O coelho volta pra toca

WAYNE "RABBIT" BARTHOLOMEW ANUNCIA SAÍDA DA PRESIDÊNCIA DA ASP E DEIXA A SEGUINTE DÚVIDA: SEU LEGADO FOI BOM OU RUIM?




Campeão mundial em 1978, Rabbit foi um grande surfista, um dos primeiros a surfar de forma competitiva, sem deixar de viver o lado "soul" do surf. Expoente do esporte no seu início, era a perfeita personificação de um "aussie".

Mas como todo jovem largado, teve suas confusões por aí, sendo a mais célebre de todas seu espancamento, em 1976, por marginais havaianos, denominados "black trunks", insatisfeitos com uma matéria escrita por ele numa revista especializada americana em que afirmava que os australianos eram os melhores surfistas no Hawaii. Com certeza, tal lição lhe ensinou que a política é uma ótima forma de se conviver pacificamente. E foi isso que basicamente ele fez durante seus dez anos como presidente da ASP.

Rabbit sempre foi ligado a Billabong, marca com que trabalhou idealizando eventos e projetos. Mesmo assim, tinha ótimo trânsito com outras grandes da surfwear, principalmente na Austrália. Como ex-surfista profissional, também era visto com bons olhos pela geração que hoje movimenta as estruturas do surf moderno. Mas será que ele fez grandes coisas pelos seus pupilos?

Acho que o melhor legado que Rabbit deixou sem dúvida foi ajudar a convencer os donos das licenças dos eventos do WCT para que fizessem suas etapas em ondas de qualidade, abandonando a ideia de grande público e criando o Dream Tour. O salto de qualidade do surf foi extraordinário e os países que não contam com um litoral tão abençoado, como o Brasil, tiveram que se desdobrar para aprender a surfar estes tipos de ondas. Quase uma década após estas mudanças, bastante criticada na época pelos próprios surfisas e dirigentes brasileiros, nossos meninos mostram na água que isso beneficiou, e muito, a nossa evolução.

Outro ponto positivo desta nova filosofia foi a tecnologia da internet usada pela ASP, que é a única do mundo dos esportes, com uma qualidade impressionante comparado ao que se vê por aí. Sem dúvida o surf está anos luz à frente de qualquer outro esporte quando se fala em transmissão via internet. Mas problemas antigos não foram resolvidos na gestão de Rabbit, que parece ter fechado os olhos para não se aborrecer.

A mísera premiação dos eventos, apenas 340.000 dólares por etapa, distribuídos para 48 surfistas, é reflexo da pouca vontade política de Bartholomew em comprar briga com muitos dos seus amigos donos de marca. A saída seria tentar patrocinadores fora do mercado, mas creio que estes mesmos donos de marcas não tem muito interesse em dar a fatia de um bolo que eles mesmos fermentam há décadas tão facilmente. Com isso, quem perde são os Top 45, em sua imensa maioria um bando de jovens sem muita noção de valores na cabeça e que estão bem satisfeitos por poder ganhar uns 5.000 dólares por mês para surfar ondas de sonho. É uma pena eles não se tocarem que esta vida é curta e pode acabar numa rasa bancada em Teahupoo ou Pipeline. O próprio Slater, único ser humano vivo com nove títulos mundiais em esportes de elite e quarenta vitórias n Tour, ainda não chegou aos dois milhões de dólares em premiação com quase 15 anos de competição.

Outra situação ridícula é a vivida no Hawaii. Como pode a comunidade de um lugar que mais parece uma roça ─ North Shore ─ definir o destino de vários surfistas que passam o ano inteiro tentando a classificação para a próxima temporada e veem as regras mudarem afetando suas carreiras? A grande maioria desdes titãs havaianos do surf, não passa uma bateria no WCT. E são eles que resolvem surfar nas fases que quiserem, pegar as ondas que quiserem e espancarem quem quiserem. Muito justo né, Rabbit?

Mas pra que se indispor novamente com esses malucos havainos? É melhor fazer vista grossa para covardias, pressão e marginalidade do que peitar a pseudo comunidade pró-Hawaii e fazer com que as regras sejam as mesmas para todos. Afinal, se o Jamie O'Brien, um brilhante surfista, quer urfar etapas do WCT, que faça o mesmo que os brasileiros, franceses, japoneses, sul-africanos, que não tem a mesma tradição que os EUA e Austrália mas que seguem o WQS comendo o pão que o diabo amassou sonhando um dia em usar uma lycra do Dream Tour.

Acho que agora seria uma grande oportunidade de colocar alguém com mais ousadia e tino comercial para presidir a ASP. Uma pessoa como Peter Townend, conterrânio de Rabbit, mas que vive há muitos anos na Califórnia, onde o dinheiro se encontra.

É bem legal ter um escritório de cada pra Kirra, mas está na hora da ASP dar um passo firme a uma maior profissionalização, ou corre o risco de ser engolida pelo skate, snowboard e outros esportes radicais que estão vindo com tudo, roubando espaço do surf na mídia e atraindo cada vez mais adeptos. Rabbit foi o porta voz do Circuito dos Sonhos. Mas o que o surf profissional precisa agora é de muita realidade.

