Surf Camp Asilo


A indústria do surf tem marcado a maior bobeira. Isso porque teima em brigar por um único mercado, o dos adolescentes. Todas as marcas de surfwear disputam os mesmos moleques de sempre, mas se esquecem de que a garotada de ontem vai ser, um dia, a coroada de amanhã. E essa velha guarda está completamente desassistida. Não tem nada nas prateleiras das lojas de surf para os carecas, pancinhas, ceguetas, surdinhos, capengas. Nada.

Tive a idéia de escrever sobre o assunto quando observei, nas areias do Arpoador, um véio gordito tentando se espremer numa roupa de borracha alguns tamanhos menor que o dele. O tempo foi cruel com o figura e aquela roupa que ele costumava usar muitos anos atrás já não entrava mias nem por um decreto. Pensei que o cara fosse sufocar na tentativa. A cena era aflita ─ barrigão para todos os lados, olhos esbugalhados pra fora e aquela roupa esticadaça sem conseguir fechar. O cara não conseguia se mexer e olhava fixo na direção do horizonte. Nem sei o que aconteceu, porque fui cair e na volta o pobre não estava mais lá.

Com o passar dos anos, ganha-se uns quilinhos a mais. É da natureza humana. Então porque não fundir as tradicionais roupas de borracha com as famosas cintas térmicas que emagrecem? Uma boa dica pra Rip Curl. Você fica quentinho e ainda ajuda no emagrecimento. Surfistas acima do peso como Greg Noll e Pancho Sullivan seriam sérios candidatos a patrocinados dessa nova linha e poderiam estrelar campanhas com fotos estilo antes e depois. “Eu era assim, 160kg, tinha a maior dificuldade em andar nas merrecas, mas depois da minha Rip Curl Emagrocinta me sinto bem melhor. Estou com 85kg e voando nas marolas”, diria nossa estrela peso pesado.

A Quiksilver, por sua vez, podia muito bem lançar uma linha de perucas Kelly Slater. Todo mundo sabe que sol e água salgada são os maiores vilões dos fios de cabelo da galera, e por isso quanto mais o tempo passa mais lustrosas ficam nossas cabeças. Por alguns milhões, o 9× campeão do mundo voltaria a se parecer com aquele adolescente loirinho da Flórida de tempos atrás. E o que a marca iria faturar com essas Perucas Kelly não está no gibi. A Billabong, por sua vez, deveria lançar tintura para cabelos grisalhos. Eles poderiam comercializar, por exemplo, as linhas Blond Irons, para os que gostam de cabelos dourados, ou Moreno Jambo Parkinson, para cabelos negros. Sem falar em amaciantes para cabelos rebeldes e emaranhados modelo Afro Machado.

Canso de ver malandrinho sentado no outside com os olhos espremidos tentando enxergar alguma coisa. Bem que a Oakley poderia inventar e vender óculos de grau à prova de ondas para os míopes e ceguinhos. Imaginem a felicidade desses senhores podendo enxergar tudo, até mesmo a próxima série, a última do anoitecer, com seus óculos fundo-de-garrafa Oakley Blind Series. E porque não aparelhos auditivos Hang Loose, que além de impedirem a entrada de água salgada no ouvido, ainda ajudariam contra a incômoda surdez? Pelo menos no crowd de terceira idade, com Oakley Blind Series e Audio Loose, aquelas ridículas desculpas de “foi mal, não te vi” ou “eu não ouvi você gritando” acabariam de vez.

Mas de todas as minhas sugestões para atender aos esquecidos surfistas de fim de carreira, talvez a melhor e mais importante seja o plano de previdência Surf Camp Asilo. O cara vai pagando suaves prestações por um número × de anos e depois tem direito a se aposentar e se internar num asilo para velhinhos surfistas. Boa idéia para os surf camps existentes ampliarem seus negócios e atingirem um outro mercado. Tavarua Surf Camp Asilo, Grajagan Surf Camp Retiro. Mas como a turma já vai estar caindo aos pedaços, os picos deverão ser bem facinhos e com um canal tranqüilo. Além disso, enfermeiras gostosas cuidariam da galera, dariam aquela força pra vestir o short, passar parafina e ainda ouviriam pacientemente as cascatas dos “velhos tempos”. Espero que quando chegar a minha hora, já tenham fundado essas operações e eu possa me internar num desses. De preferência com uma esquerdinha bem perfeita na frente.

Newton Alves Filho


A princípio parece um museu de pranchas de surf, são mais de quarenta, de shapers do mundo todo, vários tamanhos, modelos e diferentes pinturas.

Mas o lendário surfista carioca Newton Alves Filho faz questão de falar que de museu sua coleção não tem nada, todas as pranchas formam o seu quiver que vai de uma nove pés para ondas gigantes até uma fish usada para manobrar nas marolas. Newtinho, como é mais conhecido, vê suas pranchas como ferramentas, com funções específicas para os diferentes trabalhos, no caso os diversos tipos de onda. Ele está preparado para qualquer mar, por isso é como ver sempre uma prancha diferente embaixo do braço. Em sua casa há pranchas espalhadas por todos os cômodos, amontoadas no rack do seu quarto, em cima do armário, na sala e até embaixo da cama.

Além de quiver, suas pranchas formam uma coleção de dar inveja a qualquer surfista. Um pouco da história do surf pode ser contada através delas. Uma linda 6'3" usada pelo primeiro campeão mundial Peter Towned, uma 6'1" do tri campeão Tom Carrol. Duas pranchas do Sunny Garcia, sendo uma delas usada em Sunset no ano em que foi campeão. A prancha consagrada por Taylor Knox nos filmes do Taylor Steele. Uma 7'2" do Sheena, que foi a última que ele shapeou no Brasil. Além de pranchas dos Top’s Mark Occhilupo, Rob Machado e Kalani Robb, e um modelo do Beto Santos de tow in usado por Eraldo Gueiros na Ilha de Lobos.

Newtinho não mede esforços para conseguir as pranchas, muitas vezes comprando dos próprios surfistas. Mas seu quiver conta com pranchas feitas sob encomenda por shapers brasileiros e gringos. Entre elas uma 8'2", que é uma de suas favoritas, shapeada pelo lendário havaiano Dick Brewer. Uma das primeiras pranchas de epoxy no Brasil, do Sheena ─ quando a tecnologia era ainda totalmente experimental. Uma 8'10" do brasileiro residente no Hawaii, Jorge Vicente. Algumas pranchas originais do Mayhem (...Lost) e do Al Merrick, além de uma relíquia shapeada pelo falecido Wanderbill, um dos caras que marcou a fabricação de pranchas no Brasil.

Newton acompanhou o desenvolvimento das pranchas no Brasil e no mundo, e sua coleção evidencia isso. Ele conhece todas as suas pranchas, como funcionam nos diferentes tipos de onda.

Acima de tudo, sua coleção é mais uma prova da paixão de Newton Alves pelo surf, que já dura mais de cinqüenta anos.

Renovação na sala de justiça

O AUSTRALIANO RICHIE PORTA ASSUME INTERINAMENTE O CARGO DE JUIZ CHEFE DO ASP WORLD TOUR, QUE INICIOU A TEMPORADA 2010 NA GOLD COAST COM NOVIDADES NO SISTEMA DE JULGAMENTO.


Com a saída do também australiano Perry Hatchett da Association of Surfing Professionals, anunciada em fevereiro último, a entidade finalmente pôde promover algumas desejadas e significativas mudanças em seu sistema de julgamento. Depois de 12 anos comandando o quadro de juízes do Circuito Mundial, Hatchett não chegou a um acordo com a ASP e seu contrato de prestação de serviços não foi renovado.

Com isso, Richie Porta, que vinha fazendo um belo trabalho como juiz chefe do Circuito Mundial feminino, foi chamado para assumir interinamente o cargo. Segundo o brasileiro Renato Hickel, gerente geral do Tour, Porta deverá ser efetivado em breve.

Sem o Perry, finalmente conseguimos aprovar uma importante mudança que eu vinha tentando há quatro anos, que é a utilização de dois ou mais juízes chefiando o painel julgador do Tour, um sistema criado no Brasil que dinamiza bastante o trabalho. Essa era a única área da ASP que não havia sofrido nenhum tipo de renovação desde que o Perry assumiu. Nos últimos anos tivemos uma série de mudanças no Circuito, como o aumento do quadro de juízes, a implementação do sistema de computação e de vídeo replay, ambas inovações trazidas do Brasil, a utilização de jet-skis e o sistema de baterias simultâneas, que afetaram o controle da prioridade e aumentou a responsabilidade do juiz chefe. Mas ele continuava sozinho para controlar tudo”, explica Hickel.

Por causa disso, os surfistas reclamavam que quase não tinham acesso ao quadro de juizes para trocar informações, discutir resultados, comentar ou protestar”, ressalta o brasileiro. É por isso que ele defende a presença de dois ou mais profissionais realizando esse trabalho. “Na Gold Coast, tivemos o Porta atuando como primeiro juiz chefe, o havaiano Dave Shipley na posição de segundo e o também australiano Pritamo Ahrendt como terceiro, sendo que os três podem alternar suas posições, além de atuar também como juízes e atender surfistas e imprensa. Essa rotatividade é positiva e foi bastante elogiada na etapa de abertura do Tour”. Hickel também enfatizou que o segundo e o terceiro chefe dos juízes poderão mudar a cada etapa, o que dá chance de bons profissionais mostrarem seu trabalho: “Na etapa do Brasil, por exemplo, devemos ter o Luli Pereira como segundo ou terceiro juiz chefe. Ele tem sido muito elogiado e com isso podemos renovar o quadro e estimular esses profissionais a melhorarem sempre”.

