The Game
O renomado fotógrafo californiano Pete Frieden há anos vive na estrada seguindo o Circuito Mundial. Além das imagens que ilustram inúmeras revistas de surf, Frieden produz anualmente um vídeo com as melhores sessões captadas pelo globo. Assim como em "The Circus" e "Back in Town", "The Game" é repleto de surf de alta performance protagonizado pelos melhores do mundo. Destaque para os irmãos Irons, Taj, Mick e Parko destruindo tudo nos beach breaks franceses; Jamie O'Brien no Hawaii; Dane Reynolds na Califórnia; Koby Abberton em Sydney e Shane Dorian em Teahupoo ─ na sessão que lhe rendeu o já famoso Tubo do Ano em 2006. Frieden mais uma vez apostou na fórmula que tem dado certo ─ surf de alta qualidade e trilha sonora empolgante ─ e acertou na mosca. Com mais de 50 minutos e uma infinidade de extras, "The Game" tem surf de sobra para empolgar e instigar qualquer um.
SUP, com mais respeito
SOUL
O filme da Hot Buttered, que chegou recentemente às lojas, é um envolvente mergulho no passado do surf. As imagens foram recolhidas de clássicos como "Sultans of Speed", "Morning of the Earth", "A Winter's Tale", "Fantasea" e "Storm Riders" e conta com comentários dos jornalistas especializados Andrew Kidman e Derek Hynd. Destaque para as sessões de Joel Fitzgerald na Irlanda e na Indonésia, além das imagens alucinantes do "Sultão da Velocidade", o fundador da HB, Terry Fitzgerald, nos anos 70 ─ em Uluwatu, Jeffrey's Bay, Hawaii e picos isolados da Austrália ─, mostrando por que ele é considerado um dos surfistas mais influentes do planeta. Tem ainda uma viagem da família Fitzgerald (o pai Terry e os filhos Joel e Kye) a J-Bay, onde surfam com as pranchas mais variadas. A trilha sonora foi produzida especialmente para o filme por seis integrantes da banda White Horse, com destaque para o guitarrista Tim Gaze, que gravaram uma faixa de 59 minutos enquanto assistiam às imagens do filme. Pode até parecer redundante, mas o "Soul" é um filme realmente "Muito Soul", que conta parte da trajetória do surf, em especial a história da HB. Confira.
Livre, leve e solto
COMO UM DESBRAVADOR da sua própria essência. Assim o soul surfer Rob Machado, 36 anos, ícone do surf norte-americano, abdicou da convivência com a família e sua rotina de surfista profissional para imergir em seu novo e brilhante projeto cinematográfica, The Drifter. Machado passou um ano pela Indonésia, na busca por respostas e ondas perfeitas. Suas descobertas foram registradas pelo amigo e diretor Taylor Steele junto a uma equipe que contou com o cinematógrafo hollywoodiano Todd Heater, o fotógrafo Dustin Humphrey e assistentes. A ideia, que deu certo, seria documentar o cotidiano do surfista sem interferir na sua jornada. O Errante (tradução em português) não se trata apenas de ondas, mas uma maneira de questionar o modo como era conduzida sua vida. Para Machado, é uma cura ou "transformação íntima de autodescoberta". No Brasil, a estreia ainda não tem data definida, mas já é mais do que aguardada por seus admiradores.
Alice in Chains
APÓS SETE ANOS da morte do vocalisa Layne Staley, ninguém esperava que o Alice in Chains voltasse à ativa. E, oriundo da escuridão sugerida no título, surge um dos melhores álbuns da carreira do grupo. Produzido pelo competente Nick Raskulinecz (com Rush e Foo Fighters no currículo), Black gives way to blue soa como um tributo à altura do falecido, com músicas que trazem à tona as principais marcas da banda: a melodia cantarolada que antecede os riffs ultrapesados, o andamento lento, os refrões densos e os solos que se intercalam. Tudo isso conduzido pelo estilo inconfundível do guitarrista Jerry Cantrell e do novo vocalista William DuVall, com timbre de voz incrivelmente parecido com o de Layne Staley. Talvez a surpresa venha do mesmo com a participação de Elton John emprestando seus enfáticos teclados na faixa título. De resto, é o bom e velho Alice in Chains iniciando uma nova etapa e provando que apesar de todos os revéses ainda consegue superar expectativas.