Dane Reynolds ─ First Chapter


O filme da sensação americana, Dane Reynolds, é um prato cheio para quem gosta de um surf moderno e super radical. Em termos de roteiro, a produção não traz nada de novo ─ um conjunto de sessões em lugares diferentes. Mas não foi à toa que o DVD foi eleito pelos eleitores da revista Surfer como o melhor vídeo de 2006 ─ a ação é de cair o queixo. Co-dirigido pelo próprio Reynolds, "First Chapter" ─ como o nome sugere ─ é uma declaração do amadurecimento da esperança yankee. Ao invés de buscar seu lugar no WCT, o americano passou um ano viajando para produzir as imagens do vídeo. E essa dedicação ao projeto valeu a pena. Buscando sair da rota mais tradicional dos filmes de surf, a ação se passa em Portugal, Marrocos, França, Austrália, África do Sul e Hawaii. Dane deixa claro no começo do DVD que não quer saber de Mentawais nem de entrevistas. O som de suas bandas prediletas é empolgante ─ principalmente o punk rock cru que embala as ótimas sessões na Califórnia. O destaque fica mesmo por conta do surf envolvente, futurístico e radical de Reynolds ─ sem dúvida um dos melhores surfistas do mundo. Ainda tem participações de Taj Burrow, Ry Craike e Clay Marzo. Os extras trazem mais surf, comentários sobre cada sessão e um dia de snowboard com o amigo Bruce Irons. Se você quer saber se Reynolds justifica toda a "hype", arrume uma cópia. Você não vai se decepcionar.

A lenda de Big Max e Joe Boy


Califórnia, décadas atrás. Um bêbado com um carro na mão voltando de uma festa. Assim Maya foi embora. O assassino a pegou de frente, na contramão. Asim terminou a vida de Joe na praia onde era local, no pico que amara desde pequenino. Depois de remar lá pra fora, sozinho, e espalhar as cinzas dela no mar, ele voltou para a casinha que tinha erguido com as próprias mãos, pegou tudo, enfiou no velho caminhão e partiu. Nunca mais ouviram falar dele. Joe Boy desapareceu. Levou apenas poucas roupas, muitos livros, uma foto de Maya em PxB e seu salvo conduto contra a loucura da solidão do amor perdido: Max. Big Max. Um tão imenso quanto dócil e brincalhão São Bernardo.

Deixou suas pranchas na porta, para o primeiro menino com vida que aparecesse. Joe e Max atravessaram o país em busca do norte mais isolado possível e longe, muito longe da praia mais próxima.

Alcançaram as montanhas. Brancas, nevadas. Uma casinha de madeira no meio do nada. O nada no meio do peito. Alguns anos cortando madeira, caçando, sobrevivendo, lendo. Longas caminhadas com Big Max. Buscando um pouco de paz de espírito e a exaustão para poder dormir. Para poder escapar dos pesadelos recorrentes: longas ondas azuis cristalinas e o sorriso de Maya.

Logo ele se parecia com tudo, menos com Joe Boy. O rosto, a luz e o jeito de menino deram lugar à face fria, longa barba e olhos perdidos. Apenas Big Max conseguia arrancar-lhe breves movimentos dos lábios, esboços e sorrisos. O cão disparava, corria, pulava nele. Mas certo dia ele desistiu, e passou a apenas sentar e apoiar a cabeça amiga no colo do dono e amigo. Pelo menos um pouco do calor do afeto. Talvez o carinho do cão lembrasse Joe de como ele era o rei dos abraços no passado em que vivia, amava e surfava no paraíso azul.

O ex-Peter Pan agora era um leão selvagem, apenas sobrevivia com a força e coragem que aquele lugar inóspito exigia. Um lugar cinzento. O azul só surgia no céu em breves dias de verão curto demais. Um azul que não tinha nada a ver com a matéria principal, ainda, lá no fundo do peito de Joe: o surf.

Um dia, no finalzinho de mais uma avalanche de neve, o cão pulou pela janela, arrebentando o vidro. Joe deu então, desesperado, o seu primeiro grito desde que Maya partira. Berrou por Max, que não recuou e seguiu correndo. Pouco depois Joe abriu a porta e parou, imobilizado. De repente sentiu algo que só um menino ente na primeira vez, na primeira session, no primeiro amor.

Big Max já estava voltando, só que desabando montanha abaixo em alta velocidade. As quatro patas muito bem agarradas em um pedaço retangular de alguma árvore estilhaçada. E, o melhor de tudo, o cão não parava de latir forte e abanar o rabo como não fazia há anos. Se é possível traduzir o "úh úh!" do surf em um latido, era exatamente o que aquele insano São Bernardo fazia.

Loucura, instinto, amor pelo dono, tentativa desesperada de fazê-lo reviver? Nunca saberemos,
mas naquele final de tarde perigoso e clássico, o velho leão da montanha voltou a ser Joe Boy. Graças a Big Max e sua maravilhosa descoberta: o snowboard.