O dirigente não entrou em detalhes sobre os motivos que levaram à não renovação do contrato de Hatchett. Mas, segundo reportagem publicada sobre seu desligamento, além das questões técnicas e da inflexibilidade do australiano perante a série de mudanças sugeridas ao longo de sua gestão, também pesou a falta de habilidade no trato pessoal. “Ele é muito inteligente, sabe muito sobre o esporte, mas não tem habilidade com as pessoas. Estamos numa época democrática e acho que os juízes não estavam rendendo 60% da capacidade quando eram direcionados por ele. Espero que agora a gente consiga trabalhar pelo esporte sem política”, disse o juiz brasileiro Ícaro Cavalheiro. O baiano Lapo Coutinho, juiz filiado à ASP Hawaii, completa: “A saída dele dá oportunidade de a ASP fazer mudanças que nunca foram aceitas por ele com medo de que alguém tomasse seu lugar. Os juízes também serão tratados com mais dignidade”, finaliza Coutinho.

THE DRIFTER

The Drifter é inspirado na viagem que Rob Machado fez pela Indonésia em busca de si mesmo.

Tudo no filme parece calculadamente despretencioso, da atuação do protagonista, às coisas que dão errado e também as coisas que dão certo.

As sessões de surf são poucas e faz muita falta imagens de dentro d’água do cabeludão Machado. As cores no filme são fortes, sempre com aquela textura que hoje domina o mercado da propaganda de cerveja no Brasil, puxado pro dourado, pra vender mais bermudas da Hurley.

A edição parece ligeiramente aflita em trocar de ângulos, e raramente uma imagem se detém por mais de 3 segundos, com raríssimas exceções.

O filme é um lançamento da Warner e tem uma trilha bem decente, liderada pelos Raconteurs de Jack (White Stripes) White e Brandon Benson, os pesados e sujos Black.

Keys, The Shins, Iron and Wine, Jose Gonzales e Bom Iver, misturando o melhor da música que já foi chamada de alternativa e hoje domina iPods de gente descolada (seja lá o que isso quer dizer) no mundo inteiro.


DIREÇÃO Taylor Steele.
TRILHA SONORA MGMT, Matt Costa, Morning Breeders, Raconteurs, Black Keys, The Shins, Iron and Wine, Jose Gonzales e Bom Iver.
EXTRAS Melhor do que a atração principal.
PORQUE ASSISTIR Rob Machado ainda é um dos surfistas mais agradáveis para ver surfando sem parar, prefira o bônus, sem lenga-lenga, puro surf.
NÃO DEIXAR DE CONVIDAR seus amigos que amam o surf de raiz.

MODERN COLLECTIVE

‘Essa é uma mensagem para os jovens, gente abaixo dos 25 anos... Certamente para gente com menos de 40. Se você tem mais de quarenta, não estou certo se você deveria ouvir isso...’


Assim começa o filme mais copiado dos próximos 5 anos.

Kai Neville é Dane Reynolds dos DVDs de surf na entrada dessa nova década.

Taylor Steele se deu conta que sua fórmula estava desgastada e chamou esse garoto australiano para assumir seu famoso filme anual de porrada comendo solta.

Neville chamou Dusty Payne, Yadin Nicol, Mitch Coleborn, Dane Reynolds, Jordy Smith e Dios Agius e fez uma espécie de família Felipão da nova geração.

O resultado é fenomenal.

Kai é cuidadoso em todos os detalhes do DVD, fotografia impecável, edição elegante e criativa, trilha duca (apesar de meio boiola as vezes).

O jeito de apresentar os clipes foge da bobagem que acostumamos a ver e as sessões são divididas por lugares e não por surfistas, como Steele sempre fez, o que dá uma dinâmica bacana ao DVD.

Jordy Smith faz coisas que até agora estou em dúvida se vi mesmo ou sonhei.

Dusty e Coleborn estão melhores no BS (novo filme da Volcom), mas, também, perto do que Jordy faz no filme, todo o resto sofre.

Dane não parece muito entusiasmado com a idéia do filme, ainda assim vale por cada manobra.

Dion Agius é um grande equivoco, deve ser muita gente fina e camarada do diretor de outros carnavais.

Se tivesse que apontar algum defeito, seria a quantidade de ondas editadas com apenas uma manobra, às vezes dá vontade de ver os caras mais tempo na onda pra variar.

Os extras do DVD merecem atenção, pipoca e guaraná.


DIREÇÃO Kai Neville
TRILHA SONORA Tiga, The Castaways, Primal Scream, Split Enz, Sebastien Tellier, Annie, M83, ZZT e G.L.O.V.E.
EXTRAS Mais de meia hora com sessões que não entraram no filme e uma só pro Jordy.
PORQUE ASSISTIR Kai é um artista, Jordy é um artista, Dane é um artista, Mitch é um artista, Dusty é um artista ─ Dion queria muito ser um artista e até usa gorro pra provar.
NÃO DEIXE DE CONVIDAR os amigos que gostam de cerveja, gorrinho e acham que alley up é coisa de coroa.

11 perguntas para... Maya Gabeira

ELA COMEÇOU A SURFAR INCENTIVADA POR UM NAMORADO, EM UMA ESCOLINHA DO ARPOADOR, NO RIO DE JANEIRO. COM APENAS 8 ANOS ENTRE VACAS ASSUSTADORAS E DROPES BEM-SUCEDIDOS, A CARIOCA MAYA GABEIRA, 23, JÁ ENCAROU ALGUMAS DAS ONDAS MAIS PERIGOSAS DO MUNDO E GANHOU DESTAQUE MUNDIAL AO VENCER TRÊS VEZES CONSECUTIVAS O BILLABONG XXL GLOBAL BIG WAVE AWARDS.



01. POR SER MULHER, OS CARAS TE DÃO UM TRATAMENTO DIFERENCIADO? ROLA UMA PROTEÇÃO EXTRA?
Acho que sim, mulher você não trata que nem homem, né?! (risos). Eles me protegem com certeza, acho que isso é da natureza. Viajando com uma menina, normalmente o cara em a tendência de protegê-la e ajudá-la.

02. VOCÊ APRENDE MUITO COM ELES?
O tempo inteiro. Para evoluir, não vai ser viajando com a galerinha ou com as minhas amigas. Imagina se eu estivesse com uma amiga em Mavericks, e não com Danilo Couto, no dia em que pegamos o pico sinistro. Lógico que eu não teria surfado. Só uma pessoa que nem o Danilo para olhar e não conseguir ver o line-up, não conseguir ver as pedras logo ali ao lado e falar: “Não, vamos de qualquer jeito, está 30 pés clássico!”. Essa é a diferença. Homem tem uma visão no surf que é absurda. Eles sabem tudo de ondulação, de mapas e tudo de equipamentos. O lugar e a hora certa. É muito impressionante, você não vê mulher assim. Eu sempre falo: “Gente, como eu vou andar com mulher?” Você não tem um Jeff Clark mulher em Mavericks, um Andrew Marr mulher na África do Sul... e assim por diante.

03. COMO VOCÊ DECIDIU FAZER TOW IN?
É tudo muito recente, mas além de achar que era uma boa hora, o principal fator foi a oportunidade. Surfando com o patrocínio da Red Bull, tenho facilidade de ter jet-skis no Brasil e no Hawaii. E ter o Burle na mesma equipe, que pode estar comigo, sair comigo e está a fim de me ajudar, de me ensinar, facilitou tudo. E o principal: chega uma hora que você encontra o limite da natureza, onde não é possível entrar nas ondas remando.

04. VOCÊ JÁ SE SENTE PREPARADA PARA ENCARAR ESSE TIPO DE SITUAÇÃO NO TOW IN: PEGAR MAVERICKS, JAWS OU TODOS SANTOS NOS DIAS MAIORES? ACHA QUE CHEGOU NESSE NÍVEL FÍSICO E PRINCIPALMENTE PSICOLÓGICO?
Ainda não cheguei. Mais é um esporte novo para mim e ainda não tenho intimidade com a máquina e com o equipamento. Vai ser como foi na remada, no momento que eu entender o que estou fazendo realmente, quando conhecer a prancha que eu estou usando e puser meu tempo naquilo. Aí sim, a confiança vai vir. Se você não botou seu tempo naquilo, não vai estar preparado para puxar seu limite e chegar em uma condição extrema. Eu tive confiança para surfar Waimea, com a baía fechando, por exemplo, mas até esse dia, eu já tinha ido uma, duas, três, quatro vezes e ficado milhões de horas olhando. Aí sim você fala: “Tá bom, acho que agora estou a fim de tentar, porque eu boto meu tempo, me dedico, estou focada e amo o que eu faço. Vou tentar ir mais longe”.
Acho que com o tow in será o mesmo. Vai ser um ano, dois, três, até eu estar tão confortável com a máquina, com o resgate e com um parceiro estável. Se estiver tudo no esquema, acho que será possível surfar qualquer tamanho.

05. NUMA DUPLA DE TOW IN, UM FICA RESPONSÁVEL PELA VIDA DO OUTRO. O RESGATE ACONTECE MUITAS VEZES EM PLENA ZONA DE IMPACTO, NUMA SITUAÇÃO SINISTRA. VOCÊ SE SENTE PRONTA PARA ARRISCAR A VIDA NA FRENTE DE UMA BOMBA DE 50 PÉS, PARA SALVAR SEU PARCEIRO?
Eu me vejo fazendo isso. Acredito que eu possa chegar nesse nível. Estou disposta a correr riscos. Vai ser uma evolução natural, entendeu? Que dá medo, dá. Mas eu estou há uns três meses enfrentando essa realidade e converso muito com o Burle sobre isso. Sei que esse é um estágio novo e que você se coloca em umas situações que podem ter conseqüências horríveis. Muito mais extremo do que se você estivesse na remada. No braço, você não teria ido parar ali, você tem um instinto e milhões de coisas que não te deixam estar naquela situação, onde a máquina te deixa. Mas, rebocado, você se vê botando para dentro muito mais fundo, na primeira da série, dropando atrás do pico, coisas assim. É muito complicado. Eu sempre falo para o Burle: “Cara, quem é o louco que fala que tow in é fácil?”. Não existe esporte mais extremo, em alta velocidade e com tanto impacto.