Colbie Caillat
NATIVA DA PRAIANA Malibu e fã declarada de Fleetwood Mac (banda a qual seu pai, Ken Caillat, já foi produtor), Colbie Caillat foi um dos casos em que um artista acaba fazendo sucesso na internet antes mesmo de ter um CD pronto. E foi assim, sem pedir licença, que acabou conquistando milhares de fãs ao redor do mundo e teve seu talento reconhecido, inclusive pelo público brasileiro. Munida de canções com tonalidade pop, suaves, quase acústicas e voz doce e melódica, Colbie agora apresenta seu segundo trabalho com a mesma unidade do disco anterior. Os destaques dessa vez vão para Falling for you e Lucky, em parceria com Jason Mraz.
Eddie Would Go
Para quem é do surf, não há dúvida de que já ouviu falar no Quiksilver Big Wave Invitational in Memory of Eddie Aikau. Porém, se o conhecimento sobre o famoso homem do mar havaiano se limita ao campeonato, a leitura de Eddie Would Go pode ser interessante.
Surf 3D
O surf é um esporte de grande apelo visual. Filmes e mais filmes são lançados anualmente, contando a vida do Zé da esquina ou de um grupinho de surfistas arruaceiros. Algumas coisas boas e outras ruins, mas tudo bastante parecido. O filme “Ultimate Wave Tahiti” promete, no mínimo, quebrar esse paradigma em alguns aspectos. Com uma super produção, o filme será lançado exclusivamente nos cinemas, o que já não é novidade para nós. Mas, pela primeira vez, terá um formato I MAX 3D, uma tela gigante com projeção feita para assistir com óculos 3D e imagem de altíssima qualidade. Nesse formato, a experiência visual e sonora é prioridade, por isso, não podia demorar a alguém explorar o mundo do surfe.
Stephen Low é o nome do cineasta por trás da produção, que além do apelo da alta qualidade e projeção tri-dimensional, chamou nada mais nada menos que o nove vezes campeão mundial Kelly Slater para surfar nada mais nada menos que o Tahiti. As honras da casa ficaram por conta de Raimana Van Bastolear, uma espécie de embaixador do surfe local e, o melhor de tudo, tem um barco animal, três jets e conhecimento apurado de todas as bancadas, ondulações e vento. A receita tem alguns dos ingredientes mais finos.
O filme não abordará só o surfe, mas também o oceano e sua frágil interação com o ser humano. As produções começaram por volta de agosto de 2008, e estarão finalizadas em alguns meses, quando será exibida nas telas gigantes ao redor do mundo (não sabemos ainda quando será exibido no Brasil). “Esse projeto será incrível”, disse Slater. “Minha vida surfando e viajando ao redor do mundo é uma aventura constante e tenho a esperança de traduzir isso para as pessoas nesse filme. Tivemos alguns grandes desafios para filmar com as câmeras especificas nos lugares certos. Mas tivemos ótimas idéias, ótimas locações, equipamento de primeira e uma equipe de produção fantástica. Os desafios fizeram parte da diversão.”.
O filme tem patrocínios de peso e se realmente capricharem na produção, pode se tornar uma experiência inesquecível para o espectador, surfista ou não-surfista.
O Sultão da Velocidade
Música, amigos e surf
Lançado em CD, DVD e Blu-ray, o primeiro trabalho ao vivo de Jack Johnson é um verdadeiro presente para os amantes da música e do surf. Concebido para ser um registro da turnê do disco “Sleep through the static” pelo verão europeu de 2008, En Concert tornou-se maior que sua própria concepção.
Uma manhã em Pipeline
Rip Curl Pro Search Portugal
O australiano Mick Fanning é o grande campeão do Rip Curl Pro Search 2009, nona etapa do ASP World Tour, encerrada hoje em Supertubos, Peniche, Portugal.
Em ondas com cerca de um metro e séries maiores, Fanning abusou das batidas, rasgadas e cutbacks para vencer seu compatriota Bede Durbidge por 12.67 a 9.87 pontos na final e garantir sua terceira vitória na temporada. As anteriores foram na Califórna e França.
"Ontem foi um dos melhores dias de competição que eu já vi e todos puderam mostrar seu surf. Hoje tivemos que ajustar nosso estado de espírito para lidar com a queda de tamanho e qualidade das ondas", diz Mick Fanning, que é o campeão mundial de 2007.