Melhor amigo do homem é pouco.
Logo Joe resolveu construir outra casa.
Logo seu coração estava pronto para ser erguido novamente.
Não há nada que um bom dia de surf não cure.

Roger Barros


Começou com pranchinha. Por influência do pai e do irmão, ambos surfistas de pranchão, acabou se espelhando neles e há quatro anos surfa da mesmoa forma. Pega pesado no treinamento. Quando não está no colégio ou nas aulas de inglês, que faz três vezes por semana, está na água.

Principal pico: Macumba, como todo bom morador do Recreio.

Sua história é diferente, primeiro por ele ser um longboarder, o que é bem raro quando falamos em um jovem de 19 anos. Segundo pelo fato dele já ter participado do Circuito Mundial de Longboard, o WLT (World Longboard Title). Qual surfista não sonha em integrar o time do Mundial? A grande maioria de nossos surfistas sempre diz isso.

Roger participou dois anos consecutivos, no ano retrasado ficou em 25º na Costa Rica, conquistando o sétimo melhor nose riding do mundo e ainda permanece nessa posição. No ano passado esteve no mundial que rolou em Anglet, na França, e terminou na 17ª posição. Além disso, já foi bicampeão brasileiro junior, campeão carioca open e júnior, vice-campeão catarinense e pernambucano.

Tem pouca idade, mas pensa como adulto, até porque vê de perto os grandes profissionais, compete, conversa e aprende com eles. Mesmo com um campeão mundial de longboard brasileiro ele ainda espera algo melhor para o futuro do esporte. "Agora que já tivemos o exemplo do Phil, é a hora das pempresas começarem a pensar nos atletas. Gostaria que enxergassem o longboard como um esporte também para a molecada. Ele pode crescer. Espero mais carinho e mais atenção."


Modalidade sem idade: "O longboard é pra todo mundo, seja velho, criança, adulto, mãe ou filho. É um esporte sadio, feito para a família", finalizou Roger.

Urban surfers


A paisagem da praia deserta com coqueiros dá lugar a selva de concreto, a água transparente ganha uma tonalidade meio marrom e finalmente, aqueles seus poucos amigos que curtiam o pico se multiplicam, e o pior, não são mais tão amigáveis. Essa é a rotina do surf nas grandes cidades, a princípio parece estressante e agressiva, mas a interação concreto-natureza forma uma nova estética do surf. A onda e o prédio se contrastam e se completam em uma composição única.


O surfista urbano está em constante interação física com a civilização, não há como se desligar dessa relação. Porém, quando está no mar, ele se isola do ritmo frenético da cidade, se torna um espectador dessa realidade tão distinta da que vive naquele momento em que interage somente com as ondas. Por outro lado, muitas vezes observa o mar através da janela de um carro ou do escritório, apreciando aquele ambiente sublime que, apesar de perto fisicamente, proporciona sentimentos totalmente o opostos a dinâmica da vida nas grandes cidades. O surf urbano é isso, o contraste acentuado, seja no visual ou no "feeling". A agressividade das grandes cidades como moldura das ondas forma um quadro único, diferente do conceito tradicional de surf em um lugar paradisíaco e deserto.

De qualquer forma não importa a sujeira na água, as ondas pequenas e ruins e o crowd se degladiando por elas, o surf se infiltra em qualquer ambiente, criando novas estéticas e conceitos ao interagir com essa paisagem urbana.

Panamá


Banhado ao norte pelo mar do Caribe e ao sul pelo Oceano Atlântico, o país oferece diversas opções para o surf. A água é quente e o clima tropical, de dezembro a abril, predomina a estação seca, onde o vento terral é constante no pacífico e no atlântico costumam entrar as grandes ondulações. De junho a outubro é a estação das chuvas, nessa época a costa do pacífico é mais consistente recebendo ondulações de sul, sudoeste e oeste.


Costa do Pacífico:
Existem alguns bons picos próximos à Cidade do Panamá, porém a poluição e o localismo são pontos negativos.

Malibu:
Beach break na saída de um rio, localizado na área de Gorgonha (84km da Cidade do Panamá). A formação das ondas varia de acordo com o fundo de areia. Malibu costuma quebrar maior do que a maioria dos outros picos da região, pondendo chegar aos 10 pés.

Playa Teta:
Próximo à cidade de San Carlos, é um dos picos mais populares do país. As ondas variam de acordo com a maré e o tamanho do swell.

Playa Venao:
Beach break com ondas de ótima formação localizado a cerca de cinco horas da Cidade do Panamá, próximo à cidade de Pedasi. É uma onda consistente, podendo atingir os 15 pés nas maiores ondulações.

Santa Catalina:
Point break clássico muito conhecido dos brasileiros. Raramente quebra com menos de 4 pés. podendo quebrar acima de 12 pés. Localizada próximo à província de Veraguas.

Morro Negrito:
Localizado no Golfo do Chiriqui, no Pacífico. Morro Negrito tem seis picos de diferentes fundos e tipos de onda. Possui um surf camp.