06. COMO FUNCIONA ESSA PARCERIA COM O BURLE?
É uma grande amizade e ao mesmo tempo um grande desafio para nós. Ele tem 40 anos, é um cara top no esporte. Ele olha pra mim, uma menina de 23 anos, que surfa há 8, e deve falar: “Caraca, brother, que loucura... Onde será que eu vou conseguir chegar com ela?”. Acho que ele tem uma expectativa também, sabe? De quanto uma mulher pode evoluir dentro de um esporte tão masculino. E eu tenho o desafio de estar com meu físico, meu psicológico e meu ritmo juntos com os dele. Vai ter que ir rolando uma adaptação constante. A gente se fala por e-mail, estamos sempre em contato, sempre tentando entender o outro, fazer os planos certos, estar nos mesmos lugares. Acho que esta nova fase muito interessante. É um caminho longo.

07. A PARCERIA COM ELE EXISTE EM FUNÇÃO DA RED BULL?
Acho que se eu fosse da Red Bull e a gente não se desse tão bem, ele não ia querer entrar neste projeto de formar uma dupla mista. A coisa aconteceu mais da gente mesmo. Rola uma empatia e ele sabe que é uma coisa que eu desejo muito. Acho demais porque ele vê o quanto me dedico. Chegou um momento em que ele quer participar dessa evolução, me mostrar o caminho e também descobrir aonde será que consigo ir. Mas isso é muito cedo para saber. Nossa, eu sofro, apanho e fico destruída. Estive no Tahiti e tinha hora que eu olhava e falava: “Burle, isso aqui não é esporte pra mulher”. E ele respondia: “Agüenta!”. O corpo de homem é muito diferente do de mulher. A primeira vez que eu puxei no Tahiti tinha 4 pés de onda e já foi bem complicado, dá muito medo de perder o jet-ski. Surfar em Teahupoo é adrenalina pura. De repente vem uma ondulação, ele levanta e fala: “Vai, vamos nessa!”. Você não sabe no que está se metendo, e de repente está num buraco, muito mais fundo no tubo do que gostaria. É algo assustador (risos).

08. COMO É A SUA RELAÇÃO COM AS OUTRAS MENINAS COMPETIDORAS? PRINCIPALMENTE AS BRASILEIRAS, VOCÊ SOFRE ALGUM TIPO DE PRESSÃO?
Eu as vejo muito pouco e diria que não tenho uma relação. É estranho, mas no meu esporte não tem muita competitividade, e se você for pensar, eu não tenho que competir com ninguém. Eu não consigo nem ver o Billabong XXL como uma competição. Porque tudo que envolve o XXL acontece em dias tão extremos, que eu não penso em surfar melhor do que outra mulher. Penso mesmo em dar o melhor de mim, conseguir fazer a cabeça e sobreviver. Estar na água sempre em situações extremas, querer surfar o dia inteiro quando está gigante, fazer imagens, evoluir, surfar as maiores. Essa é minha pressão.

09. OS ATLETAS, EM GERAL, SEMPRE SE ESPELHAM EM ALGUÉM. E NO SEU CASO?
Eu nunca tive alguém que eu olhasse e falasse: “Nossa, eu quero chegar e ser aquilo”. Acho que sempre olhei para o mar e falei: “Nossa, eu queria surfar aquele tipo de onda”. Quando assisto aos filmes de surf, eu penso: “Quero surfar Teahupoo daquele jeito”. Mas com certeza os big riders como o Burle, Danilo Couto, Jeff Clark, são pessoas que me inspiram, e eu gostaria de um dia chegar no mesmo nível deles.

10. SEUS PAIS APROVAM SUA CARREIRA?
Com certeza me apóiam muito. Minha mãe é minha manager, e meu pai é um superamigo. Sempre falo com eles por e-mail ou por telefone. Mas é lógico que ficam bastante preocupados. Em setembro de 2007 fui capa do jornal “O Globo” e saiu na matéria que eu estava com a idéia de surfar ondas gigantes, com o Carlos Burle me rebocando. Minha mãe me mandou um e-mail me parabenizando e comentando assim: “Todo mundo veio elogiar sua coragem, mas tem mesmo que ser 20 ou 30 metros de onda? Isso me assusta”. Eles gostam, acham legal, mas ficam imaginando qual será o meu limite.

11. ATÉ QUANDO VOCÊ PRETENDE SEGUIR NA CARREIRA DE SURFISTA?
Ai, não sei. Vejo o Laird Hamilton e o Burle com mais de 40, por exemplo. Espero estar nessa faixa de idade, ainda no big surf. Acho que é uma carreira longa. Quanto mais experiência, melhor. Um ano melhor que o outro, sempre. Se você for segurando a onda do seu físico, se é uma pessoa preparada, que se cuida desde cedo, acho que dá pra estender até uns 45.

INNERSECTION_INSCRIÇÕES ABERTAS


Já pensou em fazer parte de um filme de Taylor Steele? Esta é exatamente a idéia de “Innersection”, o novo projeto do criador de Momentum I e II, Stranger Than Fiction e The Drifter. Ao longo do ano, surfistas de todo o mundo poderão enviar seus vídeos de ação (uma seção com a duração de uma música), e competirão entre si pelas 20 seções que irão compor o próximo filme do videomaker californiano.

E não pense que um videozinho com algumas manobras no quintal de casa, acompanhadas da sua música favorita entrará para a seleção final. Quem decidirá os ganhadores serão os próprios internautas, através do site. Basta olhar os comentários postados em qualquer vídeo de surf amador no YouTube para entender que internauta é um bicho crítico.

E para que você não faça feio ao carregar seu material no site, criador do projeto deu algumas dicas de como fazer um bom vídeo. “Fica confuso assistir a uma seção com muitas roupas e ondas diferentes. Ache um lugar que cumpra certo objetivo e filme umas cinco ondas lá vestindo a mesma coisa, mesmo que seja em dias diferentes. Depois, vá para um local novo, e vista roupas diferentes. Assim a seção flui melhor”. De acordo com ele, o foco do editor deve ser achar um som original, em sintonia com o surfista, porém, que não seja ouvido no rádio ou em outros filmes de surf.

Começando em março, a cada dois meses serão eleitos cinco vencedores, que farão parte do filme. Serão quatro ciclos, totalizando 20 seções, e ao final, a melhor seção dentre as vencedoras será a ultima parte da produção ─ algo considerado um prêmio em filmes de surf.

Mas o que fazer para competir com atletas como Jamie O’Brien, que já estão indo atrás de ondas específicas apenas para montar uma seção bem equilibrada? O jeito é ser criativo. Vá atrás da melhor música, capture um surf diferenciado, com manobras, tubos, aéreos e ondas de todos os tipos, e não se limite ao surf ─ inclua clips que passem não só a ação, mas a personalidade do surfista. E o mais importante, tudo isso com estilo. Segundo Steele, “É uma grande colaboração entre o videomaker, o editor e o surfista”.

Para as regras oficiais do concurso, mais dicas de edição, além de uma seleção de músicas pré-aprovadas, disponíveis para download, acesse o site. Cadastre-se gratuitamente para fazer parte do projeto, seja votando ou fazendo um upload próprio.

Simples Olhar

Simples Olhar é o resultado do ano de 2008 de Rafael Mellin e tem como proposta mostrar traços culturais de diferentes regiões do mundo. O foco não é apenas o surf, mas tudo que é vivenciado pelos surfistas nessas viagens ao redor do planeta. Com locações conhecidas, inusitadas e até exóticas, o filme vai da piscina de ondas de Kuala Lumpur, na Malásia, ao surf em um rio gelado de Munique, na Alemanha. Além de Califórnia, Indonésia, Brasil, México, Nicarágua e Chile ─ sempre com uma mensagem sublime entre uma sessão e outra, lançando “simples olhares” sobre as diferentes culturas. A trilha sonora é bem eclética, com bandas como Ancesttral, Mindflow e trilhas produzidas especialmente para o filme, com John Player Specials e Giba Moojen. O projeto contou com a participação dos atletas Etam Paese, Marlon Klein, Petterson Thomaz, Caetano Vargas, Tristian Aicardi, Fernando Moura, Cássio Sanchez, Marcos Sifú, Michel Flores, Mickey Bernardoni, Alan Fendrich, Daniel Cortez, Gustavo Shilickman, Yuri Castro, Willian Cardoso, Wiggolly Dantas, Tiago Bianchini, Yan Guimarães, Pedro Scooby, James Santos, Stephan Figueiredo, Bryan Franco e Igor Morais.

WAHINES


O surf feminino está em alta formando ídolos como Layne Beachley, Stephanie Gilmore e Silvana Lima no circuito mundial. Surfistas extremamente radicais, elas estão mostrando ao mundo que podem surfar como os homens, atacando as ondas com potência e radicalidade. Ver uma mulher surfando com agressividade é muito legal, mas as longboarders são um show à parte.

O surf de longboard se encaixa bem com alguns adjetivos que poderiam caracterizar uma garota... Suavidade, beleza, graça e classe. Uma questão de jeito e não apenas de força. Principalmente na Califórnia, mesmo com a variedade dos designs atuais, as meninas preferem os modelos clássicos, geralmente monoquilhas que, ao contrário do que muitos pensam, não são nada fáceis de surfar.

As wahines (meninas, na língua havaiana) entendem naturalmente o que a modalidade pede, sabem que não devem forçar manobras fora do tempo. Deslizam com fluidez e graça, esbanjando harmonia e caminhando em suas pranchas como se fossem modelos na passarela.