"O evento fez jus ao nome. Nós procuramos as melhores ondas em todos os lugares. Surfamos quatro ondas diferentes durante o evento e até ontem eu queria ter surfado no pico de The Wall, mas a prova acabou rolando aqui (Supertubos) e foi um dos melhores dias do ano. Parabéns à Rip Curl e toda equipe que trabalhou duro para isto acontecer", elogia Mick Fanning.
THE PRESENT
Tudo começa com uma câmera 16mm aparecendo na tela e comunicando sutilmente que o importante é voltar para o básico, se é que isso se presta para uma tradução tão chula. Thomas Campbell é um verdadeiro artista. Seus filmes, SPROUT e SEEDLING, são poemas visuais e poesia, e pode ser chato pacas quando o poeta não sabe quando terminar.
The Present é um bom filme, teima demais com câmera lenta e tem estrofes longas demais com o simpático Alex Knost falando no telefone, mas funciona bem em entreter e atiçar o camarada que o assiste a passar mais tempo na água.
A trilha, como sempre, é impecável: jazz e funk salpicados de roquinho fácil ara divertir, David Axelrod, Vetvier, Gabor Szabo, Tommy Guerrero, Bonnie Prince Billy e Japanese Motors (banda do Knost). Uma das grandes estrelas do filme é a Alaia, prancha primitiva feita de madeira, sem quilhas, inspirada nas antigas fotos e gravuras dos polinésios. David Rastovich e Rob Machado fazem a coisa parecer fácil demais ─ ainda mais quando em câmera estupidamente lenta.
Uma onda perdida na África também encanta pela fotografia caprichada, homenagem do Campbell ao ENDLESS SUMMER. Chelsea Georgeson dá uma aula (inclusive aos marmanjos) de como entubar na já tradicional viagem de barco pelas ilhas da Indonésia. Joel Tudor dá uma pequena aula sobre a mitologia do surf, de Dora e Curren, e um campeonato inusitado apresentado por Machado e Reynolds quase arranca uma gargalhada ─ destaque para o Conde Tremula (Dan Malloy). A narração é irritante e dispensável.
The Present ─ não deixe de assistir, tome um belo copo de café forte antes.
06 perguntas para... Jason Gilbert
O AUSTRALIANO JASON GILBERT TRABALHA COMO QUIROPRAXISTA OFICIAL DA ASP PARA A AMÉRICA LATINA DESDE 1999, ATENDENDO TANTO A ELITE FEMININA QUANTO A MASCULINA. DURANTE ESTE LONGO PERÍODO O PROFISSIONAL ADQUIRIU UM VASTO CONHECIMENTO SOBRE OS PROBLEMAS DE COLUNA VERTEBRAL E ARTICULAÇÕES QUE OS SURFISTAS PROFISSIONAIS E, DE TODOS OS NÍVEIS, PODEM ENFRENTAR. CONHEÇA QUAIS SÃO OS PROBLEMAS MAIS COMUNS SOFRIDOS PELOS SURFISTAS E TAMBÉM SAIBA COMO PREVENÍ-LOS.
01. Qual a importância do seu trabalho nos campeonatos da ASP?
A quiropraxia é uma ferramenta essencial para atletas de todas as modalidades. Visa recuperar e manter a função da coluna vertebral e das articulações funcionando normalmente. Quando problemas nessas regiões se prolongam, podem causar fraqueza dos músculos, contratura, desequilíbrio no corpo e até degeneração precoce. Ou seja, coisas que podem afetar seriamente o desempenho do atleta.
02. Essa degeneração apresenta sintomas?
O pior de tudo isso é que ela pode acontecer sem dor ou outros sintomas óbvios. O primeiro sinal que pode aparecer é uma crise ou rigidez no corpo e, claro, dor. Há surfistas no WCT que já sofrem degeneração discal ou óssea, pois deixaram de corrigir problemas biomecânicos no tempo adequado, em função dessa falta de sintomas. Eu comparo isso a um carro do qual uma roda passa num buraco. Apesar do carro poder andar ainda sem problemas, com o tempo o desalinhamento vai desgastar o pneu. Muitos motoristas somente notam isso quando a roda já está vibrando muito, ou seja, dando sinais.