O Panamá tem a população de 1.578.460 habitantes e sua economia é baseada principalmente nas operações realizadas no Canal do Panamá, que passou a seu total controle em 1999 (antes os EUA auxiliavam no controle). O canal possui 82km de extensão, sendo passagem entre os dois oceanos. A maior parte de sua população é mestiça ou mulata tendo o catolicismo como principal religião. Uma minoria da população vem de descendentes de indígenas, asiáticos, negros africanos e brancos.

Quiksilver Pro Gold Coast


Em dia de muitos tubos na bancada de Kirra, o australiano Joel Parkinson derrotou o brasileiro Adriano de Souza na decisão do Quiksilver Pro 2009, etapa de abertura do World Tour.

Sob chuva e em ondas de até 2,5 metros, Parko somou notas 10 e 8.83, contra 7.00 e 4.30 de Adriano, que ficou precisando de uma combinação de duas notas para virar o resultado.

Para subir ao topo do pódio, o australiano fez uma ótima escolha de ondas e exibiu um posicionamento impecável nos canudos. É a segunda vez que Parko vence no quintal de casa; a primeira foi em 2002.

Já Adriano disputou sua primeira final na elite mundial e embolsou US$ 24 mil de premiação, enquanto o aussie faturou US$ 40 mil.

Free As a Dog


Como se espera de uma produção do celebrado Jack McCoy (autor de "Green Iguana", "Sons of Fun" e "Occumentary", entre outros) o DVD tem imagens aquáticas impecáveis e uma edição afiada. Mas não espere pelo teor dramático de seu último filme. Ao contrário de "Blue Horizon", "Free As a Dog" é leve e divertido ─ mas nos moldes de "Green Iguana" e "Bunyip Dreaming". Ou seja, ótima ação intercalada com "skits" engraçadinhas. O roteiro segue a narração do fiel cão de Parko, o boxer Trey, que conta um pouco do dia a dia e da trajetória do australiano até se tornar uma estrela do surf mundial. A produção consegue muito bem mostrar todo o talento do "aussie" ─ mesmo nas situações mais extremas, Parko surfa relaxado e cheio de estilo. Os grommets que co-estrelam o filme, James Woods e Ellis Ericson, proporcionam momentos que rendem uma risada. Além disso, o filme escancara toda a qualidade das ondas australianas ─ Parko destrói secrets perfeitos, sessão após sessão. Apesar da falta de ondas havaianas, "Free As a Dog" é um filme de primeira pelo simples fato de ter Joel Parkinson como personagem principal. Um DVD obrigatório para os fãs do australiano.

O Não-Eddie Aikau



Todo final de ano no Hawaii alguém vê o primeiro swell se aproximando e começa o burburinho. É sempre a mesma história: "essa temporada promete", "é ano de 'El Niño'" ou "esse ano rola o Eddie". Todo mundo que pega onda e que tem vontade de um dia ir para as ilhas e ver Waimea Bay bombando já ouviu falar de Edward Ryan Aikau. Sim, ele foi o primeiro salva-vidas do North Shore e perdeu a vida tragicamente a vida em 1978, aos 33 anos, quando tentava salvar tripulantes da embarcação Hokule'a durante a recriação da viagem polinésia, entre Hawaii e Tahiti.

Depois que desapareceu no mar quando ia procurar ajuda para seus companheiros, Eddie virou herói e mito, sinônimo de bravura. Para homenageá-lo, desde 1984 acontece um evento em Waimea que só ocorre quando as ondas passam dos 20 pés havaianos (seis metros). Desde que foi criado, só ocorreu de fato seis vezes, sendo a última há cinco anos.

Por mais incríveis que sejam as previsões e os mega swells que ameaçam atingir o arquipélago, nem sempre as condições ficam propícias, pois o vento tem sido um consistente vilão. Esse ano o kona wind (vento maral) já estragou uma consistente ondulação que prometia montanhas de água em The Bay, no começo de janeiro.

Claro que todo ano a cerimônia de abertura do campeonato é um evento que por si só já vale a pena, pois resgata as raízes do esporte, reunindo no parque de Waimea certamente a maior concentração de big riders por metro quadrado do planeta. Esse ano o Brasil volta à lista principal de convidados com o pernambucano Carlos Burle defendendo o país entre americanos e alguns poucos australianos.

Agora só falta o mar subir com ondas fechando a baía, bem do jeito que Eddie gostava. Fica a expectativa e a mesma pergunta toda temporada: será que esse ano rola?