O surf clássico pede uma postura mais ereta, com a base junta. As curvas são mais suaves e os braços se movimentam pouco, auxiliando discretamente no equilíbrio e nas manobras. As passadas são bem curtas e só terminam quando os dedos dos pés estão pendurados para fora do bico. É difícil ver algum cara surfando assim hoje, entre esses e poucos bailarinos que resistem ao surf progressivo. Quer exemplos? Joel Tudor, Kevin Connely e Jimmy Gamboa são as maiores referências para as meninas.

Na Califórnia o longboard impera entre as mulheres, não só porque o surf delas se encaixa bem com o pranchão, mas também porque acaba levando em consideração o aspecto cultural que envolve os primórdios do esporte, criando uma identidade perfeita com o estilo retrô. É de satisfazer qualquer garoto ver surfistas como Belen Conelly, Belinda Baggs, Daise Shane e Jennifer Smith desfilarem nos seus pranchões. O bicampeão mundial Beau Young, certa vez disse que o longboard foi feito para as mulheres, pois na pranchinha é preciso usar força e no long só é preciso estilo, graça e suavidade. Finalizou dizendo que não tem nada mais bonito que ver uma gata surfando de longboard!

Aqui no Brasil, a categoria começa a se firmar, porém as meninas costumam usar modelos progressivos, influenciadas pelo estilo dos brasileiros, que têm uma linha mais radical. Algumas delas já competem no circuito mundial e esse intercâmbio tem mostrado resultados nítidos nas performances delas. A carioca Cris Pires está sempre viajando para aprimorar ainda mais seu estilo e a campeã brasileira Karina Abras, famosa por suas manobras radicais, já começa a aplicá-las com mais elegância após experiências internacionais.

Para alguns legends como Nat Young, o surf progressivo, que já é uma tendência mundial, está fazendo com que o longboard perca um pouco de sua identidade. No exterior as meninas parecem resistir bem a essa evolução (ou revolução), e isso tem sido importante para o longboard feminino, sendo seu grande diferencial, já que os homens (mesmo na Califórnia) estão dando mais atenção às "voadas" do que às "penduradas".

O surf é um esporte radical e até a sua mais clássica modalidade segue essa tendência. O importante é não deixar de lado a classe e o nose riding, que são a identidade do longboard. Sendo assim, a evolução é muito positiva, mas será melhor para as meninas se elas continuarem clássicas... Principalmente para nós que estaremos assistindo!

Quiksilver Pro Gold Coast 2010

O AUSTRALIANO TAJ BURROW CONFIRMA BOA FASE E VENCE A ETAPA DE ABERTURA DO ASP WORLD TOUR 2010, DERROTANDO NA FINAL O SUL-AFRICANO JORDY SMITH. ADRIANO DE SOUZA COMEÇA BEM E FICA EM QUINTO LUGAR NO QUIKSILVER PRO, DISPUTADO DE 27 DE FEVEREIRO A 10 DE MARÇO NA GOLD COAST.


O ASP World Tour 2010 deu a largada para mais uma corrida pelo título mundial de surf profissional. A tradicional etapa de abertura na Gold Coast australiana rolou em boas ondas no pico de Snapper Rocks, primeira seção do Superbank, um dos mais famosos point break de direitas do mundo. O fanático público local encarou muita chuva na maior parte dos dias e lotou a praia para conferir o show de perto.

O primeiro swell consistente da temporada entrou cerca de três semanas antes do evento, encerrando o longo período de flat que incomodava os surfistas e deixava um clima de ansiedade no ar. Durante a competição, as extensas ondas de Snapper chegaram a 2 metros nos melhores dias, mas as finais rolaram em ondas de 1 metro, com formação prejudicada pelo vento. Mesmo assim, foram suficientes para Taj Burrow confirmar a excelente fase que atravessa com a terceira vitória consecutiva em eventos profissionais desde o fim de 2009. A primeira foi no Pipeline Masters, em dezembro passado, no Hawaii. Depois, ele faturou uma etapa 4 estrelas do WQS, em Burleigh Heads, em fevereiro último. Agora, o aussie celebrou a mais significante seqüência de vitórias de sua carreira. Nascido e criado nas pesadas ondas do oeste australiano e disputando sua 13ª temporada no Dream Tour, Taj Burrow, de 31 anos, foi o estreante do ano em 1998 e, desde 2002, nunca saiu do seleto grupo dos Top 10.

Para vencer na Gold, ele derrotou o sul-africano Jordy Smith na decisão, pelo placar de 15.57 contra 12.56 pontos ─ deixando de lado os aéreos e optando por manobras sólidas de linha e arcos perfeitos, sempre nas melhores ondas da série. “Essa é a melhor sensação do planeta! Sinto que não surfei o meu melhor na final, só fiz o que deveria ser feito para vencer, nada muito selvagem. Preferia ter a abordagem do Jordy, que pegou um monte de ondas e se divertiu. Essa é minha estratégia, normalmente, mas desta vez funcionou diferente. Consegui ser mais paciente e seletivo”, explicou Burrow. Vindo de excelentes apresentações nas outras fases, Smith, de 21 anos, demonstrou tranqüilidade durante a decisão. Mesmo exibindo grande repertório de manobras e completando aéreos alucinantes, no entanto, não foi capaz de deter o inspirado aussie. Em seu terceiro ano na elite, este foi o melhor resultado de Smith no Tour. “Estou amarradão, esta foi minha primeira final no ASP World Tour. Estou me divertindo muito mais com meu surf, e tudo parece estar dando certo. Quero manter ritmo durante o resto da temporada”, disse o sul-africano.


TOPS EM QUEDA
Os Top 5 de 2009 começaram a prova com força total e exibiram performances de tirar o fôlego. Mas, com exceção de Taj Burrow, que atingiu o topo, o único que se manteve na mesma posição foi o brasileiro Adriano de Souza.

Para decepção da torcida local, os ídolos da casa deixaram a desejar. O atual campeão mundial, Mick Fanning, se deu mal nas oitavas-de-final e caiu diante de Kai Otton. Seu amigo Joel Parkinson, vice-campeão mundial e defensor do título da etapa, foi derrotado nas quartas-de-final pelo norte-americano Dane Reynolds. Bede Durbidge também caiu nas quartas, eliminado pelo finalista Jordy Smith depois de pegar o tubo mais insano do campeonato, na terceira fase, e chegar perto da nota máxima, com 9.93 pontos. Kelly Slater começou forte, mas nas oitavas-de-final não resistiu ao inspirado Jordy Smith, que impôs seu ritmo do início ao fim para vencer sem muita pressão. Outro fato marcante foi o retorno do havaiano tricampeão mundial, Andy Irons, que ainda não apresenta a mesma forma física de antigamente. Começou com uma atuação inexpressiva na estréia, passou apertado pelo compatriota Roy Powers na repescagem, mas caiu diante de Bobby Martinez na fase seguinte.


OS BRASILEIROS
Adriano de Souza teve excelentes atuações no evento e parou nas quartas-de-final barrado pelo campeão Taj Burrow, numa bateria com poucas ondas boas pelo placar de 17.70 a 14.40 pontos. “A bateria foi difícil, e é isso que acontece quando dois caras dos Top 5 se encontram, um show de surf. Consegui achar duas ondas boas e fazer novas acima de 7. era o que eu esperava, mas não encontrei nenhuma onda que me proporcionasse notas maiores do que essa”, explicou Mineirinho. Antes disso, ele derrotou sem dificuldades o taitiano Michel Mourez e o aussie Blake Thorton, na primeira fase, superou o amigo Jadson André, no terceiro round, e passou com vitória apertada pelo aussie Adrian Buchan, nas oitavas-de-final. Apesar da derrota, Mineirinho apresentou boas atuações nas baterias iniciais, sempre com drops atrasados atrás da pedra, cavadas fortes e ataques sem dó ao lip das ondas, além de jogar muito bem com a prioridade sempre que necessário.

Jadson André estreou no ASP World Tour com o pé direito e quebrou tudo no round inicial. O jovem potiguar demonstrou muita personalidade, confiança, e não quis nem saber quem eram seus adversários. Com um show de surf e 14.94 pontos somados, ele soube se posicionar e não deu chances aos locais Dean Morrison e Adam Melling. Abriu a bateria com um bom tubo logo nos primeiros segundos e depois soltou o pé nas extensas direitas do pico. “Eu estava um pouco nervoso porque era minha primeira bateria no ano, nunca tinha participado de uma no ASP World Tour, mas estava muito confiante em mim e na minha prancha. Já morei aqui cinco meses, então conheço um pouco esta onda. Foi show!”, comemorou Jadson. Infelizmente, pegou seu amigo e parceiro de viagem, Mineirinho, no terceiro round e acabou eliminado por 16.00 a 14.46 pontos. Mesmo perdendo, surfou muito bem, e com o desempenho apresentado poderia ter passado por grande parte das outras baterias da rodada, porém falhou na escolha de ondas e no jogo de prioridade.

Os catarinenses Marco Polo e Neco Padaratz começaram devagar no primeiro round, mas deram um gás forte na repescagem e apresentaram bom nível de surf, porém ambos encerraram suas participações por aí. Polo perdeu para o inspirado Jordy Smith e Neco, para o norte-americano Damien Hobgood, na bateria mais polêmica do campeonato. Neco entrou primeiro em cena e mostrou enorme disposição. Encontrou os tubos, chutou a rabeta com pressão e jogou água para todos os lados com fortes snaps. No entanto, Damien investiu apenas nas melhores ondas da série e trabalhou dentro do critério esperado pelos juízes para vencer a bateria por 16.57 a 13.53 pontos. “A gente treina, observa e analisa tudo, principalmente os detalhes, por isso sou tão intenso e me sinto tão mal em não conseguir me expressar mais dentro da água. Sou um cara que luta pelo que faz, não perco tempo à toa e posso também falar quando acho que as coisas são diferentes, porque estou aqui há 15 anos. A gente sabe muito bem quando perde e quando vence”, lamentou o catarinense.