03. Quais são as causas mais comuns desses problemas?
Os surfistas enfrentam longas viagens de avião para acompanhar o circuito, o que trava os quadris, a coluna lombar e a região dos glúteos. Dormir no voo sem o apoio adequado para o pescoço e cabeça ou usar um travesseiro incorreto, deixam a coluna bem prejudicada. Outro problema é que ficam muito tempo sentados, com péssimo apoio lombar, assistindo a bateria dos outros, ou no computador, nos dias sem onda. Todas essas atividades travam a coluna, o que pode limitar a mobilidade e a flexibilidade, que são essenciais na hora de manobrar. Colchões inadequados também podem ter um efeito negativo.
04. Que lesões podem ser causadas pelo surf?
O surf é um esporte unilateral, ou seja, usamos um lado do corpo mais do que o outro. Todo mundo que é surfista sempre tem o pé direito ou esquerdo atrás e como em outros esportes unilaterais, como tênis ou golf, causa desequilíbrio muscular crônico, o que acaba afetando a biomecânica da coluna e do corpo inteiro. Certos elementos, como músculo, tendões e ligamentos, quando estão encurtados devido a desequilíbrio, não conseguem exercer normalmente sua função, especialmente quando sobrecarregados durante uma manobra, um drop crítico ou até em outras situações cotidianas da vida. Por isso problemas acontecem. Muitas vezes a pessoa pode achar que um certo movimento pode ter sido a causa de uma lesão, mas na realidade geralmente foi somente "a última gota d'água". Pois a articulação ou tecido já tinha passado muito tempo sem a integridade normal, sem causar dor ou sintomas óbvios. Esse tipo de problema pode acontecer na coluna lombar (nos discos ou articulações), como também no joelho, tornozelo, ombro ou qualquer outra articulação. Lesões antigas que não são tratadas e reabilitadas adequadamente produzem encurtamentos de tecidos moles e disfunção nas articulações. Por isso é vital que todo mundo que pratica esporte procure conhecer suas lesões e trate-as adequadamente até a cura total. Caso contrário a vida esportiva pode ser encurtada.
05. Quais são as regiões da coluna que são mais suscetíveis a complicações?
O que mais observo com os surfistas da elite é que a maioria apresenta o mesmo padrão de restrições de coluna, principalmente nos quadris, coluna lombar (parte baixa da coluna), a região entre as omoplatas e a nuca. Remar não é uma atividade natural para o corpo humano. Não fomos feitos para remar. Por isso precisamos ter consciência de que essa atividade sobrecarrega alguns músculos mais do que outros, principalmente os anteriores do ombro e os que juntam na região da nuca. Kelly Slater me falou sobre uma situação em que seu braço entrou fundo demais na parede do tubo em Pipeline, e que sentiu como se estivesse saindo do lugar. Ele percebeu que os músculos anteriores do ombro estavam encurtados e começou a alongá-los e também fortalecer os músculos posteriores para ajudar a proteger o ombro. Outros não têm a mesma sorte, pois deslocam o ombro num caldo, como no caso do Nathan Hedge, em Teahupoo, alguns anos atrás. Por isso é sempre bom estar preparado fisicamente para o pior. É sempre uma pena ver lesões evitáveis acontecer devido à falta de preparação. Outros problemas comuns são os de quadril, devido à força usada na hora de girar o corpo para fazer a cavada, a rotação excessiva de uma manobra ou de aterrisar depois de um floater. Quando a articulação que junta quadril e coluna trava, pode causar de dor lombar até hérnia, mesmo sem a pessoa saber. O ajuste quiroprático é excelente para combater tudo isso. Nos campeonatos presto muita atenção nesse ponto. Com todos os surfistas faço um tipo de liberação muscular que aumenta a mobilidade e rotação dos quadris. Esse tipo de trabalho é individual. Apesar de ser um padrão geral, cada surfista é testado antes e depois para comparar a mobilidade.
06. Quais os surfistas mais bem preparados fisicamente no Tour?
Com certeza Mick Fanning, Joel Parkinson, Adriano de Souza, Kelly Slater, Mick Campbell e Taylor Knox. Num grupo é fácil perceber quem está se cuidando com alongamentos, boa alimentação, ajustes quiropráticos regulares e na recuperação adequada de lesões. Para ser justo com os brasileiros, este ano não tive a oportunidade de examinar e tratar todos, mas vejo uma tendência dos surfistas com mais tempo de circuito estarem mais focados nessa preparação. Os mais jovens ainda não se preocupam com isso seriamente, o que não é correto. Eles poderiam começar a seguir os hábitos dos surfistas mais experientes, o que não somente evitaria muitas lesões desnecessárias, mas também melhoraria a performance em geral. Adriano Mineirinho é a exceção. Em Imbituba pude perceber que ele está sendo bem assessorado em relação a preparação física e alimentação. Diferentemente do passado, quando só a performance importava, os surfistas que quiserem se manter entre os melhores devem cuidar com seriedade da saúde.