GALERIA DE CAMPEÕES DO EVENTO:
→ 1986 ─ Denton Miyamura (HAW)
→ 1987 ─ Clyde Aikau (HAW)
→ 1990 ─ Keone Downing (HAW)
→ 1999 ─ Noah Johnson (HAW)
→ 2001 ─ Ross Clarke-Jones (AUS)
→ 2002 ─ Kelly Slater (EUA)
→ 2004 ─ Bruce Irons (HAW)

Brasil de barriga cheia, de etapas



A ASP South America anunciou o calendário do WQS para esse ano e novamente o Brasil será o país que terá o maior número de etapas e distribuirá a maior premiação ─ 880 mil dólares e 15.500 pontos no ranking de acesso à elite em 2010. Além dos mesmos sete campeonatos de 2008 no Brasil, o Peru e o Chile aparecem como novidades para fortalecer o desenvolvimento do esporte em outros países do nosso continente

O mais antigo campeonato do País, o Hang Loose Pro Contest, comemorou a sua 23ª edição e fez o Brasil começar com o pé direito esse mês com a vitória do Bruno Santos, sendo a décima no arquipélago de Fernando de Noronha (PE). É um dos eventos mais tradicionais do calendário mundial da ASP e foi o primeiro nível 5 estrelas da temporada 2009, oferecendo uma premiação de 120 mil dólares e os primeiros 2.000 pontos no WQS. Como sempre, atraiu um grande contigente de surfistas de outros países que todo ano querem competir nas excelentes ondas da Cacimba do Padre.


ETAPAS DO WQS NA AMÉRICA DO SUL:
→ 23 a 01/02 ─ Copa Movistar Peru, San Bartolo, Peru
→ 09 a 15/02 ─ Hang Loose Pro Contest, Fernando de Noronha (PE)
→ 02 a 07/06 ─ Arica Pro Challenge, Arica, Chile
→ 07 a 12/07 ─ Maresia Surf International, Itajaí ou Florianópolis (SC)
→ 14 a 19/07 ─ Patrocinador não definido, Praia do Forte (BA)
→ 21 a 26/07 ─ Patrocinador não definido, Guarujá (SP)
→ 01 a 04/10 ─ Gatorade Surf Classic, São Francisco do Sul (SC)
→ 05 a 11/10 ─ Oakley Rio Surf Pro International, Arpoador (RJ)
→ 13 a 18/10 ─ Onbongo Pro Surfing, Itamambuca (SP)

Crise total!

O mundo vive uma de suas maiores crises econômicas. Milhares de trabalhadores são demitidos diariamente, muito dinheiro foi perdido na bolsa de valores, a indústria automobilística foi afetada, os alimentos sofreram aumentos...

E como não poderia ser diferente, o surfe também foi atingido por esta onda.

Atletas, que já figuraram no principal cenário do esporte, o WCT, estão hoje "na lama": sem patrocínio e com muitos sonhos ameaçados.

Entre os "desempregados", nomes como Raoni Monteiro, Leo Neves, Pedro Henrique, Leandro Bastos, Everaldo Pato, Ordiley Coutinho, Rodrigo Dornelles, Diana Cristina e Simão Romão. Estes últimos, campeões da etapa carioca do WQS em 2008.

Mas, de quem é a culpa? Será que a crise é mesmo a responsável por este cenário que assola o mundo do surfe? Ou será que os atletas não estão correspondendo às expectativas de seus patrocinadores?

Escritório na praia, literalmente.


Marca de surf fazendo grandes campanhas publicitárias você já viu. Bancos, fabricantes de bebidas e grandes montadoras de automóvel também. Mas o que dizer de uma tacada de marketing do governo australiano para atrair turistas e que se espalhou como praga nos sites de notícia do mundo todo? O governo do Estado de Queensland, na Austrália, está oferecendo a um cidadão de qualquer país o que considera "o melhor emprego do mundo": o de zelador de uma ilha paradisíaca.

Não, não é mentira e a grana faria muito advogado, empresário e até político largar a rotina urbana para uma temporada na ilha Hamilton, uma das 600 ilhas da Grande Barreira de Coral ─ o maior recife de coral do planeta, um ecossistema rico e fragilíssimo. A vaga é para um contrato de seis meses e o salário é de US$150 mil (R$235 mil) pelo semestre ─ o que representa pouco menos de R$40 mil mensais.

As tarefas não parecem ser complicadíssimas e o candidato não precisa de qualificações acadêmicas, mas saber mergulhar, nadar e ter espírito aventureiro, coisa que surfista têm de sobra. O governo não informou se há boas ondas por lá, mas com esse reef fantástico alguma hora deve entrar um swell forte e alinhado, não é mesmo?

Até 22 de fevereiro os candidatos devem preencher uma ficha de inscrição e enviar um vídeo de 60 segundos para participar do processo de seleção.