Já Marco Polo correu atrás e encaixou belas manobras, mas nada pôde fazer para deter o vice-campeão do evento. Derrotado pelo placar de 17.86 a 10.27 pontos, Polo estreou sem vitórias no ASP World Tour. “O nível dos atletas muda muito do WQS para o WT. Aqui você tem que definir pelo menos duas ou três manobras bem fortes para conseguir uma onda excelente. Já no WQS, com duas manobras fortes você entra no critério excelente”, explicou Polo.

Longboard extreme


Qual seria o melhor lugar para uma session de longboard? Ilhas Reunião, Rincón, Malibu, Makaha, Pavones, Boca Barranca? Esqueça todos esses paraísos do nose riding e pense, principalmente você que é longboarder, em um free surf em Paúba ou Itacoatiara com swell pesado. E o que você acha de dar uma caída em Pipe ou Puerto Escondido, com ondas de 8 a 12 pés tubulares? As possibilidades de andar no bico são nulas, batidas podem fazer parte do show, desde que tenha um quiver grande e bastante disposição. Caso contrário, o melhor é remar forte, dropar reto, fazer a curva na base da onda e colocar para dentro. Esse é o caminho. Tudo bem rápido, mas se melhorar estraga.

A maioria dos longboarders que surfam em picos extremos, sabe das vantagens que um long oferece nessas condições. Por proporcionar uma remada mais eficiente, o longboard permite que o surfista se posicione mais para fora, podendo se isolar do crowd, além de dropar a onda mais adiantado. Isso faz com que ele ganhe mais velocidade e controle ao chegar à zona de impacto, passando com maior facilidade por dentro dos tubos.

O surf de pranchão em condições extremas requer disposição, preparo físico e muita técnica para entubar, principalmente de backside. A leitura da onda deve ser perfeita. A remada e o drop seguido de uma boa virada são a chave para o sucesso, ou seja, sair dos tubos, ileso e com o long inteiro.

Porém, não é nada agradável tomar uma série na cabeça deitado em cima de uma 9 pés. Aliás, as vacas de longboard parecem sempre mais perigosas e impressionantes. O problema é que pelo fato de ser grande, a prancha tem mais chances de se chocar com o surfista no meio do caldo, o que pode trazer conseqüências graves. Para evitar choques e também que as pranchas se quebrem, a maioria dos surfistas abre mão da cordinha, uma vez que a maioria dessas ondas quebra bem próximas da praia.

Alguns nomes se destacam quando o assunto é onda pesada e tubular. Os havaianos surfam Pipeline com naturalidade, fazendo a gente achar que a onda não é perigosa. Bonga Perkins, Lance Hookano e Kanoa Dahlin são os mais insanos e técnicos quando as condições estão sinistras. Além deles, se destacam o clássico Joel Tudor e o agressivo Phil Rajzman, que inclusive já venceu um campeonato em Puerto com 8 pés sólidos. Mas muitos outros, principalmente os brasileiros, têm mostrado muita disposição em ondas grandes.

Drive'n Throw Up

Junte oito aerialistas brasileiros da nova geração. Aprisione-os em uma Kombi destruída, apresente condições lastimáveis de alimentação e acomodação. Percorra 6.000 quilômetros procurando ondas propícias para ‘airtricks’. E filme tudo”. Com esta proposta, a Weird produziu seu mais novo vídeo ─ “Drive’n Throw Up”. Como já é de se esperar da marca paulista, o DVD é repleto de diversão, zoação e subversão ─ tudo muito cru e trash. E é óbvio, muito surf aéreo de cair o queixo. Destaque para Generik, Etam Paese, René Oliveira, Caetano Vargas, Felipe Sapu e P. Thomaz, entre outros. Como os próprios produtores explicam, esse vídeo é um mix de “muitos aéreos, trilha sonora devastadora e a realidade nua e crua do surf underground nacional”.

Universo em expansão


Quem pensa que o longboard é tudo a mesma coisa, está enganado. Assim como as pranchinhas, existem diversos modelos de longboards, sendo que as principais variações estão no tamanho, no fundo, no rocker e nas quilhas, além das novas tecnologias que controlam muito melhor o peso das pranchas.

Longboards progressivos são mais usados hoje, principalmente no Brasil. É resultado de uma mistura bem refinada, das antigas pranchas clássicas com designs mais modernos, que surgiram para suprir a necessidade dos surfistas de realizar manobras radicais. Esses longboards costumam medir entre 9’0” e 9’3”, com largura média variando entre 22” e 23” e quilha central com estabilizadores. O fundo funciona bem tanto com v-botton + concave no bico, quanto com o full concave.

Alguns longboarders profissionais usam esses modelos com uma curva mais acentuada na rabeta (quick tail), para facilitar o drive nas manobras. Quanto à flutuação, o maior volume fica concentrado na longarina, sendo distribuído suavemente pela prancha até as bordas, que chegam a ficar parecidas com as bordas e rabetas de pranchinhas. Os longboards progressivos são ótimos para fazer um surf completo, com muitas curvas e manobras extremas preservando características que possibilitam um excelente desempenho nas manobras de nose.

Graças a essas evoluções os longboarders podem surfar ondas grandes e cavadas com segurança. Em picos como Pipeline, os pranchões seguem a mesma linha progressiva, porém com mais rocker e medidas mais compactas, geralmente 9 pés. Para surfar onda buraco, as pranchas devem ser mais estreitas (bico, meio e rabeta) e com as bordas mais finas do que os longboards progressivos convencionais, lembrando que o maior volume de flutuação fica na longarina.

Os moldes clássicos, apesar de pouco apreciados pelos brasileiros, são os preferidos pelos californianos e europeus, principalmente para ondinhas perfeitas e longas. É muito comum na Califórnia ver surfistas de todas as idades, inclusive garotas, “passeando” com longboards clássicos, com até 10 pés de tamanho e singlefin. A maioria dessas pranchas apresenta v-bottom bastante acentuado e borda 50×50 (ou quase). Para conseguir surfar bem com esses modelos, o surfista precisa ter muita técnica. A força não ajuda muito, o melhor negócio é fluir com a onda e entender os movimentos, que devem ser suaves e harmoniosos, já que normalmente são mais pesados. Longos hang fives e hang têm estilosos são as melhores opções de manobras para esse tipo de prancha.

O tamanho e o posicionamento das quilhas também são determinantes para um bom desempenho em condições diferenciadas de ondas. A caixa de quilha permite que o surfista adapte o pranchão para a condição de mar que ele vai surfar, deslocando a quilha central mais pra frente ou para trás. Quanto mais atrás, isto é, quanto mais próxima da rabeta a quilha estiver, mais projeção o surfista terá na onda. Porém, deve-se tomar cuidado para a prancha não ficar muito presa nas manobras. Com a quilha nessa posição, as curvas ficam mais abertas e a sustentação nas manobras de nose, ajudada pelo peso, será maior. Esse posicionamento de quilha também é indicado nos dias de ondas grandes ou muito fortes. Se a quilha central for colocada mais para frente, o longboard ficará mais solto nas curvas, porem a projeção será menor. Além disso, no momento de um hang five e principalmente do hang ten, as chances da quilha desgarrar da água serão grandes, limitando o tempo de permanência do surfista no bico da prancha. Portanto, deve-se encontrar o ponto certo para fixar a quilha central, que pode variar de uma pessoa para outra e de uma prancha para outra também.

O tamanho da quilha também influencia no desempenho. Para surfar com uma quilha só, prefira as maiores e com base mais larga, ideal para ondas menores. Se a onda estiver com tamanho médio e cavada, desista da mono. Coloque uma quilha média e estabilizadores, que vão garantir a segurança nas curvas mais fortes. Geralmente é assim que funciona, mas para toda regra existe exceções.

Enfim, surfar de longboard está cada vez mais interessante, graças a essas variações de quilhas, fundos, curvas e tamanhos. Talvez por isso, cada vez mais surfistas se preocupam em ter um longboard para dar umas caídas de vez em quando. E os longboarders se preocupam em ter um quiver diferenciado, pois sabem apreciar essa diferença entre surfar com um clássico single fin e um long progressivo, principalmente porque conseguem assimilar que o resultado dessas variações é importante para lapidar manobras e, principalmente, estilo. Opções não faltam na hora de fazer um long, converse com um bom shaper e pendure-se.

Cultura de praia Carioca

Chico Buarque não gosta de carregar rótulos, não gosta de rivalidades. Mas, quando lhe perguntaram por que seu novo disco, lançado em 2006, se chama Carioca, usou de fina ironia para dizer: “É uma homenagem a São Paulo”.


O humor sadio de Chico tem fundamento. ‘Carioca’ era o seu apelido durante a adolescência que viveu na São Paulo de seu pai. É claro que o apelido referia-se ao sotaque, aos xis e aos erres carregados, e, talvez até, a um certo lirismo preguiçoso. Mas havia também, certamente, uma inveja de quem passava todas as férias refestelado nas areias do Posto 2, ao lado das meninas de Copacabana de sua mãe, ao som dos melhores sambas produzidos naquele Rio dos anos 50 e que seriam tão importantes na formação do compositor, tanto quanto os ótimos colégios e as vastas bibliotecas paulistanas que ele freqüentava.