O quiropraxista Jason Gilbert tem clínicas na capital paulista e também uma unidade na cidade do Rio de Janeiro. Neste mês de outubro chega às livrarias o livro "O Segredo da Coluna Saudável, Siga os Passos para uma Vida sem Dor", de sua autoria, em parceria com a Editora Gaia. Para maiores informações clique aqui.
SurfARTE
O surf através dos tempos provou estar muito além de estereótipos bobos e superficiais tais como o de os surfistas serem “vagabundos de cabelo parafinado e fala lenta”. Expandiu horizontes e mostrou ao mundo todo seu potencial. Engajou-se no mundo dos negócios e marketings, reafirmou sua simbologia cultural, mostrou ao mundo sua história, envolveu-se com a saúde e hoje é sinônimo de qualidade de vida. Porém, talvez sua maior e mais intima relação tenha se estabelecido com a aparentemente distante, mas intimamente próxima ARTE.
O surf dropou naturalmente no mundo artístico e como num floater deslizou pelas mais diversas ondas da ARTE, passa pela fotografia, filmagem, pintura, escultura, música, crônicas, textos, verso, prosa e o que mais o oceano de criatividade resolver despertar. Mesmo explosivo e cheio de adrenalina como todo esporte digno de denominar-se radical, o surf demonstra-se sutil e instiga sentimentos, desperta a vontade de eternizar tanta pureza e sutileza em ARTE.
Manobras fortes de posições acrobáticas e harmoniosas somadas a cenários pitorescos cheios de tons e vida, eternizam-se em fotografias.
Toda movimentação que envolve o corpo do surfista, a aproximação da ondulação, o spray na crista das ondas provocado por um bom terral e toda dança da natureza no palco dos litorais fica registrado em boas e bem editadas cenas de filmagem.
Os variados tons do surf refletem a tranquilidade e inspiram mãos donas de pincéis encharcados de um spectro de cores vivas que preenchem telas e criam pinturas dotadas de beleza e criatividade.
Com matéria prima retirada do surf como pranchas quebradas e roupas de borracha rasgadas, ou não, o surf também inspira esculturas que com formas variadas corporifica toda sua plasticidade e dinamismo.
O surf com certeza está na música, entuba nas ondas sonoras e cria batidas diferentes. Criou a “surf music” com embaixadores como Jack Johnson e Donavon Frankenreiter, no entanto, sua trilha sonora respeita e admira variados ritmos; o surf está tanto no reggae, como no blues, está no hard core e até na bossa nova, como na composição de Jobim de "Surfboard".
Descrito por palavras o surf é aventura, romance, verso e prosa. Esse surf de palavras já virou livro, sendo registrado por sua beleza e registrando sua história. Elogios viajam nas linhas desenhadas nas ondas e rasgam-se por textos, crônicas e poesias. Como nos versos de Manuel Alegre em “Surfista”:
"De pé na frágil tábua
onda a onda ele escrevia
poesia sobre a água.
Era uma escrita tão una
de tão perfeita harmonia
que o que ficava na espuma
não se podia apagar:
era a própria grafia
do poema do mar."
O surf como ARTE talvez não seja conhecido há muito tempo. Mas acordar cedo com um nascer do sol alaranjado como cenário para no quadro das ondas desenharem a linha de surf é uma ARTE e essa os surfistas já conhecem há séculos.
Já dizia um velho ditado
Mineirinho que de mineiro só tem o apelido, provou também que “não come quieto”. Botou pra baixo, arrancou highs scores dos juízes, euforia da galera, “uhuls” dos companheiros e desconcertou o Velho Mundo com seus poucos e comprovadamente maduros vinte e dois anos. Com sua audácia Mineirinho chegou até a repaginar a imagem do tradicional azarento número treze, lembrando em sua primeira entrevista após a final da coincidência entre sua primeira vitória no tour em 13 de outubro e seu aniversário comemorado em 13 de fevereiro. Coincidência ou não, esse tal de 13 trouxe ao Mineiro sua primeira conquista no circuito e ao surf brasileiro o nascimento de uma das suas maiores esperanças da atualidade.