Mais informações: http://www.qld.gov.au/

História de Surfista


Saindo de casa em Ilhabela, rumo ao fervor da cidade de São Paulo, já, como sempre, atrasado e com certeza esquecendo alguma coisa que só iria me dar conta no meio do caminho, senti a brisa descendo do lado da montanha, não quente, mas menos fria do que o normal para o inverno. O vento tinha virado para leste. A próxima balsa iria zarpar em dez minutos, e se eu não quisesse esperar mais meia hora por outra depois daquela, não podia vacilar, era entrar na caminhonete e acelerar. Mas agora eu queria surfar, o vento tinha virado minha cabeça também. Calculei, uma horinha na água, pegando pelo menos uma onda a cada dez minutos. Seriam seis no mínimo. Mais um chorinho na hora de sair e, quem sabe, eu completasse oito. Se o mar estivesse muito bom mesmo, inventava uma prorrogação e fechava com dez, quantia bem suficiente para chegar em Sampa mansinho, com um sorriso maroto na cara e um brilho de felicidade no olhar. Deixei o carro ligado e corri para o suporte das pranchas na garagem, retirando a que estava mais fácil. Voei até o varal no quintal e peguei a roupa de borracha, ainda molhada do dia anterior, e a toalha ao lado, joguei tudo na caçamba e parti. Cinco minutos para a balsa, quatro, três, dois, um. Ufa! Em cima da hora. Soou o apito e os cansados motores a diesel foram postos em movimento. Primeiro dei uma checada em Guaecá, da estrada mesmo, pequeno mais indicando potencial para Maresias. Em Maresias, dei uma olhada no mar passando pela pracinha e resolvi arriscar no Bar do Meio. Ninguém na água e uma vala bem delineada produzindo direitas e esquerdas de um metro mais ou menos. Bingo! Diversão garantida. Visto a roupa de borracha, acabo com um restinho de parafina, escondo a chave entre os escombros de um dos muros tragados pela última ressaca. Pulo no mar e saio remando pelo canal. Calculo mal, remo pra dentro do pico antes de ter realmente passado a linda das ondas e tomo uma série na cabeça, retardando um pouco minha chegada ao outside. As ondas estão lisinhas e fortes, e enquanto desvio de volta em direção ao canal, lamento mentalmente não ter pegado uma delas logo de cara. E vou lamentar ainda muito mais. Chego ao outside e sento na prancha olhando pro horizonte. Não, não acredito no que estou vendo, no que estou sentindo. Em questão de segundos entra um vendaval de sul, enchendo o mar de carneirinhos, amassando as ondas, dobrando os coqueiros da praia, arrancando os guarda-sóis da areia. Saio sem ter surfado sequer uma mísera marola, quanto mais dez, oito ou seis boas ondas, como havia imaginado. Ainda escuto um figura descrever, amarradão enquanto se enxuga, como o mar estava de gala meia hora atrás: "Rolavam até uns tubinhos". No início da serra entre Maresias e Boiçucanga, dou de cara com uma viatura do departamento de trânsito de São Sebastião. Estou atendendo uma chamada no celular e fico na dúvida se percebem. Paro no acostamento para continuar falando e sou abordado por dois sujeitos que vinham empurrando uma bike ladeira acima: "Pô senhor, dá uma carona aí, tamu indu trabaiá im uma obra im Boiçucanga". Fiquei meio cabreiro, calculando o risco, mas acabei orientando os caras pra se ajeitarem com a bicicleta na caçamba sem estragar minha prancha. Fomos trocando uma idéia pela janelinha e o mais falante dos dois me contando que já tinham tomado várias logo cedo que era pra "fica du jeitu". Não paravam de agradecer, já que eu os salvara de subir uma serra a pé debaixo do sol e certamente de se acidentar feio tentando dropar o asfalto ingrime do outro lado, os dois, zoados, na mesma bike. Agradecem mais uma vez na hora que os deixo do outro lado, na frente do posto da PM. "Fica na moral", ouço o mais calado resmungar pro parceiro agitado ao se afastarem. Duas hora e pouco depois estou no meu destino. Entro no escritório, dou um "oi" pra geral, bato um pouco de papo e vou pra minha mesa. Ligo o computador e busco no Internet Explores um dos meus sites favoritos de previsão de ondas. Da minha sala não sei dizer de onde o vento está vindo. Mas consigo saber para onde ele está indo. Daqui a dois dias vai virar pra leste de novo, e a ondulação que o vento sul trouxe vai começar a baixar, mas ainda apresentando um bom tamanho. Pronto, o vento já virou minha cabeça de novo. Quem sabe na próxima tentativa eu tenha mais sorte, ainda que a verdadeira sorte, aquela que temos que agradecer todo dia, esteja em poder de continuar tentando.



P.S.: Dois dias depois, voltei e peguei 14 ondas em 1h e 45min. Uma a cada sete minutos e meio.

Freakside


O segundo vídeo estrelando Jamie O'Brien mostra sem rodeios toda a sua versatilidade e talento nato do jovem Pipe Master. Assim como em seu primeiro DVD, O'Brien colocou a mão na massa, participando ativamente da edição e produção do vídeo. Sua filosofia é a de que o surf deve ser sempre o prato principal ─ com o mínimo possível de entrevistas e "skits". Ou seja, a produção é uma seqüência quase ininterrupta de ação. Mas isso não tira o mérito de "Freakside" ─ até porque seu objetivo é mesmo exibir o talento de O'Brien nesse formato. Como se espera de um produtor que mora em frente a Pipeline, o foco do DVD é nas ondas havaianas ─ mas sem esquecer o surf hot dog. De drops suicidas em Pipe gigante e quase todas as variações de aéreos até hoje inventadas, ele faz de tudo um pouco ─ provando ser um dos surfistas mais completos e empolgantes da atualidade. A edição é limpa e a trilha sonora bem variada ─ com reggae, rap, punk rock e até Jack Johnson. Vale destacar a sessão de Bali, John John Florence quebrando tudo apesar dos apenas 16 anos de idade e O'Brien botando pra baixo em Pipe de base trocada. Isso sem falar nos tubos com uma prancha sem quilhas e dezenas de kerrupt flips completadas com tranqüilidade. Os extras são uma comédia, com direito a uma aula de surf hilária em Kuta. Um vídeo que além de trazer o surf mais radical da atualidade, é pura instigação antes de uma queda. Confira.