Chico, contudo, nunca reivindicou nenhuma patente carioca. No inicio da turnê do disco, que ironicamente começou em... São Paulo, Chico foi direto: “Não simpatizo muito com a idéia de carioquice ou paulistice, não sou chegado a bairrismos”. Chico também sempre diz, quando questionado, que vê em Tom e Vinícius dois ícones da música e da cidade, uma representação muito mais legítima do Rio. Porém, hoje o glamour da Cidade Maravilhosa de outros tempos está, pelo menos um pouco, ofuscado. Ser carioca nos dias de hoje chega a ser difícil, por vezes sofrido, e descobrir o prazer dessa condição requer ainda mais esforço poético, o que Chico sabe fazer muito bem. “O Rio está uma esculhambação, do futebol ao Aeroporto Tom Jobim”, afirma o poeta. “O Rio está relegado a um plano subalterno que vai se agravando. Então acho que chegou a hora de dizer, batendo no peito: ‘Sou carioca sim. Com as belezas e as mazelas todas que isso significa’”. Chico costuma ser verdadeiro em sua mensagem, e o disco é resultado desse atípico espírito carioca que se abateu sobre ele. Respeitado por todas as tribos, surfistas inclusive, amantes da praia; é escutar, sentir, e ser Carioca.

Recado aos surfistas brasileiros

Você deve estar olhando para a imagem acima e se perguntando: “O que uma foto de rodeio está fazendo em um site de surf?”. Calma, eu explico. Freqüentemente escuto pessoas falando que jamais ganharemos um título mundial simplesmente porque “os gringos não vão deixar”. Quando cito exemplos de esportistas brasileiros como Zico e Senna que sequer pediram licença para hastear a bandeira no lugar mais alto do pódio, mas ainda escuto que isso se deve ao fato de não dependerem de um julgamento subjetivo.


Concordo que juízes de surf erram afinal, somos humanos. Mas discordo com veemência que há um complô entre americanos e aussies contra nós, pobres brasileiros. E espero sentado quem achar-se injustiçado, pois a imprensa especializada está relacionando a falta de resultados a performances do que ações contra os organizadores do Circuito Mundial!

E é justamente aí que entra a foto. Um dia desses, me deparo com um sujeito grudado firme em um touro enorme que não economizava esforços para jogá-lo longe dali. Passados oito segundos, escuto o locutor anunciar que o brasileiro Adriano Morais é campeão mundial da PBR e acaba de faturar nada menos que 1 milhão de dólares.

Como peguei a programação no final, fiquei curioso em saber algumas coisas relacionadas ao assunto. Descobri que a PBR é uma associação jovem, fundada em 1992 por 20 peões em busca do sonho de ser conhecidos como atletas profissionais. Hoje, conta com mais de 700 membros, o circuito passa por 29 cidades, distribui mais de 10 milhões de dólares em prêmios e tem uma audiência aproximada de 100 milhões de espectadores. E o mais interessante, para disputar o título, vai apenas os 45 melhores do ranking, com o vencedor sendo determinado por um sistema bem parecido com o de surf.

Adriano Morais é o grande ídolo do esporte, com mais de 3 milhões na conta ao longo da carreira, e já tem outro brasileiro chegando junto. O cowboy Guilherme Marchi.

Foi uma surpresa saber que mais brasileiros estão arrepiando no cenário mundial, trazendo títulos e acenando para o público com a bandeira verde-amarela nas mãos. Com a intenção de injetar ânimo em nossos surfistas que sonham um dia ser campeões mundiais. Achei válida a estranheza de uma foto de rodeio aqui e contar um pouco da saga de Adriano Morais.

Segura, peão!

05 perguntas para... Albe Falzon

PARA QUEM NÃO SABE, O FOTÓGRAFO E CINEGRAFISTA AUSTRALIANO ALBE FALZON É O AUTOR DO LENDÁRIO "MORNING OF THE EARTH" ─ UM CLÁSSICO LANÇADO EM 1972 QUE, ALÉM DE MOSTRAR A DESCOBERTA DE ULUWATU, REPRODUZIU COM MAESTRIA TODO O "SOUL" DO SURF NA ÉPOCA, TORNANDO-SE UM DOS FILMES MAIS INFLUENTES NA HISTÓRIA DO NOSSO ESPORTE. ATUALMENTE COM 64 ANOS DE IDADE, ALBE COMENTOU A INFLUÊNCIA DE "MORNING OF THE EARTH" NO SURF E O PROGRESSO DESENFREADO EM BALI.



01. "Morning of the Earth" é um filme de surf, mas consegue ser algo mais também. Como você diz, é um filme sobre o mundo. Como assim?
O mundo é um lugar lindo, não há dúvidas quanto a isso. Eu sempre vi o planeta como um lugar muito especial, e o surf definitivamente reforça esse conceito. Ser presenteado pelo oceano com um dia ensolarado, ondas perfeitas e golfinhos nadando no outside, é algo muito especial. Ainda mais quando você está em algum pointbreak isolado, longe de grandes cidades, dividindo a beleza natural com seus amigos. Nós temos que ser gratos por poder viver essas experiências. É o Jardim do Éden, ou algo bem próximo a isso. Minha mãe me disse uma vez, quando eu estava começando a surfar e me interessar por fotografia, para “seguir o caminho com coração”. Para mim, “Morning of the Earth” representa isso. Você simplesmente tem que fazer aquilo que ama.


02. O filme foi um marco histórico. Mas você tinha idéia na época o quão influente ele viria se tornar?
Nunca pensei muito no futuro. Ainda hoje, não penso muito no amanhã. Estava mais preocupado em viver o presente. Nós nunca planejávamos nada além do próximo swell. Era isso que nos preocupava, a próxima ondulação. E claro, se teríamos filme suficiente para registrar as sessões e gasolina para correr à costa atrás daqueles pointbreaks incríveis. Filmávamos da maneira que vivíamos na época ─ sem muita preocupação, mas um monte de diversão. Talvez houvesse uma força maior nos ajudando. Certamente eu apenas acompanhei o fluxo das coisas, registrando o que acontecia no caminho.


03. Quando vocês estavam filmando, foram os primeiros a surfar Uluwatu. Aquilo deve ter sido uma descoberta fantástica. Como você vê Bali hoje em dia?
O tempo passa e as coisas mudam, mas as experiências ficam para sempre. A mágica daquela época vai sempre existir. Bali se desenvolveu, mas o povo balinês continua com a mesma essência. E o lugar continua tão lindo e atraente quanto antes, apenas de uma maneira diferente. Você pode olhar para Bali, e se quiser, encontrar aspectos do progresso que não goste. Mas não há como negar que a magia, poder e beleza do lugar ainda existem. Alguém me disse uma vez que se o mundo acabasse, e apenas o povo balinês e tibetano sobrevivesse, teríamos um grande futuro. Concordo com isso.


04. Muito tempo se passou desde os dias de “Morning of the Earth”. Que conselho daria às próximas gerações?
Seja educado. Deixe a melhor onda da série para o seu amigo. Divirta-se. E surfe por Deus.


05. Quais os obstáculos dessas gerações futuras?
Uma vez vi um sinal que dizia: “Faça um favor a si mesmo ─ saia do seu caminho”.

-Q 21

É o quinto e o mais novo filme da marca carioca QUE! Lifestyle. Com produção de Paulo de Castro e Gustavo Camarão, que depois de dois anos gravando imagens lançam o -Q 21, que apresenta os melhores surfistas do Brasil com até 21 anos em alguns dos melhores picos do mundo. A produção impressiona pela qualidade das ondas e pela atitude dos jovens talentos nacionais nas mais difíceis e perigosas ondas do mundo. Jessé Mendes mostra um surfe muito rápido e fluído. Alejo Muniz e Thiago Camarão apresentam uma performance muito versátil e com estilo em qualquer tipo de onda. Jê Vargas, Ricardo dos Santos e Felipe Cesarano são exemplos vivos da palavra atitude e surfam Teahupoo, Puerto e Pipe vindo de Banzai, tirando tubos no limite e tomando vacas impressionantes. O grande destaque do DVD é o mais brasileiro dos uruguaios, Marco Giorgi, que tem provavelmente o clipe mais completo do filme, com um surfe sólido nas pesadas ondas havaianas e em Teahupoo.

MexPipe, Mx


ACESSO:
Chegando ao aeroporto de Puerto Escondido não tem mistério. Só há um voo por dia aterrisando lá, então sempre tem umas vans a espera dos turistas. Até a praia de Zicatela custa uns dez dólares no máximo e lá tem dezenas de hotéis em frente a praia, ou bem perto, com preços acessíveis. Você fica na cara da onda, é só atravessar a rua e entrar no mar.

A ONDA:
É considerado o melhor beach break do mundo. A praia é bem longa, mas as ondas só são na parte mais a direita na praia, exatamente onde tem os hotéis, restaurantes e lojinhas. O fundo não muda muito, mas a direção da ondulação influencia bastante na onda. Como em todo fundo de areia, muitas ondas fecham. Um fator que ajuda bastante na qualidade dessa onda é o forte terral que venta quase todas as manhãs do ano.

PRANCHAS:
Aqui você terá que preparar um bom quiver se quiser surfar todo o tamanho de onda. Desde a maroleira dia-a-dia do Brasil até uma gun 9'. Quando o mar sobe dá pra usar pranchas grandes. Não economize em levar pranchas, qualquer toco anda nessa onda.


OBS.:
Leve protetor solar do bom porque o sol é cruel. Se puder pegue um quarto com ar-condicionado, é um ótimo investimento do seu dinheiro. As pranchas lá são muito baratas, tanto nas lojas quanto da galera que vai indo embora, muitas vezes vale mais a pena adquirir algumas lá do que pagar as taxas para embarcar as suas. Por ser fundo de areia a onda parece fácil, você fica confiante demais e, muitas vezes, acaba se machucando. Tome cuidado! Há poucos locais e não são muito fominhas, mas respeite, pois você está no México!