Billabong Pro Mundaka
O paulista Adriano de Souza conquistou a primeira vitória de sua carreira no ASP World Tour nesta terça-feira, ao vencer o australiano Chris Davidson na final do Billabong Pro em Sopelana, País Basco.
"Estou muito feliz com minha primeira vitória. Quero agradecer a todos que me deram suporte para estar aqui, meu patrocinador e minha famíla. Muito Obrigado! Este foi nosso, Brasil!", vibra o campeão da etapa, completamente emocionado.
Renascer
O Oceano estava lá, como sempre, em toda sua majestade com seu infinito manto azul subindo e descendo, balançando com ternura seus súditos e seres que fazem desse manto e reino seu habitat natural. Dono do maior império já visto, alcança todo o redor do globo, chega nos lugares mais inóspitos e produz os mais diferentes cenários, desde a movimentada província Atlântica a misteriosa e ironicamente denominada Pacífica. O Pacífico, a maior das províncias, esconde mistérios e embora sustente uma imagem paradisíaca, revela-se altamente temperamental.
É POSSÍVEL SURFAR UM TSUNAMI?
O atual mito é a onda de 100 pés, que equivale à altura de um prédio de dez andares, nunca antes surfada. Já parou pra pensar na força desse vagalhão? Muitos surfistas se preparam para esse grande desafio, mas será que algum deles já se imaginou surfando algo com volume de água 5.000 vezes maior?
Uma onda bem menor que Jaws, em altura, porém, bem maior em largura; um outro gigante, capaz de devastar cidades e desaparecer com milhares de pessoas. Como a tragédia que aconteceu semana passada, na Ásia.
O tsunami com certeza não atinge os 100 pés de altura, que acreditam poder alcançar um dia a onda de Cortes Bank, mas sem dúvida é a mais tenebrosa onda do planeta, aquela na qual ninguém gostaria de se pego desprevenido, ou... poderíamos dizer... sem sua prancha?
QUEM SE AVENTURA?
Na tentativa de entender como seria essa loucura, algumas pessoas até comparam a idéia com surfar uma pororoca gigante. Seria preciso uma prancha com flutuação bem maior para suportar a força das suas águas e também a ajuda de potentes jet-skis, pois o tsunami é 20 vezes mais rápido que a onda comum. Tomar cuidado para não trombar com troncos de árvores e pedaços de casas no meio do caminho também não seria exagero, já que o tsunami avança a 800 km/h pelo oceano e, quando chega à costa, varre como uma avalanche praias e cidades, arrastando detritos.
Isso mesmo, uma avalanche. Essa é a forma de um tsunami, uma enorme espuma branca... Já pensou perder sua prancha por ali?
Fui pesquisar se haveria algum candidato para tal loucura, e descobri um voluntário a cair na água no meio de uma grande tormenta. Ele contou na reportagem que "numa onda de maremoto eu iria, mas teria de ser de tow-in e com um bom parceiro me rebocando. Já caí no mar no meio de um furacão no México. Tinha 25 pés de onda, e fui o único a estar ali". Além disso, ele completa "mas o tsunami mesmo eu não sei se daria para surfar, porque a onda não tem parede e a espuma dele te varre".
Já que a tarefa parecia inviável, fui ver se valeria a pena sair a bordo de um jet-ski ou barco a motor procurando um lugar em alto-mar, onde talvez seria possível surfar o tsunami. Ao perguntar a um amigo e estudante de oceanografia, ele diz não acreditar que esse lugar exista, porque a formação do tsunami é diferente à de uma onda comum. "O tsunami em alto-mar é uma ondinha muito baixa e que não quebra. Tanto que ele pode até passar despercebido".
Mas é interessante imaginar o surf sobre um tsunami. O peruano Felipe Pomar certa vez disse ter realizado a proeza, em 1974, numa ilha próxima de Lima, capital do Peru. Ele e o amigo Pitti Block estavam no mar, pegando ondas de 1 metro, quando o local foi atingido por um violento terremoto. Os surfistas foram sugados por quase 2 quilômetros oceano adentro, e meia hora depois Pomar teria conseguido pegar e surfar um tsunami de 3 metros até a praia. "Remei através dos destroços e cheguei a terra. Pitts chegou um pouco depois. As pessoas vinham correndo dos morros, sem acreditar que estávamos vivos", contou Pomar, anos depois, em uma entrevista na revista Surfer.