Liberdade e movimento


Quando começou a pintar, a artista Maria Cecília Seabra não imaginava que um dia o surf passaria a ser um de seus temas preferidos. Foi depois de uma visita a Florianópolis, em 2001, que a paulista formada em Artes Plásticas e decoradora, se deparou com a beleza da linha que um surfista faz na onda. Coincidentemente, enquanto esteve na ilha acontecia um campeonato de surf na praia Mole, e, a partir daí, a artista teve um "encantamento visual" com o esporte. Esses foram os elementos que deram vida para a coleção "Liberdade e Movimento" que totaliza 15 telas.

Maria Cecília iniciou seus primeiros traços ainda garota, mas foi em 1986, ano de sua formatura, que passou a pintar "profissionalmente". Entretanto, acredita que a pintura seja um dom inato.

Apesar de não surfar. Maria Cecília diz que se apaixonou pela grandiosidade do mar. "A beleza para mim está mais no visual, sinto a emoção pelo visual", ilustra. Sua lembrança das ondas e referências de fotografias foram inspirações que ela precisou para criar seus painéis. " Os pontos essenciais para mim são o movimento da onda e a liberdade que ela tem, pois nunca são iguais. A nuance das cores do mar através da luz do sol, a coragem do surfista... Isso tudo me dá um encantamento visual", explica.

Além do surf, a artista, hoje com 42 anos, sempre teve grande paixão por pintar flores, peixes, pores-do-sol: "gosto de flor, surf ou mesmo um abstrato. Árvores, natureza morta e figura humana não são meus fortes", comenta sobre suas preferências.

Com sutileza ao representar a realidade das formas da natureza, no caso o mar, Cecília encontrou no estilo figurativo moderno seu formato de arte, e na técnica acrílico sobre tela, sua concepção.

Stranger Than Fiction


Dirigido por Taylor Steele, Stranger Than Fiction é o mais novo filme de surfe da produtora Poor Specimen. Focado na performance de alguns dos melhores atletas da atualidade desde Campaign 2, desta vez Taylor apresenta feras nunca antes exibidas em suas produções. Como, por exemplo, os autralianos Dion Agius e Josh Kerr, os havaianos Clay Marzo e Ian Walsh, além de nomes sempre presentes em projetos anteriores, como os irmãos Hobgood e Irons. Por outro lado, STF é o único filme do diretor californiano que não conta com uma session do Kelly Slater, deixando a responsabilidade nas mãos de Dane Reynolds, que não decepciona com seu repertório de manobras inovadoras para fechar o filme. Shane Dorian, apesar dos seus 36 anos, está no auge da sua forma e mostra isso com aéreos, tubos e seu tradicional power surfe. Taj Burrow e Joel Parkinson também são destaques quando se trata de velocidade e estilo, deixando claro porque são constantemente top 5 do WCT. Porém, o momento mais inspirador fica por conta do jovem sul-africano Jordy Smith, que completa alley oops estratosféricos e rodeo clowns com uma facilidade impressionante. Com mais de uma hora de produção, traz bandas com pegadas de techno, como CSS, Van She e Pnau. Simplesmente o melhor filme de surfe performance já produzido.

Surfe nu


Mistura de vídeo de performance e documentário, Onte Track Mind, novo filme dos irmãos Malloy, apresenta grandes nomes e mitos das ondas falando da vida de surfista, sem evitar os temas mais polêmicos. Occy, Slater, Machado, Sunny, A. Irons, Rabbit, Fanning e cia. refletem sem medo a hipocrisia sobre a real das ondas. "Não há discussões aqui de como o surfe é feito de mágica e me conecta com a natureza, peixes etc", afirma o diretor Chris Malloy. Filmado em picos clássicos do México, Indonésia, Austrália e Califórnia, o show da modernidade e/ou estilo fica por conta de Jordy Smith, Kolohoe Andino, Fanning, Dane Reynolds, Joel Parkinson e os mitos Slater, Sunny Garcia, Occy, Rabbit, Curren, etc. Bacana também a trilha sonora e a abertura do filme ─ que já vale o ingresso. Mas talvez o grande valor do filme seja a façanha de ser tanto um filme para instigar a surfar como para ficar na boa em frente do sofá pensando e digerindo no que falam as feras entrevistadas. DVD à venda em woodshedfilms.com

Como evitar problemas no North Shore

→ Respeito garante respeito
O localismo existe, mas você consegue perceber quem são os locais, seja andando na rua, seja pelo jeito de agir ou falar. Ficar tranqüilo, ser simpático e respeitar as regras são dicas para garantir uma estadia sem problemas por lá. Não fale alto dentro ou fora da água, espere suas ondas pacientemente e, se possível, converse sempre em inglês. Se o Hawaii fosse no Brasil, seria muito pior. Lá a lei funciona e mantendo a calma tudo acaba dando certo.