Mixed Tape

"Mixed Tape" celebra o ano de sonhos do "rookie" Bobby Martinez no WCT em 2006. Ele não só terminou entre os cinco melhores do mundo, como conseguiu o inédito feito de vencer duas etapas ─ Teahupoo e Mundaka ─ em seu primeiro ano na elite. Filmado nos quatro cantos do planeta, o DVD segue Bobby pelo Tour e mostra suas experiências, expectativas e, é claro, inúmeras sessões de surf. As entrevistas com seu pai, seus amigos e colegas (entre eles Mick Fanning e Damien Hobgood) são interessantes, assim como as sessões em Rincon quando criança e numa boca de rio super cavada na Califórnia. O DVD mostra um pouco da intimidade de Bobby, e de como o surf foi uma saída para o violento cotidiano do bairro mexicano em que cresceu. Ainda tem altas ondas em Bali e um momento hilário do balinês Betet Merta tentando dar uma entrevista em inglês.

FoQue!iu Too

Quem esperava um filme nos moldes de seu antecessor, irá se surpreender. "FoQue!iu Too" vem com uma trilha sonora contemporânea e de primeiríssima qualidade ─ com psicodelia, rock e principalmente uma ótima variedade de batidas eletrônicas. Além de dias épicos no Brasil ─ principalmente em Noronha e Itacoatiara ─ o dvd conta com boas seções no Tahiti, México, Indonésia, El Salvador, Austrália e Peru ─ o que dá um feeling mais peregrino à produção. Com a nata do surf nacional, a ação é alucinante. Destaques para Bruno Santos gigante, Stephan Figueiredo em Teahupoo, Trekinho esbanjando estilo no Peru e Noronha, os irmãos Vargas em Puerto Escondido, o power de Guilherme Sodré, a versatilidade de Sininho e as manobras de Marcos "Sifu" e Guilherme "Tripa". Tem ainda momentos irados de James Santos, Rodrigo "Baby", Binho Nunes, Danylo Grillo, Léo Hereda e William Cardoso. Isso sem esquecer do eterno "Pimp", Ruy Costa. Concentrando-se no que interessa ─ tubos, aéreos e manobras fortes ─ o dvd é um espelho do melhor que o surf brasileiro tem a apresentar. O bônus traz Andy Irons, Kelly Slater e cia. arrepiando em Teahupoo, além de mais surf pelo Brasil e pelo mundo. Mantendo a identidade da Que! ─ mas num pacote novo e mais elaborado ─ "FoQue!iu Too" é uma ótima pedida.

Filhos do North Shore

The Game

O renomado fotógrafo californiano Pete Frieden há anos vive na estrada seguindo o Circuito Mundial. Além das imagens que ilustram inúmeras revistas de surf, Frieden produz anualmente um vídeo com as melhores sessões captadas pelo globo. Assim como em "The Circus" e "Back in Town", "The Game" é repleto de surf de alta performance protagonizado pelos melhores do mundo. Destaque para os irmãos Irons, Taj, Mick e Parko destruindo tudo nos beach breaks franceses; Jamie O'Brien no Hawaii; Dane Reynolds na Califórnia; Koby Abberton em Sydney e Shane Dorian em Teahupoo ─ na sessão que lhe rendeu o já famoso Tubo do Ano em 2006. Frieden mais uma vez apostou na fórmula que tem dado certo ─ surf de alta qualidade e trilha sonora empolgante ─ e acertou na mosca. Com mais de 50 minutos e uma infinidade de extras, "The Game" tem surf de sobra para empolgar e instigar qualquer um.

SUP, com mais respeito

Muita gente já descobriu que surfar de longboard é um grande barato. Afinal, os pranchões proporcionam boa remada, o que resulta em mais ondas surfadas. Também não é novidade que os longboards são um pouco mal vistos pela galera das pranchinhas. O principal motivo para isso é a grande quantidade de ondas surfadas pelos longboarders durante uma queda, que se aproveitam das vantagens do pranchão para fazerem a cabeça.

Com esse crescimento, o crowd de longboarders aumentou consideravelmente e, para piorar, agora eles têm a companhia dos adeptos do Stand Up Paddle (SUP) ─ modalidade onde o surfista vai em pé, em cima de uma prancha, com o auxílio do remo. Aí você pode pensar: “pô, mas com o SUP os caras caem quando não tem onda!”. Engana-se quem pensa assim, já que hoje as pranchas de SUP estão bem evoluídas e é possível surfar ondas grandes e até cavadas com elas: Paúba e Teahupoo foram tomadas dessa forma por Carlos Bahia e Laird Hamilton, respectivamente.

Sendo assim, os longboarders ganharam um concorrente de peso na disputa pelo melhor posicionamento no outside. A galera do SUP fica bem mais no fundo, esperando pela “boa”, pois o equipamento permite isso. Essa situação já está causando desconforto na Califórnia, onde o SUP tem se difundido rapidamente e está tomando conta dos picos antes dominados pelas pranchinhas e pranchões. Como resultado, conflitos acontecem a todo o momento.

Em novembro passado, estava acompanhando em San Clemente, Califórnia, o Oxbow Pro Longboard (etapa final do Circuito Mundial de Longboard) e percebi um número absurdo de praticantes de SUP numa bancada ao lado da área de competição. Mas ali os caras respeitavam os longboarders, limitando-se a surfar apenas na área mencionada. Mas na maioria dos lugares isso não acontece.

Todos sabem que o longboard tem vantagens no crowd e cabe a nós, praticantes, tomar cuidado para não fazer mau uso do equipamento. Até agora, pelo que fiquei sabendo do Guarujá pelo menos, a galera do SUP vem respeitando bastante os outros surfistas. Nomes fortes do longboard profissional, como Amaro Matos, Luís Juquinha e Neco Carbone, além dos big riders Haroldo Ambrósio e Jorge Pacelli, têm se divertido muito com a modalidade e sabem exatamente como se comportar em cima de suas pranchas. Utilizam seus longboards a remo com educação, curtindo sem interferir na diversão dos outros.

Lembre-se que seu direito termina quando começa o do outro!

SOUL

O filme da Hot Buttered, que chegou recentemente às lojas, é um envolvente mergulho no passado do surf. As imagens foram recolhidas de clássicos como "Sultans of Speed", "Morning of the Earth", "A Winter's Tale", "Fantasea" e "Storm Riders" e conta com comentários dos jornalistas especializados Andrew Kidman e Derek Hynd. Destaque para as sessões de Joel Fitzgerald na Irlanda e na Indonésia, além das imagens alucinantes do "Sultão da Velocidade", o fundador da HB, Terry Fitzgerald, nos anos 70 ─ em Uluwatu, Jeffrey's Bay, Hawaii e picos isolados da Austrália ─, mostrando por que ele é considerado um dos surfistas mais influentes do planeta. Tem ainda uma viagem da família Fitzgerald (o pai Terry e os filhos Joel e Kye) a J-Bay, onde surfam com as pranchas mais variadas. A trilha sonora foi produzida especialmente para o filme por seis integrantes da banda White Horse, com destaque para o guitarrista Tim Gaze, que gravaram uma faixa de 59 minutos enquanto assistiam às imagens do filme. Pode até parecer redundante, mas o "Soul" é um filme realmente "Muito Soul", que conta parte da trajetória do surf, em especial a história da HB. Confira.

Livre, leve e solto

COMO UM DESBRAVADOR da sua própria essência. Assim o soul surfer Rob Machado, 36 anos, ícone do surf norte-americano, abdicou da convivência com a família e sua rotina de surfista profissional para imergir em seu novo e brilhante projeto cinematográfica, The Drifter. Machado passou um ano pela Indonésia, na busca por respostas e ondas perfeitas. Suas descobertas foram registradas pelo amigo e diretor Taylor Steele junto a uma equipe que contou com o cinematógrafo hollywoodiano Todd Heater, o fotógrafo Dustin Humphrey e assistentes. A ideia, que deu certo, seria documentar o cotidiano do surfista sem interferir na sua jornada. O Errante (tradução em português) não se trata apenas de ondas, mas uma maneira de questionar o modo como era conduzida sua vida. Para Machado, é uma cura ou "transformação íntima de autodescoberta". No Brasil, a estreia ainda não tem data definida, mas já é mais do que aguardada por seus admiradores.

Alice in Chains

APÓS SETE ANOS da morte do vocalisa Layne Staley, ninguém esperava que o Alice in Chains voltasse à ativa. E, oriundo da escuridão sugerida no título, surge um dos melhores álbuns da carreira do grupo. Produzido pelo competente Nick Raskulinecz (com Rush e Foo Fighters no currículo), Black gives way to blue soa como um tributo à altura do falecido, com músicas que trazem à tona as principais marcas da banda: a melodia cantarolada que antecede os riffs ultrapesados, o andamento lento, os refrões densos e os solos que se intercalam. Tudo isso conduzido pelo estilo inconfundível do guitarrista Jerry Cantrell e do novo vocalista William DuVall, com timbre de voz incrivelmente parecido com o de Layne Staley. Talvez a surpresa venha do mesmo com a participação de Elton John emprestando seus enfáticos teclados na faixa título. De resto, é o bom e velho Alice in Chains iniciando uma nova etapa e provando que apesar de todos os revéses ainda consegue superar expectativas.

Colbie Caillat

NATIVA DA PRAIANA Malibu e fã declarada de Fleetwood Mac (banda a qual seu pai, Ken Caillat, já foi produtor), Colbie Caillat foi um dos casos em que um artista acaba fazendo sucesso na internet antes mesmo de ter um CD pronto. E foi assim, sem pedir licença, que acabou conquistando milhares de fãs ao redor do mundo e teve seu talento reconhecido, inclusive pelo público brasileiro. Munida de canções com tonalidade pop, suaves, quase acústicas e voz doce e melódica, Colbie agora apresenta seu segundo trabalho com a mesma unidade do disco anterior. Os destaques dessa vez vão para Falling for you e Lucky, em parceria com Jason Mraz.

