Wave House, a apenas 15 minutos de carro da cidade. Com uma esquerda clorada e uma direita tubular sem fim, é um verdadeiro teste de habilidade de surf/skate/wake e snowboard. Cuidado com as quedas, elas podem ser sinistras se a máquina estiver com força total.
SKATE: A Wave House abriga também o maior skatepark do país. Foi desenhado pela lenda do esporte Tony Hawk e possui uma rampa de 4m de altura, além de um snake bowl irado.
CULTURA SURF: O Museu Time Warp Surf (na 190 Lower Marine Parade), em frente à praia, traz a história do esporte, com pranchas e toda sorte de objetos e fotos desde a década de 1930.
CIDADE EM FESTA: Os surfistas de Durban adoram festas (“jol”, na gíria local). Toda noite maneira começa no Joe Cools, ou apenas Joes, um bar/restaurante meio malcuidado, mas muito popular de North Beach, que se transforma numa boate à medida que anoitece. Uma vez que os coquetéis e “shots” fazem efeito e a pista de dança vira uma espécie de “pântano”, os festeiros de plantão migram para o Origin, em Umbilo. Alguns nem conseguem ir tão longe. O Clapham Grand bomba às terças e sextas-feiras, mas não é permitido entrar de camiseta nem de short.

Quintal de casa


Para uma tribo que se considera nômade por natureza, nós, surfistas, somos um tanto caseiros. Se por um lado à estrada nos chama, é na praia logo ali que nos sentimos mais à vontade. Pare pra pensar: não importa o quão viajado você seja e quantas ondas perfeitas já desbravou pelo mundo ─ não há nada como pegar um dia clássico na valinha em frente à sua casa.

E isso, aparentemente, vale até pros melhores e mais experientes surfistas do mundo. Pergunte a Adriano Mineirinho qual sua onda predileta. É certo que a resposta virá rápida como uma bala: “Canto das Astúrias”, no Guarujá. Para Marcelo Trekinho, é o Pontão do Leblon. Bruce Irons vai dizer que é Pinetrees, no Kauai, enquanto Bruno Santos vai jurar que é em Itacoá que o bicho pega.

Mas onda por onda, todo mundo sabe que tem coisa muito melhor que nosso quintal de casa quebrando do jeito em algum lugar do globo. Ou seja, não é uma certa onda em si que nos traz essa sensação. É o lugar, o ambiente ─ todos os elementos “extra-surf” que compõe a cena. Os amigos do lineup, as gatas da areia, a barraquinha de sanduíche natural e côco gelado que vai saciar a fome depois da queda.

Em certos dias buscamos novos desafios, novas ondas, novas fronteiras ─ sempre procurando o limite ─ de vez em quando não há nada melhor do que aquele previsível conforto da valinha de casa.

Stephan Figueiredo, por exemplo, mudou-se para o Hawaii para ficar mais próximo de sua amada Pipeline. Mas pergunte o que mais lhe faz falta e ele vai te dizer, sem cerimônias, que é pegar umas marolas com os amigos no Rio.

O segredo está no fundo


POINTBREAK ─ Regularidade e Consistência
As ondas de pointbreak começam a quebrar na ponta da baía e se refratam para dentro dela, num movimento constante a partir da costa curvada. Possuem impressionante regularidade e consistência. Normalmente, o fundo é de pedra e areia, ou apenas a costa é repleta de rochas e a baía é de areia fina. Ondas como Burleigh Heads, na Austrália, e Raglan, na Nova Zelândia são exemplos clássicos de pointbreak.

REEFBREAK ─ Perfeição e Força
O fundo de um reefbreak é formado por corais, pedras ou outras coisas parcialmente submersas. A onda quebra subitamente e com força. Sua forma varia de acordo com a configuração, profundidade e tamanho do obstáculo encontrado. Banzai Pipeline é uma onda de recife perfeita, cujo fundo possui formato triangular. Quando este triângulo é eqüilátero e a ondulação entra de frente, a onda abre tubos perfeitos para os dois lados.

BEACHBREAK ─ Mudanças constantes
Os Beachbreaks são os tipos de fundo mais comuns no Brasil. Normalmente as praias são retas, o fundo é de areia ou cascalho e há uma leve inclinação que faz com que a onda quebre. Como o fundo de areia muda constantemente, as ondas têm formação mais irregular. As correntes de água que voltam para o mar são chamadas de canais. Maresias, no Brasil, e Puerto Escondido, no México, estão entre os melhores beachbreaks do mundo.

Aquatic Dreams

Os diretores de sucessos como "3 Degrees" e "A Day in the Life", os australianos Matt Gye e Shagda apresentam sua mais nova produção, "Aquatic Dreams". Como já era de se esperar da inseparável dupla, a edição e as imagens são excelentes, assim como o nível de surfe. O roteiro, por sua vez, deixa a desejar ─ o vídeo é, na verdade, um apanhado de três viagens diferentes: West Australia, Bali e Mentawais. Mesmo assim, vale pelas imagens e a performance dos surfistas. Destaques para Taj Burrow em West Australia e Bali, Yadin Nicol, Ry Craike, Dean Harrington, Ozzie Wright, Wade Goodall e Asher Pacey. Um vídeo que não traz nada de novo, mas se garante.