→ Entenda o mar antes de entrar
Não se deixe levar pela euforia, entrando na água com tudo. Analise bem o pico onde deseja surfar. Saber por onde entrar e por onde sair é fundamental. Veja onde estão quebrando as ondas e por onde outros surfistas estão entrando, saindo e onde é o canal. O tamanho das ondas podem variar com uma velocidade impressionante. Fique sempre ligado.

→ Saiba onde você está
No outside, ache um ponto de referência na areia. As correntezas são muito fortes e não é bom ser arrastado sem perceber. Isso lhe ajudará a se posicionar para pegar as melhores ondas.

→ Deixe a natureza te ajudar
Nunca lute contra a correnteza, isso será inútil. Se sua cordinha estourar, não nade para o canal, onde fica quase impossível sair da água. Vá em direção à zona de impacto e tome uma onda na cabeça. Vai dar uma chacoalhada, mas naturalmente você será arrastado em direção à areia e chegará com maior facilidade à praia.

→ Escolha um lugar para ficar
O primeiro passo quando se planeja viajar para o Hawaii é escolher um lugar para ficar. Principalmente nas últimos cinco temporadas, tem ocorrido uma superlotação no North Shore. Definir o local ainda no Brasil é muito importante para evitar roubadas e um gasto duas ou três vezes maior com estadia. A melhor maneira de fazer isso é pegar contatos com amigos ou conhecidos que já estiveram por lá ou negociar pela internet com os proprietários. Quanto mais tempo você ficar, mais barato será.

→ Vá com o quiver certo
Saia com duas a três pranchas do Brasil, que vão funcionar bem em ondas de até 6 pés e garantem boa diversão em locais como Rocky Point, Off The Wall e outros picos alternativos. Mas para surfar as ondas mais pesadas como Pipeline e Waimea, onde você coloca sua cabeça em jogo, o melhor é comprar uma ou duas pranchas já no Hawaii. Os shapers de lá estão acustumados e sabem o que uma prancha precisa ter para ser usada nesses mares.

→ Não acredite em lendas
Todo mundo costuma falar que o North Shore é muito crowd, que as ondas são pesadas e muito difíceis por causa dos locais. Tudo isso é verdade, mas o Hawaii é um lugar alucinante. Se você vier com paz de espírito, muita disposição e paciência para esperar sua hora, com certeza surfará as ondas da vida. Vibe boa é sinônimo de bons resultados.

Obama e o surf



De imediato pode vir à mente diversas indagações a respeito, afinal, o que teria a ver a política da eleição do novo presidente americano com o universo livre do mundo do surf?

Talvez por uma infância vivida no Hawaii devido ao nascimento em Honolulu nos respondesse, porém, muito além disso, estão as prioridades e preocupações para com o meio ambiente. Esta sim pode ser considerada das maiores ligações da era Obama com surf. A partir do momento que uma autoridade desta importância resolve ter cuidados com o nosso meio, abrangente diretamente dos oceanos e indiretamente de todo o ecossistema, somos afetados sim.

“... não podemos consumir os recursos do mundo sem pensar nas consequências. Pois o mundo mudou, e devemos mudar com ele.”
Barack Hussein Obama

Surfistas e admiradores do surf sabem o quanto sua prática é igualitária e livre de segmentações. Todas as classes, cores e credos são bem vindos a viver da inesquecível experiência de dropar uma onda. Portanto, a quebra de barreiras na eleição de um presidente negro provaram enfim, que por mais distante que esse momento da história possa estar de praia, sol e ondas perfeitas, ele reflete a identidade e o respeito que os surfistas já conhecem a muito tempo, além de poder decidir o futuro de milhares de picos ao redor do globo.

Sessão Pipoca


Em 1987, Ricky Kaine, um surfista do Arizona, aterrisava no Hawaii para a temporada. Entre brigas, vacas, tubos e romance, ele deu o que falar na ilha, criando amigos e inimigos, no fim das contas o cara, que até então só avisa surfado em uma piscina de onda (ou seja: um prego), dá show em pipeline conquistando o respeito dos mais temidos locais e aprendendo o que é o surfe de alma. Tudo isso no curto tempo de suas férias dos estudos.

Se alguém acha que essa história pode ser real, precisa rever seus conceitos. Esta estória foi o enredo do filme surf no Havaí (North Shore), hoje em dia um clássico sessão da tarde. Gerry Lopez, Laird Hamilton, Mark Occylupo, Shaun Tomson e outros surfistas famosos, participaram das filmagens. Alguns encarnando personagens, como o cheio de marra Lance Burkhart, outros não, caso do Occy. Bem feito ou não, é impossível negar que o filme marcou uma geração de surfistas, merecendo até uma homenagem feita por Jamie O'Brien.