Eddie Would Go

Para quem é do surf, não há dúvida de que já ouviu falar no Quiksilver Big Wave Invitational in Memory of Eddie Aikau. Porém, se o conhecimento sobre o famoso homem do mar havaiano se limita ao campeonato, a leitura de Eddie Would Go pode ser interessante.


Juntando entrevistas da família Aikau, dos amigos de Eddie e de vários ícones do Surf, Stuart Holmes Coleman faz uma crônica da vida ─ e da morte precoce ─ desta lenda do North Shore havaiano. O livro vai das histórias de seus incríveis resgates como salva-vidas em Waimea às enormes festas na casa da família Aikau para comemorar os feitos dele como big rider. No caminho, o autor pinta um intrigante retrato do North Shore durante os anos 60 e 70, detalhando o crescimento do Surf profissional, o aparecimento do localismo, e sessões históricas em Waimea.

Como os leitores logo se dão conta, a vida de Eddie não foi toda de agitos e tubos. O livro de Coleman descreve com precisão tanto as coisas boas quanto às tragédias que marcaram a vida de Aikau e moldaram o quieto e introspectivo homem. Tudo culmina em 1978 com a trágica história do naufrágio da canoa Hokule’a e dos esforços heróicos de Eddie para salvar seus companheiros da tripulação. Quando a canoa ficou à deriva numa tempestade em alto mar, ele decidiu pegar sua prancha e remar para ir a busca de ajuda, e nunca mais foi visto.

Surf 3D

O surf é um esporte de grande apelo visual. Filmes e mais filmes são lançados anualmente, contando a vida do Zé da esquina ou de um grupinho de surfistas arruaceiros. Algumas coisas boas e outras ruins, mas tudo bastante parecido. O filme “Ultimate Wave Tahiti” promete, no mínimo, quebrar esse paradigma em alguns aspectos. Com uma super produção, o filme será lançado exclusivamente nos cinemas, o que já não é novidade para nós. Mas, pela primeira vez, terá um formato I MAX 3D, uma tela gigante com projeção feita para assistir com óculos 3D e imagem de altíssima qualidade. Nesse formato, a experiência visual e sonora é prioridade, por isso, não podia demorar a alguém explorar o mundo do surfe.

Stephen Low é o nome do cineasta por trás da produção, que além do apelo da alta qualidade e projeção tri-dimensional, chamou nada mais nada menos que o nove vezes campeão mundial Kelly Slater para surfar nada mais nada menos que o Tahiti. As honras da casa ficaram por conta de Raimana Van Bastolear, uma espécie de embaixador do surfe local e, o melhor de tudo, tem um barco animal, três jets e conhecimento apurado de todas as bancadas, ondulações e vento. A receita tem alguns dos ingredientes mais finos.

O filme não abordará só o surfe, mas também o oceano e sua frágil interação com o ser humano. As produções começaram por volta de agosto de 2008, e estarão finalizadas em alguns meses, quando será exibida nas telas gigantes ao redor do mundo (não sabemos ainda quando será exibido no Brasil). “Esse projeto será incrível”, disse Slater. “Minha vida surfando e viajando ao redor do mundo é uma aventura constante e tenho a esperança de traduzir isso para as pessoas nesse filme. Tivemos alguns grandes desafios para filmar com as câmeras especificas nos lugares certos. Mas tivemos ótimas idéias, ótimas locações, equipamento de primeira e uma equipe de produção fantástica. Os desafios fizeram parte da diversão.”.

O filme tem patrocínios de peso e se realmente capricharem na produção, pode se tornar uma experiência inesquecível para o espectador, surfista ou não-surfista.

O Sultão da Velocidade


Alguns poucos surfistas na história foram apelidados assim: “Sultão da Velocidade”. Alguns poucos merecem esse título (o último foi Rob Machado), mas o protótipo original chama-se Terry Fitzgerald, notável fera dos anos 70 e “um dos primeiros estilistas das ondas”*. Local de Narrabeen, pico ao norte de Sydney, Austrália, o garotão cabeludo cobria largas áreas da face das ondas com inesperadas linhas e ainda transformava em velocidade cada cantinho do oceano. Tradução? Ele ia aonde poucos tinham ido numa onda e fazia isso com uma mistura única de radicalidade e abandono, num estilo fluido e excêntrico; os joelhos dobrados distantes um do outro, os braços estendidos retos simetricamente desde os ombros. As manobras eram iniciadas através dos quadris e pélvis, com os joelhos, ombros e cabeça vindos em seguida em perfeita sincronização.

E pensar que quando criança, aos 10 anos, uma osteomelite, doença degenerativa nos ossos, quase lhe custou à perna esquerda, embaixo do joelho. Uma série de enxertos de ossos salvou seu membro. Terry era o mais jovem, mas não menos talentoso que seus compatriotas que chocaram o mundo com um surf mais agressivo na metade dos anos 70 (Michael Peterson, Pete Townend, Wayne Bartholomew, etc.).

Outro fato importante: ele semeou “multi surfistas” em seu país. Foi tanto um mestre nas ondas grandes no Hawaii, como um caçador de secret spots paradisíacos, shaper e empresário (criou a famosa Hot Buttered). E, culto e articulado, ainda conseguia traduzir a mágica do surf em belos artigos para revistas especializadas.

Visionário, Fitzgerald sabia onde devia estar para evoluir. Por isso mudou-se para Kirra quando tinha 19 anos (1969) para aprender com mestres do shape e das ondas aussies, como o mago construtor, Bob McTavish e os futuros mitos, Michael Peterson e Pete Townend, entre outros. Logo voltou para Sydney, onde fundou a HB, em 1970. No mesmo ano hipnotizou a comunidade das ondas ao desenhar as mais variadas linhas em Sunset. Esse desempenho brilhou no clássico filme Morning of the Earth. E Terry ainda aproveitou para se aprofundar na arte das pranchas com o lendário Dick Brewer, que o convidou para conhecer sua casa e oficina de shape em Kauai. Isso resultou numa grande colaboração de design que incluiu Reno Abellira, San Hawk and Owl Chapman. Surgiram as modernas bases como a “v” espiral (um concave duplo básico) e wings.

De volta à sua Narrabeen, Terry trabalhou os novos designs com os surfistas e shapers mais quentes do pedaço, feras como Simon Anderson, Col Smith, Derek Hynd, Steve Wilson, Greg Day, Greg Webber, entre outros. Suas pranchas, em geral estreitas, vigorosas e experimentais (como as monoquilhas acrescidas de duas canaletas laterais, como se fossem mini quilhas), ainda eram verdadeiras peças de arte moderna psicodélicas: os loucos e belos desenhos com spray feitos por Martin Worthington, de golfinho a entardeceres mágicos. Foi ele ainda o primeiro surfista pró a ter um quiver, com pranchas para diferentes condições de ondas, algo raríssimo na época.

A carreira competitiva de Terry, mesmo com belas vitórias (campeão australiano em 1975, vencedor de eventos do mundial no Hawaii e Indonésia), não o seduziu muito. O chamado da onda perfeita e outros interesses o apanharam cedo. Foi um dos primeiros a desbravar Grajagan, junto de Gerry Lopez, em 1973; depois, Sumbawa.

No início dos anos 80, sua empresa espalhou-se pela Inglaterra, EUA, Japão e Tahiti, onde ele apoiou muitos jovens promissores como Vetea David. Terry seria ainda um dos responsáveis pela revitalização do circuito júnior de seu país, que voltou a ser uma fábrica de revelar talentos.

Hoje, Terry Fitzgerald, que perdeu o filho caçula, Liam, falecido há seis anos em um trágico acidente, segue vivendo em Narrabeen, com a esposa, Pauline (com quem se casou aos 21 anos, em 1971). Ele curte a carreira dos filhos, Joel e Kye, que cavam lá embaixo e aceleram o máximo que podem honrando o pai, o legítimo e eterno Sultão da Velocidade. O cara que produzia tanto barulho, visual e faísca na água que era como se o estilo mais potente do rock da época, o heavy metal, se materializasse nas ondas. “Se surfistas pudessem ser bandas de rock, Fitz era o Led Zeppelin!“, afirmou Drew Kampion.


*O apelido supersônico de Terry é obra do célebre jornalista australiano, Phil Jarratt, ao assistir sua fantástica exibição nas longas direitas de Jeffrey’s Bay, em 1977.

Música, amigos e surf

Lançado em CD, DVD e Blu-ray, o primeiro trabalho ao vivo de Jack Johnson é um verdadeiro presente para os amantes da música e do surf. Concebido para ser um registro da turnê do disco “Sleep through the static” pelo verão europeu de 2008, En Concert tornou-se maior que sua própria concepção.


Passando por cidades como Londres, Manchester, Paris e Berlim, e recheado de imagens de shows, bastidores, encontro com fãs, além de algumas sessões de surf, o documentário é, na verdade, um retrato do que parece ser o auge da carreira artística do cantor. Devidamente acompanhado de sua eterna banda ─ Adam Topol (bateria), Merlo Podlewski (baixo) e Zach Gill (teclados) ─ Jack se diverte dividindo o palco com seu “padrinho” Ben Harper na belíssima High tide or low tide, de Bob Marley. Fica muito à vontade na parceria com Eddie Vedder em Constellations, encontra amigos como Matt Costa e o gaitista G. Love e ainda mostra seu lado mais íntimo em Angel, música feita para a esposa, onde transcreve a energia positiva que ela consegue lhe trazer.

Imagens belíssimas, excelente trabalho de edição e fotografia ─ que nos leva de um sol radiante em Londres a um palco estrelado em Paris ─ além de todos os hits cantados em uníssono pelo público. Momentos marcantes pontuados com muita sensibilidade pelo diretor Emmett Malloy, neste que já é o melhor DVD do ano.